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31 março 2009



Ela entregou os seus sonhos ao mar
Na bruma leve que a tudo consumia
E as pedras que rolaram com seus sonhos
Em ondas revoltas levou a utopia
Mas parou na linha do horizonte
Onde com doçura o céu beija o mar
E sentiu que a amplidão é infinita
Como o forte desejo de amar.

Regina Xavier
http://poemasderegina.blogspot.com/

30 março 2009

OUTEIRO


Deste outeiro, onde me isolo,
Vejo o céu, o mar, o mundo,
Vivo mágoas sem consolo,
Sonho abraços, beijos, colo,
No silêncio mais profundo .

Leio o tempo - que se escoa -
Nas estrelas a brilhar.
Numa ânsia, que magoa,
Sonho tanta coisa boa,
Que me causa medo amar.

Vitor Cintra

29 março 2009

Entre a promessa e o sonho


Há entre a promessa e o sonho,
um amanhecer azulado de lírio,
um cheiro morno de colo,
um suspiro de espera.
Há entre nossas vidas um laço de vida nenhuma
que se ata além do apreensível.
Há entre mim e ti um tanto de espaço
que se dobra e nos junta como se reordenasse todas as coisas.
E então eu adivinho teu sorriso e tu intuis o meu olhar.
Eu pressinto teus lábios e tu imaginas meu corpo.
Eu sonho teu gosto e tu prevês minha entrega.
Há entre o delírio e o real,
um tanto de nós que já existe,
agora.

Ticcia
http://www.naodiscuto.com/

28 março 2009

CHEIRO DAS MARÉS


O cheiro do mar tão perto
Relembra praia de ternas lembranças...
E eternas também...
Lembra o Príncipe das Marés...
Que retorna após longas viagens...
Que aporta depois do abandono...
Que traz conchas escondidas
E perfumes para o agora...
E eu, terra molhada,
Areia ressequida...
Abro os poros da fantasia.
E o príncipe traz sua sede
Para misturar-se à minha...
Traz seu cansaço para repousar no meu…
E faz cantos dos contos de fadas,
Pois à madrugada, somos crianças também.
Somos sombras revividas...
Luar em cantigas
Ritmo cadenciado nas marés...
E barcos sem porto e sem rumo
A navegar no abraço que acordou.

Ivone Zouain Zuppo

27 março 2009

Ao som de violinos



Amar, ao som de violinos
Amar a terra na sinfonia do vento
Pisar a epiderme da terra na dança leve,
Pele, terra
Tocar o veludo das flores, ao som de violinos...
O luar dança com vento, ao som dos violinos
Estrelas, atentas ao solo do amor...
Entre violinos.

Helen Drumond

26 março 2009

Voz da Saudade


Se cai a noite plácida, serena,
Tão branca de luar — doce magia...
A carícia da brisa torna a cena,
Num requinte envolvente de poesia.

O azul do céu de uma beleza extrema
Povoado de estrelas irradia,
E qual o encantamento de um poema
Faz palpitar sutil melancolia.

No Coração da mata um mocho pia
Rompendo a solidão num tom dolente,
Como um canto de amarga soledade.

E o coração da gente silencia
Porque mais alto que sua voz ardente
Fala a voz melancólica da saudade.

Bernardina Vilar

25 março 2009

Canção Tardia


Repara na canção tardia
que timidamente se eleva,
num arrulho de fonte fria.
O orvalho treme sobre a treva
e o sonho da noite procura
a voz que o vento abraça e leva.
Repara na canção tardia
que oferece a um mundo desfeito
sua flor de melancolia.
É tão triste, mas tão perfeito,
o movimento em que murmura,
como o do coração no peito.
Repara na canção tardia
que por sobre o teu nome, apenas,
desenha a sua melodia.
E nessas letras tão pequenas
o universo inteiro perdura.
E o tempo suspira na altura
por eternidades serenas.

