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30 abril 2010

Nós nos amaremos


Nós nos amaremos docemente,
Nesta luz, neste encanto, neste medo:
Nós nos amaremos livremente
No dia marcado pelos deuses.
Nós nos amaremos com verdade
Porque estas almas já se conheciam:
nós nos amaremos para sempre
Além da concreta realidade.
Nós nos amaremos lindamente,
nós nos amaremos como poucos.
no teu tempo.

Lya Luft



29 abril 2010

INTERLÚDIO


As palavras estão muito ditas
e o mundo muito pensado.
Fico ao teu lado.

Não me digas que há futuro
nem passado.
Deixa o presente - claro muro
sem coisas escritas.

Deixa o presente. Não fales,
Não me expliques o presente,
pois é tudo demasiado.

Em águas de eternamente,
o cometa dos meus males
afunda, desarvorado.

Fico ao teu lado.

Cecília Meireles

28 abril 2010

Há pessoas que nos fazem voar


Há pessoas que nos fazem voar. 
A gente se encontra com elas e
leva um bruta susto...
Primeiro, porque o vento começa
a soprar dentro da gente, 
e lá de cantos escondidos de nossas montanhas e
florestas internas, aves selvagens começam a bater asas,
e a gente não sabia que tais entidades mágicas
moravam dentro de nós,
elas nos surpreendem e nos descobrimos
mais selvagens, mais bonitos, mais leves,
com uma vontade incrível de subir até as alturas,
saltando de penhascos...

Rubem Alves


Imagem 1 de André Aguiar do blogger http://praiailhadamagia.blogspot.com/
Fotos 2 e 3: Praia dos Ingleses, Florianópolis, SC

27 abril 2010

Chuva de amor


Quando digo em segredo que te quero,
e um sorriso doce me encanta,
sou como o arco-íris na chuva ,
garoa fina que toca a pele,
gota singela a percorrer sem rumo,
como as gotas da chuva na janela.
Meu amor adormece aquecido,
chuva fria fica lá fora,
goteiras fazem serenata,
com o cinza da saudade.
Aqui dentro faz calor,
não existe tempestade,
chuva fria fica na calçada,
aqui dois braços abertos
e um sorriso me esperam.
Com licença,
o amor me chama.

Sônia Schmorantz



Imagens desta tarde na Praia dos Ingleses, a minha praia....

26 abril 2010

Sou


Sou das poesias
no mar das maresias
no ar dos pássaros
sou pequeno na estatura
mas grande para abraços
sou das ruas becos e avenidas
pois que ali prendi muito na vida
morrerei com poesias presas a garganta
mas no meu túmulo quero escrito lindo
mora aqui uma alma silenciosa que canta...

Antônio Campos



25 abril 2010

O Lado Bom


Quero ser uma ilha,
um pouco de paisagem,
uma janela aberta,
uma montanha ao longe,
um aceno de mar,

quando precisares de sonho,
de um canto de beleza,
de um pouco de silêncio,
ou simplesmente
de sol... e de ar...

Quero ser o lado bom
em que pensas,
(isto que intimamente
a gente deseja
mas nem sempre diz)
- quero ser, naquela hora,
o que sentes falta
para seres feliz...

Que quando pensares
em fugir de todos
ou de ti mesma, enfim,
penses em mim...

(Poema de JG de Araujo Jorge
do livro" A Sós..." 1a ed. 1958)




24 abril 2010

Apesar de tudo (Martha Medeiros)


Apesar de tudo, continuamos amando, e este "apesar de tudo" cobre o infinito. 
Esta frase do filósofo Cioran expressa a extensão dos nossos obstáculos amorosos. 
Apesar de termos acreditado na eternidade dos nossos sentimentos e depois descobrirmos que nada mantém-se estável por muito tempo,
Apesar de termos sofrido noites inteiras por amores que não se concretizaram ou que foram vagos ou ingênuos, 
Apesar de termos sido rejeitados, apesar de o nosso amor não ter sido suficiente para encantar o outro e fazê-lo permanecer ao nosso lado, 
Apesar de todos os livros escritos, todas as sentenças filosóficas, todas as análises terapêuticas e todos os exemplos de paixões falidas, 
Apesar de não termos mais 15 anos e estarmos numa idade em que os outros acreditam que o nosso coração envelheceu, 
Apesar de a pessoa que a gente ama sentir por nós um amor de amigo, um amor fraterno, um amor camarada que nada faz lembrar o amor ardente que a gente deseja e sonha, 
Apesar de a gente saber que o amor acaba, que o amor talvez nem seja pelo outro, 
mas apenas uma projeção do amor que a gente tem por nós mesmos, 
Apesar da falta de grana, das desilusões com a política, do cansaço no final do dia, dos projetos que não foram adiante, do tempo que nos falta e do medo que nos sobra, 
Apesar da chuva que não permite o passeio de mãos dadas, do espaço compartilhado que não permite privacidade, da desaprovação dos que nada têm a ver com o assunto, 
Infinitamente, apesar de tudo e todos e apesar de nós mesmos, continuamos amando ...



