As crianças mortas nunca deixam suas casas,
Elas circulam nela, elas se agarram às saias de sua mãe
Na hora em que esta prepara a refeição e escuta a água ferver
Como se estudasse as leis do vapor e do tempo.
Estão sempre lá.
E a casa adquire essa profundeza diferente
Como se uma chuva silenciosa começasse a cair
Em pleno verão, sobre campos desertos.
As crianças mortas nunca se vão. Elas ficam nas casas,
E têm uma preferência acentuada por brincar em corredores proibidos,
E todo dia elas crescem no nosso coração, a ponto de que,
No nosso peito, a dor não vem mais da falta mas do excesso de suas presenças.
E acontece com certas mulheres gritar durante o sono,
É que elas sentem de novo as dores do parto.
Yannis Ritsos
Imagem do site http://portalms.com.br/noticias/
Tragédia em escola no Rio de Janeiro deixa 12 crianças mortas e várias feridas, algumas ainda lutam pela sua sobrevivência. A todas elas as nossas preces, às que morreram que Deus as tenha sob seu abrigo de luz e paz, que ao pais haja consolo, se é que isso é possível, e às que sobreviveram, que a vida lhes seja generosa e ajude a suavizar o trauma deste momento de suas vidas.