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31 maio 2009

Quando eu for



Quando eu for, um dia desses,
Poeira ou folha levada
No vento da madrugada,
Serei um pouco do nada
Invisível, delicioso

Que faz com que o teu ar
Pareça mais um olhar,
Suave mistério amoroso,
Cidade de meu andar
(Deste já tão longo andar!)

E talvez de meu repouso...

Mário Quintana
Imagem: Jaqui Brooks

30 maio 2009

Soneto (Primeira tentativa)


Há um mar que se estende até o infinito,
Um mar que se desfaz em total soledade,
Muito além da nossa vista,
Imenso como a dormência da saudade.

Dias que passam lestos, indolentes.
Mar e saudade quando brincam no tempo,
Vazam sentimentos na infinidade, e
Silente a espera é como o vento.

Mar de esperas, versos encalhados,
Que esculpem nas pedras sonhos que sonhei,
Devaneios alados agora na rocha talhados.

Faço parte da paisagem, verso rimado,
Entre o infinito e o mar azul da saudade,
Sou praia vazia, num sonho inventado.

Sônia Schmorantz
Imagem: Praia da Joaquina - Florianópolis

A palavra mágica


A palavra mágica
dorme na sombra
de um livro raro.
Como desencantá-la?
É a senha da vida
a senha do mundo.
Vou procurá-la.
Vou procurá-la a vida inteira
no mundo todo.
Se tarda o encontro, se não a encontro,
não desanimo,
procuro sempre.
Procuro sempre, e minha procura
ficará sendo
minha palavra.

Carlos Drummond de Andrade

29 maio 2009

Reinvento você


Reinventei você
sob as formas mais diversas,
fazendo de ti
a canção da espera

Criei-te na saudade
buscando respostas
nas primaveras esquecidas
cumprindo a promessa
de uma volta, num eco de areia

Fui cúmplice dos compassos dos dias
e dos esquadros das horas
deslizando como tudo que não cabe
na fotografia do tempo.

Conceição Bentes
Publicado no Recanto das Letras em 29/03/2009
Código do texto: T1511693

28 maio 2009

Sementes


Silêncio ecoando na inquietude,
Minha alma procura o equilíbrio
Entre sentimentos de ontem e hoje.
Sentimentos imperfeitos,
Como imperfeita eu sou...
A poesia vem em fragmentos,
Como sementes desconhecidas,
Vividas, sonhadas, escondidas.
Sementes serenas como as lágrimas
Que a noite verte
Ainda que estrelas lhe façam companhia.
Sozinha aqui a pensar,
Não encontro rimas para a poesia,
Assim, só em fragmentos, lanço
Minhas sementes na noite que
Se encolhe dormente na fria madrugada.
Estou infinita e limitada,
Quero minha poesia inteira e
Todos os meus sonhos de volta...

Sônia Schmorantz

País de gente e mar...


Tudo me prende à terra onde me dei:
o rio subitamente adolescente,
a luz tropeçando nas esquinas,
as areias onde ardi impaciente.

Tudo me prende do mesmo triste amor
que há em saber que a vida pouco dura,
e nela ponho a esperança e o calor
de uns dedos com restos de ternura.

Dizem que há outros céus e outras luas
e outros olhos densos de alegria,
mas eu sou destas casas, destas ruas,
deste amor a escorrer melancolia.

(Eugénio de Andrade, Canção Breve)
Imagem 1:Praia dos Ingleses vista da trilha
Imagem 2: Praia dos Ingleses, um acesso à praia

27 maio 2009

PEDAÇOS DE MIM


Eu sou feito de
Sonhos interrompidos
detalhes despercebidos
amores mal resolvidos

Sou feito de
Choros sem ter razão
pessoas no coração
atos por impulsão

Sinto falta de
Lugares que não conheci
experiências que não vivi
momentos que já esqueci

Eu sou amor e carinho constante
distraída até o bastante
não paro por instante

Já tive noites mal dormidas
perdi pessoas muito queridas
cumpri coisas não-prometidas

Muitas vezes eu
Desisti sem mesmo tentar
pensei em fugir,para não enfrentar
sorri para não chorar

Eu sinto pelas
Coisas que não mudei
amizades que não cultivei
aqueles que eu julguei
coisas que eu falei

Tenho saudade
De pessoas que fui conhecendo
lembranças que fui esquecendo
amigos que acabei perdendo
Mas continuo vivendo e aprendendo.

