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30 maio 2011

Retrospectiva


Enquanto subia as montanhas
O caminho me percorria...
Conhecia as pedras...as flores...
Plantava sentimentos...
Colhia aprendizados...
Desviando dos obstáculos

Depois que desci ao vale
Me vi distante da paisagem
Que me desnudava...
Fiquei ausente de mim
Como a flor que foi colhida
Antes da primavera

Hoje , nem mais jardim,
Nem tampouco montanha
Sou a resposta ao percurso
Do caminho que não fiz
Pois sou a manhã de ontem
Misturada à noite de amanhã.

Ivone Zouain Zuppo

Lagoinha, Florianópolis
Lagoa do Peri


28 maio 2011

Grão de areia


Entre milhões de palavras
como um grão de areia
está um invisível poema.
Um poema que nunca se escreveu.
Um poema feito grão de areia,
talvez parte de uma construção,
talvez não...
Pequeno grão de areia
em silêncio na beira do mar,
que vai sendo soprado
para um destino incerto,
talvez o mar, talvez o deserto.
Palavras que ao vento se vão
procurando a concha da sua vida.
Não tenho pressa, sou como este grão
também sigo a rolar na areia
até renascer na praia ou encontrar o
poema da minha vida...

Sônia Schmorantz


Gaivotas na praia dos Ingleses

25 maio 2011

Como as ondas


Como as ondas de espuma branca
Rebolo frágil na areia da vida
Fustigada pela brisa que o sol mal aquece.
Olho o mar! Sempre o mar me extasia!
O mar sempre majestoso, divino, azul e grande
Como os sonhos nascidos ou desfeitos
Que a vida em teias me tece.
A praia vazia e fria fica parada, alheada
Nos grãos de areia a chorar a solidão.
Já foi gente, já foi quente, já foi mar e multidão
Já foi amiga comigo a abrir o coração.
Agora só, chora a saudade do abraço que não tem.
Ninguém passa, ninguém beija ou abraça.
Das vidraças desce o sol e vem poisar no caminho
E a onda bruma, fria e bela vestida de branco arminho
Clama o tempo, vai e vem,
E nunca passa ninguém
Marcando os passos na areia.
Por companhia, as gaivotas solitárias tão belas filhas de Deus
A sonhar o mar.
Também elas trazem asas para emprestar à sereia
Que tanto queria voar.
Vem saudade. Vem abraço. Vem ó onda poisar-me na minha mão
Neste horizonte azulado, em vez da amiga ao meu lado…
Tenho-te e ti mar salgado. Teu corpo em onda deitado
Tem dentro o meu coração.

Donzilia Martins
Povoa do Varzim, 8/01/2010



Praia dos Ingleses, quarta-feira, 25/05/2011

23 maio 2011

Silêncio e Palavra


A couraça das palavras
protege o nosso silêncio
e esconde aquilo que somos
Que importa falarmos tanto?
Apenas repetiremos.
Ademais, nem são palavras.
Sons vazios de mensagem,
são como a fria mortalha
do cotidiano morto.
Como pássaros cansados,
que não encontraram pouso
certamente tombarão.
Muitos verões se sucedem:
o tempo madura os frutos,
branqueia nossos cabelos.
Mas o homem noturno espera
a aurora da nossa boca.
Se mãos estranhas romperem
a veste que nos esconde,
acharão uma verdade
em forma não revelável.
(E os homens têm olhos sujos,
não podem ver através.)
Mas um dia chegará
em que a oferenda dos deuses,
dada em forma de silêncio,
em palavra transfaremos.
E se porventura a dermos
ao mundo, tal como a flor
que se oferta - humilde e pura - ,
teremos então cumprido
a missão que é dada ao poeta.
E como são onda e mar,
seremos palavra e homem.

Thiago de Mello

Imagens de Meia Praia - Itapema SC

19 maio 2011

Divagações após a chuva


Ao anoitecer, gotas da chuva intensa
ainda brilham nas folhas e calçadas,
como notas poéticas a refletir as luzes,
que pouco a pouco vão surgindo nas casas.
Gotas vão sendo levadas pelo vento incerto,
como palavras descompromissadas que
tanto já foram ditas e desditas nesta vida.
As palavras voam pelas janelas e calçadas,
instáveis, insanas, descomprometidas
com a realidade, perdidas no tempo.
Só a poesia as recupera,
unindo-as através dos sonhos repetidos
no silêncio das madrugadas insones.
Das palavras ditas resta a poesia,
a vaporosidade de quem já viveu
e ouviu muito, mas
ainda tem capacidade de sonhar.
Palavras inventam-se nos poemas,
num fluir secreto, desdobrando-se como renda,
tecidas memórias de sonhos que
com a própria vida que se emendam.

Sônia Schmorantz

Praia do Estaleiro -  Balneário Camboriú

Praia dos Ingleses, Florianópolis

18 maio 2011

Cisma


Deixar fazer
que sonhar é infinito
e o desejo se desdobra
em atos e aquarelas
que o querer é fugaz
é sede de mais sede
arder
deixar passar
que o dia cobre o dia
que recobre o outro
que o modelo é o avesso do erro
e viver é pouco mais
que a ilusão.