23 abril 2010

CONFLITO


Tenho medo das águas do destino
a invadirem o que penso e faço,
numa linha de infinda
contradição.
Eu sou assim:
quero fugir mas chamo,
quero ficar mas me assusta
não ter em mim nada seguro
e certo.
Nunca receio a alegria,
para qual todos os milagres
são normais.
Mas quando tarda quem amo,
meu coração fica exposto
e aberto.
E mesmo assim eu persisto,
e ainda assim espero
ainda, como criança sozinha
atrás do muro.

Lya Luft



22 abril 2010

Veredas


Nas veredas em que o medo te aprisiona,
te espera o mar com seus braços abertos.
Vagas ondas onde passeiam nossos versos
asas soltas onde o sonho te liberta.

Na esperança que carrega a tua nuvem,
preso à pedra todo amor enclausurado,
fica o meu coração ao teu aprisionado
buscando no vento, um sopro de coragem.

Nas flores cálidas à beira do caminho,
dormitam nossos anseios todos por viver.
Um sentir etéreo, onde querer não é poder.

Mas por que traçou-nos a vida este destino,
nas entre linhas um amor tão desencontrado,
esperando no tempo um momento abençoado...

Rosana Souza
http://rosanasouzanasasasdoanjoazul.blogspot.com/


Imagens: beira mar à noite, praia da Armação no entardecer e esculturas à beira do caminho para a Lagoa

21 abril 2010

Luz


Já tive presssa, mas hoje sigo devagar,
Não me importa mais ser a primeira,
mas a que sempre segue caminhando,
e nada quero da vida, a não ser esta luz
que escreve doces poesias na alma...
A tarde cai e o sol cria mil fulgores
que balançam no vai e vem das águas,
intensa luz como a há no teu olhar.
alimentando de cores esta infinitude.

Sônia Schmorantz



20 abril 2010

O que não foi dito


Ficou no silêncio,
o detimento de envolver-me,
a normalidade de estarmos juntos
num sonho brilhante,
onde tua imagem serena e fugaz,
semitona minhas esperanças

Calei a distância delirante
e renasci no instante que é tudo
e o tempo não é nada

Quero-te em versos ou rimas,
na fuga das palavras
coberta pelo véu da brisa,
despido de limites e espaços

Traz-me o sorriso matinal
sem o rubor fingido,
olhando-me nos olhos
como um poema que faz amor

Conceição Bentes
Publicado no Recanto das Letras em 20/04/10
Código do Texto: T2208188



19 abril 2010

Na Ilha


Na ilha o mar é mais azul,
cenário feito por um mago,
uma sonho de águas claras,
onde o vento me diz
que aqui serei feliz....
Ancorada no azul da ilha,
tudo é detalhe, detalhe de amor,
como dois barcos na areia,
secretos amantes fora do mar.
Respirando o outono tropical,
caminho no verde musgo da trilha,
areia fina, mar azul, lua no céu,
e o vento vem me dizer
que aqui existe o amor...
Meu amor é esta ilha,
são os olhos brilhantes
do homem que me ama,
São as ondas do mar,
são os pássaros que esvoaçam,
são as caricias do vento,
esta é minha ilha, meu destino
a ilha do meu amor...

Sônia Schmorantz



No Ilha da Magia: Vídeo do Poema Coisa estranha essa saudade
e Luz

18 abril 2010

O Amor


O Amor é de uma ousadia 
perfeita...
Aguça emoções esquecidas,
revela desejos sufocados,
alimenta esperanças na aridez
de sentimentos condenados a
solidão e deixa um colorido
de alegria respingado de paz
na vida...
Amor... Amor... Inevitável
Para quem tem um coração.

(Cida Luz) 



Parte das imagens do passeio deste domingo, praias do litoral catarinense entre Itapema e Balneário Camboriu, a Praia do Estaleiro, estaremos publicando mais algumas durante a semana. Clique na
imagem para vê-la em tamanho maior.
BOA SEMANA A TODOS!