Martha Medeiros

Talvez


Talvez nunca a ternura fosse tanta
como entre os montes amadurecidos
e quando as casas se elevam
entre o ouro e o fumo da tarde.
Silêncio que parece vir
do lento passado,
vozes que se dão em resignada melancolia
e tomam a forma dos frutos,
vinho e sombra que apagam o mar
nas árvores
onde não tardará o abandono,
memória do que somos.

Repousam sobre a noite os grous
enquanto as cidades crescem à nossa volta
contra o sul vencido.
Vento, ramo e sombra que caem
sobre as janelas ardentes:
lá onde a púrpura se reclina
sobre a água e a beleza
a verdade começa a surgir da espuma.

(Henrique Dória)

26 maio 2009

50000 ...OBRIGADO!


Agradeço o carinho de cada poeta, de cada amigo ou visitante por ter participado, comentado ou só visitado esta página.
Agradeço a pessoas especiais como Eduardo Poisl e minha família
por terem inspirado, mesmo sem querer ou saber,
grande parte das minhas escolhas...
Quis trazer para este novo universo um pouco da poesia que admiro,
alguns poetas desconhecidos e outros famosos,
Mas todos poetas...
Todos maravilhosamente descrevendo nossos comuns sentimentos
buscando sensibilizar e aproximar....
Espero poder dar continuidade a essa corrente de amizade e amor,
Que não conhece fronteiras, mas somente a beleza e a arte.
Que Deus abençoe a todos!

25 maio 2009

NOS CAFÉS DA MANHÃ


Quando o mundo não cabe
mais dentro do universo
e te sentes imerso
no inverso do que costumavas ser

Quando teu olhar não se define
e imprime
vago e ansioso
apenas o momento amoroso
que o gozo não te deixa esquecer

Quando ficas horas olhando o infinito
e o espaço finito
já para ti
não tem mais sentido

Quando o dia a dia já não te aborrece
e não brigas mais pelas pequenas coisas
que achas que mereces
é porque tudo já tens
e sabes que mais uma vez
a paixão te invadiu
e sacudiu tua comodidade
Ou terás descoberto
a fórmula da felicidade?

Nida Chalegre
Imagem: internet

24 maio 2009

Tua magia


Deixe-me envolver na magia do teu amor,
receber a energia que ensina
o caminho deste olhar

Emanas a verdade
e tua força vital
possibilita um diálogo total
nos gestos breves que muitos falam
mas nem todos traduzo

O silêncio do teu rosto
calam palavras
tal a calma do nascer do sol
escrevendo a vida
entre a tinta e o sonho

Conceição Bentes
Publicado no Recanto das Letras em 13/05/2009
Código do texto: T1591299
Imagem:Internet

23 maio 2009

Não me perca de vista


Não me perca de vista,
não deixe que eu desapareça de sua vida,
antes de precisar de mim...
não deixe que eu vá embora,
sem antes saber quem sou,
e quais os meus sonhos,
talvez sejam os mesmos sonhos seus,
quem sabe...

Não me perca de vista nunca,
mesmo que não esteja interessado agora,
pode ser que um dia,
tenha saudades de mim.

Não me deixe seguir sozinha esta estrada,
sem antes saber se gostaria de ir também,
sem antes descobrir que é exatamente
o caminho que sempre procurou...

Não me perca,
talvez só eu possa ser pra você,
a esperada chegada,
o tão sonhado caso de amor,
a linda e infinita história
e a realidade mais sublime de se viver...

Mas não me perca,
deixe-me ficar e esperar por você,
esperar que você me chame,
que você precise de minha companhia
que você tenha por mim todo seu carinho,
que você de repente descubra
que está me amando,
e que me agradeça
por ter ficado ao seu lado,
e ter esperado...

Não me perca de vista!
Nunca...

Vilma Ferreira Galvão
http://www.poetasdelmundo.com/

22 maio 2009

Memória


Amar o perdido
deixa confundido
este coração.

Nada pode o olvido
contra o sem sentido
apelo do não.

As coisas tangíveis
tornam-se insensíveis
à palma da mão

Mas as coisas findas
muito mais que lindas,
essas ficarão.