Rosana Chrispim


A palavra tece pela cidade
sua ébria caminhada
Sóbrios são os sonhos
nos quais tropeço meus passos

A noite, é imensa frase
de amor a escrever-se
nos becos e bocas
do meu coração cheio de luas.

Jurema Barreto de Souza



17 maio 2011

Quero escrever-te um poema


Quero escrever-te um poema
Simples, silencioso e suave
Com o sorriso das palavras
E que nas estrelas se guarde 
A luz e a força deste tema.

Quero escrever-te um poema
Brioso, bonito e muito brilhante
Em que o amor mais se reforce
Tornando-o sempre cativante
Quando destas letras se faz lema. 

Quero escrever-te sem palavras
Apenas com as penas que me pesam
Coisas pequenas que com gestos servem
Momentos leves que as mãos levam
Se de olhar sereno meu campo lavras.

Os silêncios destas madrugadas frias
De poemas, palavras, e pensamentos 
Foram canções que se formaram
E cresceram suaves e lentos 
Momentos doces de finas melodias. 


Luís Coelho 


Praia do Farol de Santa Marta, Laguna SC
Complexo eólico que produz energia para a cidade de Osório, RS
Imagem 1 - Lagoa na freeway Porto Alegre, RS

11 maio 2011

Pensamentos ao vento


Gosto de andar e sentir o carinho do vento,
Ouvir a música que ao meu ouvido murmura,
São doces sinfonias de amor e ternura,
Uma leve brisa que ajudam e dão alento.

Vejo o bailado das folhas em pleno movimento
O canto dos pássaros que tocam com brandura
E isso pode ser tudo o que se procura,
Deixam o pensamento em total contentamento.

E eu esquecida do tempo, ao sabor do vento,
Quando chegam a mim o cheiro de rosas
Que voavam em círculos naquele momento.

Eu procurei estar bem, calma e sem receios,
Andar sem culpa ou agir de forma cuidadosa
Que meus pensamentos viagem, alheios.

Betânia Uchoa


Praias de Porto Belo e Araça

09 maio 2011

A Música


A música acontece no silêncio. 
É preciso que todos os ruídos cessem.
No silêncio, abrem-se as portas de um mundo encantado 
que mora em nós...
A alma é uma catedral submersa..
Somos todos olhos e ouvidos...
Ouvimos a melodia que não havia
que de tão linda nos faz chorar. 
Para mim Deus é isto: a beleza que se ouve no silêncio. 
Daí a importância de saber ouvir os outros: 
a beleza mora lá também. 
Comunhão é quando a beleza do outro e a beleza da gente 
se juntam num contraponto...

Rubem Alves 
in Escutatória 

Imagens da Praia do Santinho

03 maio 2011

Diante do Amor


O sol esteve em minhas manhãs
no maior de todos os ocasos,
viajando em futuros incertos
como acrobata do universo

A luz que guardo dentro de mim
ilumina o tempo
que apaga qualquer ferida
ou dores temporãs

Não me fragmento
em lembranças tardias
nem no gosto impossível
das vazantes das marés

Teu amor cala o vento,
orienta meus passos trôpegos
nas roupagens cinza do outono,
que não enxerta nem semeia.



Conceição Bentes
http://conceicaobentesfilhadosol.blogspot.com/

Trapiche Praia dos Ingleses
Dunas e mar da Praia dos Ingleses

01 maio 2011

A Eternidade

 
De novo me invade.
Quem? – A Eternidade.
É o mar que se vai
Como o sol que cai.

Alma sentinela,
Ensina-me o jogo
Da noite que gela
E do dia em fogo.

Das lides humanas,
Das palmas e vaias,
Já te desenganas
E no ar te espraias.

De outra nenhuma,
Brasas de cetim,
O Dever se esfuma
Sem dizer: enfim.

Lá não há esperança
E não há futuro.
Ciência e paciência,
Suplício seguro.

De novo me invade.
Quem? – A Eternidade.
É o mar que se vai
Com o sol que cai.


Arthur Rimbaud
Tradução:  Augusto de Campos

Da série cachoeiras de Goiás por Daniela Ortega
Praia do Forte, Florianópolis

Quem sou eu

Minha foto
Gaúcha, nos pampas nascida Um grande sonho acalentei Morar numa ilha encantada Cheia de bruxas e fadas. Nessa terra cheia de graça Onde se juntam todas as raças, Minha ilha lança ao poente O azul espelhado da lagoa, O verde silêncio das montanhas, O rumorejar de um mar azul Que beija apaixonado a areia da Minha ilha de renda poética. Não importa se há sol ou chuva, A mágica ilha é sempre azul, Fica gravada na alma e Quem aqui vem sempre vai voltar, Para descobrir novos caminhos, Novos destinos, pois Esta magia nunca irá acabar.

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