Cecília Meireles

24 março 2009

Os filhos da nossa alma


Sei que um dia vou morrer.
Quando tal acontecer,
Deixo-te as rosas e o vento,
Deixo-te a chuva e o sol,
O cantar do rouxinol,
Minha alma
E meu pensamento.
Deixo-te a nuvem que passa
E que o vento faz correr,
Deixo-te o encanto e a graça
De uma papoula a crescer,
Deixo-te as ondas do mar
Que se desmancham na areia,
Deixo-te o tênue luar
Em noites de lua cheia,
Deixo-te a flor e a beleza
Dos poemas que escrevi
E deixo-te a natureza...
Quando o teu tempo findar
E tu te fores daqui,
Nalgum lugar hei de estar
Só esperando por ti.
E ao partires, deixaremos
Plantados, como uma palma,
Os poemas que escrevemos.
Os filhos da nossa alma.

José M. Raposo
http://poetaosabordovento.multiply.com

23 março 2009

SOM DO VENTO


Ouço o som do vento
Que balança as folhas
Em suave acalento
De eternas noites.

Ouço o vento farsante
Que balança os sonhos
Do humilde andante
De eternas tardes.

Ouço o som do vento
Que murmura meus passos
Nos rastros de lamento
De eterno caminhar.

Ouço o vento farsante
Que sussurra segredos
Ao coração errante
De eterno amar.

Sonia de Fátima Machado Silva
Publicado no Recanto das Letras em 09/02/2008

22 março 2009

Ao meu pai


Nesta segunda-feira, dia 23 de março, meu pai estaria completando 75 anos, se não tivesse tido uma morte fulminante em maio do ano passado. Hoje, lendo um poema de Vieira Calado, sobre as pequenas insignificâncias de nossas vidas, que ninguém herdará, lembrei das cinzas do meu pai jogadas ao mar...Viveu e morreu bem, mas do homem que era nem o pó restou...A saudade continua, a memória do homem que foi ainda vive em nós, até que tenha chegado nossa vez também. Transcrevo hoje, um poema que fiz a ele, naqueles dias tristes.

Cinzas ao mar...

Num recanto do mar, tranqüilo e mágico,
Repousa a alma transformada
Em milhões de pontos cintilantes
Levados pelo vento, livre e soltos no ar...
Nesse recanto onde o mar se mistura ao céu,
A alma continua a voar por entre
Nuvens brancas, trazidas pela brisa,
Por entre as pedras esculpidas
pela chuva e pelo vento...
Alma amada que partistes, faz parte agora
Do dia, da noite e do sol,
Será arco-íris colorido depois que a chuva cair....
Flores nascerão, por entre as pedras e
A vida continuará sobre essa areia....
A alma que parte também viverá, eterna
No espaço e no tempo exato da sua história,
Assim como no coração de quem
sempre a amou e hoje vive na saudade...

Sônia Schmorantz

21 março 2009

Folhas ao Vento


Minhas angústias são como folhas voando,
Chorando ao desprender do ramo que amavam.
As folhas caíram depois da ventania,
Vento que foi cantando, distante,
Levantando a areia da praia
De águas frias, cantantes, coloridas...
Vento agreste levou as folhas para o mar.
Sem mais o ramo para ficar,
vaguearam, rolaram,
Perderam toda a seiva que as adoçava...
O vento sempre as levar,
sem rumo, sem magia
Levou também a brisa doce dos meus versos,
Fez-se outono em mim, tamanho o abandono
De uma alma desfolhada que após o vento
Também caiu...

Sônia Schmorantz

20 março 2009

A ALMA SONHA SOZINHA


Anda a minh’alma sonhando
tão sozinha e acompanhada,
que às vezes vivo pensando
que a alma sonha acordada.

Mas sonhar é um fio d’água
que sozinho entrega ao mar
muitos afluentes de mágoa
que se escoam sem passar.

Sejam simples como a flor
que sonha sonhos calados
dos que perecem do amor
dos sonhos não realizados.

Somos a curva da estrada
dos sonhos que vão além:
sonhar sozinha sem nada
é tudo o que a alma tem...