17 abril 2010

Seria amor?


Posso ser o amor dos teus sonhos
que brinca na areia do tempo
inerte a galopar na brisa
no inverno que me paralisa

Estarei na tua alegria
que saúda as estrelas,
na fé que proclama o sol
ou na chama da vida
que rege meu ser

Serei teu poema
com asas do verão,
sentindo o milagre da criação,
uma chama adormecida
que dança e reluz
entregue às procelas dos teus entrelaces
sem contemplar a razão.

Conceição Bentes



16 abril 2010

Poema 4


Eis que manha chega de tempestade
em um coração do verão.
Como alvos lenços de adeus passeiam as nuvens,
e o vento os sacode com suas mãos andarilhas.
Incontável coração do vento
batendo sobre nosso silencio enamorado.
Zumbindo entre as árvores, orquestrais e divinas,
como uma língua cheia de guerras e de cantos.
Vento que leva num rápido surrupio a folhagem
e desvia as flechas latentes dos pássaros.
Vento que a derruba em onda sem espumas
e sustâncias sem peso, e fogos inclinados.
Se irromper e se submerge seu volume de beijos
combatido na porta do vento de verão.

Pablo Neruda


Imagens 1: Arco-iris na praia do Campeche da amigaLee Eilert, imagens 2 e 3
pela janela do coletivo à caminho do trabalho - Lagoa da Conceição

15 abril 2010

Cada dia


O tempo se esfumaça
na janela em que se espreita a vida.
O alaranjado entardecer traz nostalgia
como se a vida também desaparecesse
com o sol ao final de cada dia.
Não se vive uma história sem amor
Não se faz um caminho sem coragem
Não se passa os dias em branco.
Há em cada dia uma chegada e uma partida,
coisas que estão além do bem e além do mal.
Cada dia tem sua dose de ironia e de amor
sua dose de rotina e sua dose de humor,
mas quando chega ao final morrem com ele
tudo que se passou, morremos nós.
Ficam as lembranças do que marcou,
o resto fica num labirinto de imagens,
engavetados na memória, sem uso...
Cada dia amanhece e anoitece à mesma hora,
cada um com seu destino ou desatino,
entre um e outro há o tempo que não volta.
O tempo parece brincar entre acasos e ocasos,
dias compridos, coisas novas e coisas velhas.
Depois desarruma tudo e vai embora...

Sônia Schmorantz


Imagens: Helena A. de Moraes, Tamine e Eduardo Poisl

14 abril 2010

Das Palavras




São difíceis as palavras,
nem sempre espadas,
nem sempre flores,
entrelaçadas são poesia,
disparadas são armas,
tristeza e melancolia.
Ás vezes amor, às vezes inferno,
vêm do fundo da alma,
explícitas ou veladas,
ressoam tristemente bêbadas,
às vezes verão, às vezes inverno.
Penetram clandestinas na alma,
como bordados feito à mão,
fogem quando mais se precisa,
São reais ou mera ilusão.
Palavras de amor não ditas,
são silenciosas reticências,
fugazes e sorrateiras,
levam poemas nas asas, mas
adormecem escondidas na mão…
Sônia Schmorantz



Imagem 1: Forte em Florianópolis, SC
captada pela amiga Helena Antunes de Morais

13 abril 2010

Areia





Hoje mesmo, se viestes a mim chorando,

quão delicadamente eu então lhe abraçaria...
Mas a tua presença é frágil duna ao vento
e em minhas mãos levemente se desfaria!

A brisa que finalmente assim lhe levaria,
- sopro de alma longínqua e calada -
  iria retirando-te de perto de mim:
leve, sem voz, sem tom, sem nada...


 (Clebson Moura Leal)



Quem sou eu

Minha foto
Gaúcha, nos pampas nascida Um grande sonho acalentei Morar numa ilha encantada Cheia de bruxas e fadas. Nessa terra cheia de graça Onde se juntam todas as raças, Minha ilha lança ao poente O azul espelhado da lagoa, O verde silêncio das montanhas, O rumorejar de um mar azul Que beija apaixonado a areia da Minha ilha de renda poética. Não importa se há sol ou chuva, A mágica ilha é sempre azul, Fica gravada na alma e Quem aqui vem sempre vai voltar, Para descobrir novos caminhos, Novos destinos, pois Esta magia nunca irá acabar.

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