Carlos Drummond de Andrade

21 maio 2009

Almas entrelaçadas


Sejamos o silêncio,
palavras que ressuscitam
escorrendo pelo tempo sua efemeridade
Sobre a ausência e a solidão
nossas almas se entrelaçam
e partem tal nômades
em busca das verdades
únicas e eternas
Carregam a nostalgia da perfeição
os sonhos ganham asas e luares,
somos a noite antes do principio
e do fim
Meu olhar ajoelha-se ante tua luz
a voz emudece sob teu canto
somente o amor cresceu
qualquer sentimento curva-se
diante da beleza majestosa
desse encanto.

Conceição Bentes
Publicado no Recanto das Letras em 09/02/2009
Código do texto: T1429460

20 maio 2009

Eu tenho...tu tens...


Eu tenho o tempo,
Tu tens o chão,
Tens as palavras
Entre a luz e a escuridão.
Eu tenho a noite,
E tu tens a dor,
Tens o silêncio
Que por dentro sei de cor.

E eu, e tu,
Perdidos e sós,
Amantes distantes,
Que nunca caiam as pontes entre nós.

Eu tenho o medo,
Tu tens a paz,
Tens a loucura que a manhã ainda te traz.
Eu tenho a terra,
Tu tens as mãos,
Tens o desejo que bata em nós um coração.

E eu, e tu,
Perdidos e sós,
Amantes distantes,
Que nunca caiam as pontes entre nós.

(Pedro Abrunhosa)

Eu apenas!


Eu quero ser as cores do arco-íris
O preto e o branco
De outras tantas nuances
Que ainda desconheço
Impregnar-me com perfume das flores
Ou com os dos campos molhados
Pela chuva
Ser o elo
Entre mim e a música
Até que sejamos, uma só coisa
Quero toda a sorte que foi dada
Aos que amam e são amados
Terminar meus dias
Sem lamentar
o que não pude fazer
E ser plenamente humana
Sem rótulos.

Conceição Bentes
Publicado no Recanto das Letras em 17/11/2008
Código do texto: T1288031

19 maio 2009

Espectro de consciência


Pega-me ao de leve no corpo entardecido do sol,
despe-me do laranja e do vermelho
e entorna-te sobre mim,
monocromático.
Sorve, voraz,
os alaridos da minha alma
e guarda-os em teus lábios
em penitência perene.
Apaga esse padrão repetido que me veste de dia
e desenha-me de novo, com traços convexos,
conexos ao desalinho
do tempo.
Figura-me nua
de sentimentos,
subtil
de entendimentos,
e preenche-me com a alvura inocente das gaivotas.
Sopra-me ao vento
e ganharei asas circundantes na altivez do céu,
espectro índigo que desce na bruma branca
das manhãs de Inverno.

Vera Carvalho
http://petalasminhas.blogspot.com/

18 maio 2009

Escrever


Escrever é
Passar a limpo impressões
Transa solitária em um universo clandestino
Parir entre febres
Rir de si e do mundo lá fora
Sobreviver amando o impossível
Obrar entre terapias
Amar metamorfoses...

Idalina Krause

17 maio 2009

Façam


Façam tardes as manhãs
Façam artes os artistas
Faça parte da maçã
A condenação prevista
Façam chuvas os Xamãs
Façam danças as coristas
Façam votos que esta corda
Não sabote o equilibrista

Façam Beatles "For No One"
Faça o povo a justiça
Faça amor o tempo todo
Que amor não desperdiça
Faça votos para a alegria
Faça com que todo dia
Seja um dia de domingo

(Osvaldo Montenegro)

Peneirando estrelas (homenagem ao Rio Grande do Sul)


O açude é um enorme espelho,
prata pura,
emoldurado pelo pampa.
A névoa cai no campo,
vai envolvendo a alma,
e aprofundando a minha soledade.
Olhar na lua, peneiro tristezas.
As pequenas se espalham no breu da noite,
transmutadas em vagalumes.
As grandes ficam presas na rede da saudade.
E, quem sabe,
para mitigar a minha solidão,
o Velho Patrão vai peneirando estrelas,
que riscam o quadro-negro do universo,
deixando-as cair,
estrelas cadentes,
traços dourados de giz na imensidão.

Alcione Sortica
Imagem (Internet)

16 maio 2009

Eu queria trazer-te uns versos muito lindos



Eu queria trazer-te uns versos muito lindos
colhidos no mais íntimo de mim...
Suas palavras
seriam as mais simples do mundo,
porém não sei que luz as iluminaria
que terias de fechar teus olhos para as ouvir...
Sim! Uma luz que viria de dentro delas,
como essa que acende inesperadas cores
nas lanternas chinesas de papel!
Trago-te palavras, apenas... e que estão escritas
do lado de fora do papel... Não sei, eu nunca soube o que dizer-te
e este poema vai morrendo, ardente e puro, ao vento
da Poesia...
como
uma pobre lanterna que incendiou!