Afonso Estebanez

Chegou a hora do adeus
Nós já viramos essa página
Separe tudo que for seu
Me deixa apenas nossas lágrimas
De repente eu me tornei
Um estranho pra você
Dói no meu coração
Dói no seu coração
Não há nada que vá nos prender

Vou apagar de vez
Cada passo teu
Que eu só vou me curar
Quando eu disser adeus
Amanhã talvez
Longe em outro lugar
Tudo vai passar
Quando eu disser adeus
Quem sabe a vida vai mostrar
Os sonhos que nós dois perdemos ...

Guarde o melhor de mim
Que no meu peito eu vou te guardar
Vai ser melhor assim
Vai ser melhor pra mim
Um dia a gente vai se perdoar.

LS Jack

19 março 2009

Eu sei


Eu sei que está na hora de partir.
Que chegou o tempo de despir
a alma de sorrisos e de sonhos
com os quais ela se enfeitou este tempo todo.
Eu sei que faz parte da vida, dizer adeus
no lugar do tão doce “até já”.
Sei que a saudade vai ser minha companhia e
vai embalar cada solidão.
Que todos os sentidos vão lembrar a cada instante,
a suavidade de um beijo, a alegria de um sorriso,
a doçura de uma palavra de carinho.
Cada dia será dia de inventar pensamentos
que vão certamente voar para junto do mar,
onde muitas vezes quis passear contigo.
As noites irão, contra minha vontade, trazer os sonhos,
onde construí uma vida que não me pertencia.
As estrelas vão continuar a brilhar com a luz
que imaginei em teu olhar e a lua,
vai tornar maior o silêncio em tua voz…
Deixo-te livre para saíres de meu coração,
ainda que nunca me deixarás só.
Devolvo-te a asas que escondi para te impedir de voar,
e deixo abertas as portas da minha alma,
mesmo sabendo que serás sempre parte de mim…

Nuno
http://dark.bloguepessoal.com/

18 março 2009

Soneto para Voar


Desculpe-me o silêncio das palavras.
A voz que cala é a mesma que diz: não!
Não tenho explicações para estas travas
que se fecham aos ventos da razão.
As portas da esperança pedem asas
e penas de aventuras nas canções,
para voar na dor, por sobre as casas,
das páginas de sonhos e emoções.
Tenho a ilusão do verso.
Isso me basta.
Persigo a flor da doce arribação,
e um oceano antigo inda me arrasta...
Não deixa em paz as águas da paixão.
Bem sei que o vôo é lúgubre e desgasta,
mas não sei caminhar com os pés no chão.

Nathan de Castro

17 março 2009

MENOS A MIM


Conheço a aurora com seu desatino
Conheço o amanhecer com o seu tesouro
Conheço as andorinhas sem destino
Conheço rios sem desaguadouros
Conheço o medo do princípio ao fim
Conheço tudo, conheço tudo
Menos a mim.

Conheço o ódio e seus argumentos
Conheço o mar e suas ventanias
Conheço a esperança e seus tormentos
Conheço o inferno e suas alegrias
Conheço a perda do princípio ao fim
Conheço tudo, conheço tudo
Menos a mim.

Mas depois que chegaste de algum céu
Com teu corpo de sonho e margarida
Pra afinal revelar-me quem sou eu
Posso afirmar enfim
Que não conheço nada desta vida
Que não conheço nada, nada, nada
Nem mesmo a mim.

Ferreira Gullar

16 março 2009

DA JANELA


Da janela a vida eu vejo
Nesse tempo a minha passa.
Analiso cada cena
Pelo meio da vidraça.

Cada coisa é um verso,
Cada cena um poema.
Mas cada dia que passa
Cria-se um novo tema.

De todas as janelas que vejo
Desta minha em que analiso,
Há um outro que observa
Seguindo sem improviso.

E cada coisa que está na rua
Muda sem que pareça
Desde cedo, bem cedo.
Até antes que anoiteça

Os que olham envelhecem,
Mas com muita emoção
Pois é pensando na vida,
Que se renova o coração.

Alda Correa Mendes Moreira
Imagem: Claudio Dickson
A Janela / Óleo s/ Tela 2007

15 março 2009

Poema de Domingo


Bastam-me as cinco pontas de uma estrela
E a cor de um navio em movimento.
E como ave, ficar parada a vê-la.
E como flor qualquer odor no vento.

Basta-me a lua ter aqui deixado
Um luminoso fio de cabelo
Para levar o céu todo enrolado
Na discreta ambição do meu novelo.

Só há espigas a crescer comigo
Numa seara para passear a pé
Esta distância achada pelo trigo
Que me dá só o pão daquilo que é.

Deixem ao dia a cama dum domingo
Para deitar um lírio que lhe sobre.
E a tarde cor-de-rosa num flamingo
Seja o teto da casa que me cobre.

Baste o que o tempo traz na sua anilha
Como uma rosa traz Abril no seio.
E que o mar dê o fruto duma ilha
Onde o Amor por fim tenha recreio.

Natália Correia

14 março 2009

MADRUGADA


Cola os ouvidos ao silêncio, quando os pássaros
voltearem na casa abandonada.
Só então conhecerás o rumor dos passos
que precedem a madrugada.

Toda a vida é um quadro em que os tons claros
dão por vezes lugar aos mais escuros.
Mas não é raro
florescerem manhãs por trás de velhos muros.

Deixa portanto à solta o coração
e acolhe a luz que espreita além da escuridão.

Torquato da Luz
Imagem Photobucket - Isabel Filipe

13 março 2009

SE LESSES...


Se lesses tudo o que escrevo
Se escrevesse tudo o que sinto
Se contasse as vezes que minto
Para não saberes quem sou
Se lesses nas entrelinhas
As minhas palavras secretas
As minhas emoções discretas
Que não deixo visionar
Se lesses no meu rosto a expressão
Daquilo que a minha alma sente
Se sentisses o que vai na minha mente
Se ouvisses o bater do meu coração
Se lesses nos meus olhos
No esgar de um sorriso disfarçado
Num gesto por vezes inadequado
O quanto a vida tem de abrolhos
Se lesses tudo o que escrevo
Tudo o que sinto e penso
Tudo que penso e sou
Tudo que sou e disfarço
Tudo o que disfarço e não sou
Tudo o que não sou e sou
Se lesses com atenção
Este poema inacabado
Este poema que é só um bocado
Do que não escrevo, do que não sou
Se lesses...
Na minha mente
Verias que sou diferente
De ti e de toda a gente

Ou talvez igual a ti
Hoje e sempre...

Roselia Martins
Imagem:

12 março 2009

Se te pareço


Se te pareço noturna e imperfeita
Olha-me de novo.
Porque esta noite
Olhei-me a mim,
como se tu me olhasses.
E era como se a água desejasse
Escapar de sua casa, que é o rio
E deslizando apenas, sem tocar a margem.
Te olhei.
E há tanto tempo
Entendo que sou terra.
Há tanto tempo
Espero
Que o teu corpo de água mais fraterno
Se estenda sobre o meu.
Pastor e nauta
Olha-me de novo.
Com menos altivez.
E mais atento.

Hilda Hilst

11 março 2009

HOJE EU ME VESTI DE OUTONO


Hoje eu me vesti de outono.
E desliguei as luzes
daqueles longes tempos.
Andei pelas ruas entre as folhas.
Enquanto a lua
me contava segredos.

Hoje eu me vesti de outono.
E os termômetros
resolveram ser gentis.
Reli os livros que ainda estão sendo impressos.
E encontrei frases lilases, púrpuras, violetas.

Hoje eu me vesti de outono.
E decidi ir comigo ao lugar imaginário.
Lá estava eu a me esperar com uma história.
E isso era o que menos contava.

Hoje eu me vesti de outono.
E o outono se vestiu para mim.
Ambos nos vestimos
para a vida.
E quando vimos
já era inverno.