Mario Quintana (Quintana de Bolso)
Imagem: Internet

15 maio 2009

Como te Pressinto


Eu te pressinto em todas as horas,
Nos momentos de maior emoção,
Quando meu coração rememora,
O afeto transformado em paixão.

Eu te pressinto no instante de ternura,
Nas lembranças de todos os devaneios,
Naquele gesto de incontida doçura,
Em que o espírito se desprende em enleios.

Eu te pressinto na intensa alegria,
Nos profundos recolhimentos d'alma,
E nas crises em que anseio por calma.

Eu te pressinto na variedade de cada dia,
Na explosão do desejo oculto e vigoroso,
E na expressão do sentimento carinhoso.

Vânia Moreira Diniz

14 maio 2009

Houve um tempo...


Houve um tempo em que minha janela se abria sobre uma cidade que parecia ser feita de giz. Perto da janela havia um pequeno jardim quase seco. Era uma época de estiagem, de terra esfarelada, e o jardim parecia morto. Mas todas as manhãs vinha um pobre com um balde, e, em silêncio, ia atirando com a mão umas gotas de água sobre as plantas. Não era uma rega: era uma espécie de aspersão ritual, para que o jardim não morresse. E eu olhava para as plantas, para o homem, para as gotas de água que caíam de seus dedos magros e meu coração ficava completamente feliz.
Às vezes abro a janela e encontro o jasmineiro em flor.
Outras vezes encontro nuvens espessas. Avisto crianças que vão para a escola. Pardais que pulam pelo muro. Gatos que abrem e fecham os olhos, sonhando com pardais. Borboletas brancas, duas a duas, como refletidas no espelho do ar. Marimbondos que sempre me parecem personagens de Lope de Vega.
Às vezes, um galo canta. Às vezes, um avião passa. Tudo está certo, no seu lugar, cumprindo o seu destino. E eu me sinto completamente feliz.
Mas, quando falo dessas pequenas felicidades certas, que estão diante de cada janela, uns dizem que essas coisas não existem, outros que só existem diante das minhas janelas, e outros, finalmente, que é preciso aprender a olhar, para poder vê-las assim.

Cecília Meireles

13 maio 2009

PETIÇÃO


Dê-me a humildade da asa e da leveza,
do que passa suave
e solta a âncora,
a despedida ingrávida,
e o abandono do vôo,
a cicatriz que avança
como asa em seu deserto

Dê-me a humildade da alma
sem corpo e já sem coisas.
Ser a poesia e sua luz,

apenas a poesia
e a região mais do ar,
inacessível ao desastre.

Dê-me a luz sem limites
espiando lá dentro
e a noite que sou também e o barro,
com a estrela distante
que a sede não sacia.

Dê-me a humildade que solte as correntes,
a verdade que desnuda
o pó, e o osso que me forjam.

Apenas no que sou caio,
me derrubo.

Deixe-me andar sem equipagem,
leve,
aberta ao horizonte.

Veronica Volkow
Imagem:Internet

12 maio 2009

Quero mais...


Tem gente
Que chega de mansinho
E vem fazendo casa
Na vida da gente...
Vem como quem nada quer
E se aconchega
Feito brisa leve
Até que a gente pede
Pra não mais partir
Pois se for embora
Não vamos mais sorrir...
Tem gente tão especial
Que nos dá paz
Apenas num olhar
E diz num simples gesto
Que veio pra ficar.
Tem gente
que feito tatuagem
gruda em nosso peito
Não vê nossos defeitos
Nos faz especiais...
É gente desse jeito
Que quero sempre mais.

Sirlei L. Passolongo
Imagem:Internet

11 maio 2009

Súplica


Agora que o silêncio é um mar sem ondas,
E que nele posso navegar sem rumo,
Não respondas
Às urgentes perguntas
Que te fiz.
Deixa-me ser feliz
Assim,
Já tão longe de ti como de mim.
Perde-se a vida a desejá-la tanto.
Só soubemos sofrer, enquanto
O nosso amor
Durou.
Mas o tempo passou,
Há calmaria...
Não perturbes a paz que me foi dada.
Ouvir de novo a tua voz seria
Matar a sede com água salgada.

Miguel Torga

10 maio 2009

Inquietação


Chove em silêncio,
Pingos incessantes de poesia,
Formando molhadas reticências...
Há uma chuva em mim e
Seu reflexo cinza, triste,
Oculta a alegria colorida dos
Dias sem medo que eu tinha no coração.
Há uma melancolia sem cor,
Há uma chuva feito versos,
Que corre dentro do coração....
Não quero entender o que não tem explicação...
Quero silêncio depois do vento,
Quero um novo arco-íris num céu primaveril
Quero uma alma quieta, uma luz que silencie,
Quero outra vez ser chuva de verão,
Serenidade, solo que absorve,
Mar, montanha, flor, lua cheia,
Amor e vida, em meu coração....

Sônia Schmorantz
Imagem: Internet

Suave Espera


Deixa tua alma numa rosa
e um sonho no amanhecer
para ver minha esperança
que hoje espera te rever...

Tu não precisas do tempo
quando o amor acontecer.
O amor te chega na brisa
quando o sonho alvorecer.

Deixa o coração na porta
e um arco-íris no jardim...
A esperança se comporta
como flor dentro de mim.

Que suave é toda espera
para quem quer renascer
num sonho de primavera
que renasce sem morrer...

Afonso Estebanez
http://afonsoestebanez.blogspot.com/

09 maio 2009

IGNOTUS


Eu não sei quem Tu és. Mas sei que Tu existes,
e sei que és Tu que acendes as estrelas lá no Alto,
e o lume, às vezes, da alegria na pobreza dos meus olhos tristes.

Eu não Te vejo, eu não Te falo, senão no silêncio secular
das noites insones e profundas, em que meu corpo se apaga,
e minha alma é uma chama inquieta a crepitar ...

Eu Te quero e Te temo, pávido, esquivo e ansioso ...
E pela vida inteira,
se Te fujo - olhos sem luz para não ver-Te,
ouvidos surdos para não Te ouvir
sinto o Teu esplendor doer na minha tórpida cegueira,

e ouço o rumor augural dos remos do Teu barco, lento e lento
a ferir, com seu ritmo de Absoluto,
a água noturna do meu pensamento ...

Abgar Renault

08 maio 2009

ASA DE BORBOLETA



Nesta terna e longa viagem
Através da poesia.

Queria dar-te uma flor
Que jamais seque algum dia.
Pois ser feliz é esquecer…
A amargura do momento
E só assim a vida é sublime
Bonita!, ao mesmo tempo:
Como este mar
Que nos separa
Nesta noite amena e calma
Silêncio! Que o meu luar
Vai beijar a tua alma.

Rogério Martins Simões
19-08-2004 1:01
Imagem:Internet

Observação: O autor publica em seu espaço uma relação de plagiadores de sua poesia, que foram tambem postadas aqui, com o nome de um deles. Orientados pelo verdadeiro autor tomamos conhecimento deste fato e, assim sendo, estamos republicando este belo poema, com o nome do verdadeiro autor. Em páginas anteriores publicamos também o poema "Uma canção na alma", cujos créditos também pertencem a Rogério Martins Simões, mas estava sendo divulgado com outra autoria na internet (http://poemasdeamoredor.blogs.sapo.pt/). A poesia não só por sua beleza, mas por descrever sentimentos especiais e individuais deve ter sempre preservada sua verdadeira autoria, o plágio deve ser combatido em todas as circunstâncias. Sempre que publicarmos nesse espaço poemas ou textos que não apresentem o verdadeiro autor, mesmo que não tenhamos concorrido em culpa, estaremos notificando nossos amigos sobre o fato, dando os devidos créditos, por uma questão de justiça.

CAMINHO AO TEU LADO


Mesmo que não me vejas,
eu caminho ao teu lado.
Passos sem som,
água sem música,
luar a deslizar sobre as florestas,
vento úmido contra paredes ruídas.
Por isso temos sido o que somos:
vastos sem termos partido,
infinitos sem abandonar nosso íntimo,
comovidos, mesmo sem encontrar as respostas.
Eu teria te respondido,
mas não me ouvias mais.
Sentei-me perto de ti
e pus minha mão sobre a tua –
tua mão fria dentro da minha.
Por trás de mim, outra tarde terminava.
Nenhum de nós saberá.
Te darei o que é teu.
O que é meu, eu não possuo.