(autor desconhecido)

10 março 2009

Mas os poetas amam


E me faço poeta que sofre sonhando
nas entrelinhas de um poema, amando
o cálamo que não cala e deita encanto
em lágrimas na cor do teu que é meu manto.

No verdor dos campos respondo em versos
o sabor do olhar que deixaste a descoberto
suspirando em folhas soltas nesto cerro
onde auroras fazem sol a teu contento.

Deito nas colinas em véu de saudade
se de ti duas palavras não tenho
mas sou sorriso quando és outra metade

e dois meios em papiros soltos ao vento
são poetas na poesia em mesmo cenho
valsando amor... sem distância e tempo.

Milamarian
Imagem: do filme Before Sunset

09 março 2009

Cio de poeta


Uma alma de poeta baila no ar
Uma alma de poeta grávida do luar
Uma alma de poeta cheia de amar
E as estrelas cintilam mais
E o luar clareia mais
E o amor reparte-se em raios
De engravidar
Almas de poetas
Que bailam no ar
Flutuam sobre o mar
Embebedam-se de luz
Bordam-se de estrelas
E enchem-se de amar!

Justine Moreno do Prado
Imagem: Internet

08 março 2009


No fim de contas, um pássaro
cantando na noite densa
é coisa que a gente encontra
muitas vezes, mesmo longe
do vago mundo da lenda.

Alma é dor, mas também êxtase.
E quando menos se espera
da areia surge uma fonte,
nasce uma rosa na sombra,
canta um pássaro na treva.

A amada chegando tímida
é a rosa por que esperamos,
o amigo, uma fonte fresca,
e a lua no céu acesa
vale um pássaro cantando.

Solta um pássaro notívago
profunda e grave cantiga
no entanto pura e singela:
isto ocorre quando o Poeta
canta na noite da vida.

Tasso da Silveira

07 março 2009

Alma de Mulher


Comecei a desenhar-te na areia
Do galho úmido, presente do mar.
Finquei sem piedade, sangrando linhas e alma
Sem idade , mulher que a vida
Idéia sofria, desejo e olhar...
Loira, morena ,qual volume e dimensão
Pele que chuva banharia um dia , toda ilusão.
Traço delicado e belo, fogo ardente
Rompendo carente, todo grão...
Porção que floresce, ser amado
Paixão semente do coração.
Desnudar-te em sons de violinos ,cordas e veleiros
Foi minha obra , alma gêmea ,melhor canção.
Aventura ,cúmplice encontro , ausência doce
Da fêmea querida, totalidade perdida
Sopro de vida que fiz renascer...

William José Carlos Marmonti

06 março 2009

Nossas Poetisas: Em tuas mãos


Em tuas mãos sinto-me fada...
Bruxa...Benfeitora!
Em tuas mãos sou Rainha...
Vândala...Vendaval!
Em tuas mãos sou ternura...
Caricia...Anjo!
Em tuas mãos sou malícia...
Fêmea...Criança!
Brinco de amar...
Me entrego aos sonhos!
Em tuas mãos...
Sou pedaço de pano amassado...
Chuva fina no prado!
Em tuas mãos sou pássaro...
Sou borboleta...Posso voar!
Sou verão, inverno...
Temporal!
Em tuas mãos sou Mulher!
Apenas mulher!
Em tuas mãos...

Anna Paes
Imagem: internet

05 março 2009

Nossas Poetisas: Deixe que o silêncio ...


Deixe que o silêncio discorra por nós
e ache as respostas,
que nos beije o peito,
que nos coce as costas
e nos dê o direito de calar
o tempo.
Deixe que ele cubra o momento
e se distenda leve
como um lençol de renda;
que seja arguto o bastante
para impedir o instante de ser breve.
Deixe que o silêncio nos proteja.
Pra que ninguém escute,
nada se revele
e possamos trocar as nossas peles
sem que a censura veja.