Thereza Christina Rocque Da Motta - Brasil

07 maio 2009

AGRADECIMENTO


AMIGOS,

Ainda não sai do hospital com minha mãe, onde estamos toda esta semana, mas ela está muito bem, graças a Deus e às orações e bons pensamentos que foram dirigidos à ela e à sua recuperação.
Apesar da idade e de todo o susto, agora já está cheia de vida outra vez. Estará dando alta nesta sexta-feira, e se for possível, a noite já estarei pesquisando boas poesias para matar um pouco desta imensa saudade que tenho dos meus amigos.
Um abraço a todos e o meu obrigado de coração!

04 maio 2009

Queria ter um tempo a mais


Queria ter um tempo a mais,
Umas horas compridas,
Uns minutos esticados
no espaço-tempo
de minha existência...
Um afago do passado no presente,
um salto do futuro no pretérito
do que ainda não ocorreu.
Queria ainda estar aqui,
como ontem estive inteira,
intensa, desafogada de mágoas,
apenas permanecendo naqueles
mágicos segundos de euforia.
Queria ainda ter a lógica
compreendida de mim mesma,
quando olhava e sabia
onde começavam e onde terminavam
todas as minhas dores
Hoje as percebo, as vivo,
mas não sei onde as encontrei...

Catarina Poeta

Hoje minha mãe não passou bem, e acabo de saber que está no Hospital, estarei com ela assim que puder, mas se meus amigos puderem, por favor rezem por ela, eu a amo demais, não posso perdê-la também...

03 maio 2009

A FLOR DA FORTUNA

Para um domingo muito feliz em família, um poema simples, terno. Que todos tenham uma semana iluminada, mágica!

Aqui, à beira da mesa
com a janela entreaberta
e a chaleira silvando monocórdica,
o instante desdobra seus andaimes.
Recosto o rosto sobre o braço
E me deixo recorrer por esta paz.
Já antes de tudo, aí
neste lugar
estava concentrada a plenitude.
O fogo, a luz, os objetos amados
Reunidos em casulo
se abrem com estardalhaço.
É a flor da dita
que estala uns segundos
e perfuma, ao extinguir-se,
os demais momentos do dia.


Rosabetty Muñoz (Chile)

02 maio 2009

Como pequena flor


Como pequena flor que recebeu uma chuva enorme
e se esforça por sustentar o oscilante cristal das gotas
na seda frágil e preservar o perfume que ai dorme,

e vê passarem as leves borboletas livremente,
e ouve cantarem os passares acordados nesta angústia,
e o sol claro do dia as claras estátuas beijando sente.

e espera que se desprenda o excessivo.úmido orvalho
pousado, trêmulo, e sabe que talvez o vento
a libertasse, porém a desprenderia do galho,

e nesse tremor e esperança aguarda o mistério transida
assim repleto de acasos e todo coberto de lágrimas
há um coração nas lânguidas tardes que envolvem a vida.


Cecília Meireles
in Vaga Música

01 maio 2009

Pergunta-me


Pergunta-me
se ainda és o meu fogo
se acendes ainda
o minuto de cinza
se despertas
a ave magoada
que se queda
na árvore do meu sangue

Pergunta-me
se o vento não traz nada
se o vento tudo arrasta
se na quietude do lago
repousaram a fúria
e o tropel de mil cavalos

Pergunta-me
se te voltei a encontrar
de todas as vezes que me detive
junto das pontes enevoadas
e se eras tu
quem eu via
na infinita dispersão do meu ser

se eras tu
que reunias pedaços do meu poema
reconstruindo
a folha rasgada
na minha mão descrente

Qualquer coisa
pergunta-me qualquer coisa
uma tolice
um mistério indecifrável
simplesmente
para que eu saiba
que queres ainda saber
para que mesmo sem te responder
saibas o que te quero dizer.

Mia Couto

Quem sou eu

Minha foto
Gaúcha, nos pampas nascida Um grande sonho acalentei Morar numa ilha encantada Cheia de bruxas e fadas. Nessa terra cheia de graça Onde se juntam todas as raças, Minha ilha lança ao poente O azul espelhado da lagoa, O verde silêncio das montanhas, O rumorejar de um mar azul Que beija apaixonado a areia da Minha ilha de renda poética. Não importa se há sol ou chuva, A mágica ilha é sempre azul, Fica gravada na alma e Quem aqui vem sempre vai voltar, Para descobrir novos caminhos, Novos destinos, pois Esta magia nunca irá acabar.

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