Flora Figueiredo in Chão de Vento
Imagem: Paulo Mendes (Namoro)

04 março 2009

Solidão de Poeta


Solidão de poeta tem nome,
Tem endereço...
É alguém que já teve junto a si
E que a vida em suas façanhas
Levou embora...
Solidão de poeta tem um rosto
Cujos olhos ainda tem cor e
Dos lábios ainda tem o gosto...
Solidão de poeta tem um corpo,
Cujo calor ainda lembra e
Cujo perfume está nas entranhas...
Solidão de poeta tem sentimento,
Saudade, lamento...
Da sua emoção faz poemas
E num sentir invisível
Faz dos versos a alma do seu amor
Para lhe fazer companhia...

Sônia Schmorantz

NOSSAS POETISAS: FLUTUAÇÕES


O sonho aprendeu a pairar bem alto,
lá onde o sobressalto nem sequer nasceu.
Namorou a trôpega ilusão,
até que trêfego e desajeitado,
desprendeu-se de seu reino idealizado,
veio pousar tamborilante em minha mão.
Assim, aquecido e aconchegado,
parece que se esqueceu de ir embora.
Na hora em que ressona distraído,
eu lhe pingo malemolências ao ouvido,
à sua inquietação eu me sujeito.
Eis que o sonho dorme agora aqui comigo,
seu corpo repousa no meu peito.

Flora Figueiredo
Imagem: Internet

03 março 2009

Nossas Poetisas: Entardecer


Ao longe sussurram montanhas
inebriadas inebriantes na néscia paisagem
inundada pela mítica vontade do ser,
sensibilizando sua viagem
ao íntimo cósmico, que brilha
e neste brilho fulguram histórias
de gente de pedras e árvores e folhas
cujo manancial rega vontades volúpticas
e débeis primaveras que se vão
no soturno entardecer do mundo
mudo quieto, parado,
impressionado, transtornado
nas cores sem flores de
um chapéu esquecido ao chão.

Lucy Salete Bortolini Nazaro (Palmas-PR-Brasil)
Imagem:Florianópolis - Lagoa do Peri

02 março 2009

Nossas Poetisas: Canção quase melancólica


Parei as águas do meu sonho
para teu rosto se mirar.
Mas só a sombra dos meus olhos
ficou por cima, a procurar...

Os pássaros da madrugada
não têm coragem de cantar,
vendo o meu sonho interminável
e a esperança do meu olhar.

Procurei-te em vão pela terra,
perto do céu, sobre o mar.
Se não chegas nem pelo sonho,
por que insisto em te imaginar?

Quando vierem fechar meus olhos,
talvez não se deixem fechar.
Talvez pensem que o tempo volta,
e que vens, se o tempo voltar.
Canção quase melancólica...

Cecília Meireles

01 março 2009

Nossas Poetisas: Soneto


Sob o céu, sobre o mar, dentre um profundo
silêncio de ermo, em meio às rochas nuas,
aninhamos na noite, como duas
aves, ébrios de nós, longe do mundo.

Em teus olhos de treva ardiam luas;
errava um cheiro, não sei onde oriundo;
e minhas mãos, de tuas mãos no fundo,
tinham desejos de morrer nas tuas.

Sangrando luz, pendida a trança flava,
uma estrela do além se despenhava...
Sorriste olhando-a, entristeci-me ao vê-la...

Com a alma em fogo, pela noite fria,
em vertigens de amor eu me sentia
rolar no abismo como aquela estrela.

Gilka Machado
Imagem: Internet

Quem sou eu

Minha foto
Gaúcha, nos pampas nascida Um grande sonho acalentei Morar numa ilha encantada Cheia de bruxas e fadas. Nessa terra cheia de graça Onde se juntam todas as raças, Minha ilha lança ao poente O azul espelhado da lagoa, O verde silêncio das montanhas, O rumorejar de um mar azul Que beija apaixonado a areia da Minha ilha de renda poética. Não importa se há sol ou chuva, A mágica ilha é sempre azul, Fica gravada na alma e Quem aqui vem sempre vai voltar, Para descobrir novos caminhos, Novos destinos, pois Esta magia nunca irá acabar.

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