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27 abril 2012

Deixa-te estar na minha vida



Deixa-te estar na minha vida
Como um navio sobre o mar.
Se o vento sopra e rasga as velas
E a noite é gélida e comprida
E a voz ecoa das procelas,
Deixa-te estar na minha vida.
Se erguem as ondas mãos de espuma
Aos céus, em cólera incontida,
E o ar se tolda e cresce a bruma,
Deixa-te estar na minha vida.
À praia, um dia, erma e esquecida,
Hei, com amor, de te levar.
Deixa-te estar na minha vida.
Como um navio sobre o mar.

Cabral do Nascimento



21 abril 2012

Ventos & Versos - acróstico



Ventos que sopraram tristezas

Enredaram os galhos das sinas
Numa frieza de tons eloquentes;
Todavia, com as suas certezas
Ousaram reerguer das ruínas
Soprando as novas sementes

Era a poesia de versos dos ventos

Ventos que sopraram letras
Enredaram nas rimas os galhos
Reciclando em versos os lamentos;
Sobretudo, com as suas belezas
Ousaram refazer atos falhos
Soprando os novos momentos.

Wasil Sacharuk - abril/2009


Imagens da Costa da Lagoa, Florianópolis.

15 abril 2012

É a alma que se faz poema



É a alma que se faz poema
pintura

canto

escultura
cultura
espanto
oração e petição

É a alma que se faz seara
flor
valor
e pão

Com a traça
a massa
e a cor
do espírito
que é o amor

Henrique Pedro
Leia mais poemas do autor em http://henriquepedro.blogspot.com.br/

Imagem 1: Guarda do Embau
Imagens 2 e 3: Praia da Pinheira

08 abril 2012

Quietude


Que poema de paz agora me apetece!
Sereno,
Transparente,
A sugerir somente
Um rio já cansado de correr,
Um doce entardecer,
Um fim de sementeira.
Versos como cordeiros a pastar,
Sem o meu nome embaixo, a recordar
Os outros que cantei a vida inteira.

Miguel Torga
 in Antologia Poética


 Imagens: Garopaba, Praia da Pinheira e Guarda do Embaú

05 abril 2012

Ressurreição



Não havia mais dia ou noite
Janelas trancadas, relógios quebrados
Fome e sono adiados até os limites do corpo
Alimentou-se de palavras
Até o quarto ficar pequeno
E vazio
Só então abriu as janelas
E mostrou as asas
Finalmente fortes
Sorriu... e se entregou ao vento.

Jeane Bordignon

Quem sou eu

Minha foto
Gaúcha, nos pampas nascida Um grande sonho acalentei Morar numa ilha encantada Cheia de bruxas e fadas. Nessa terra cheia de graça Onde se juntam todas as raças, Minha ilha lança ao poente O azul espelhado da lagoa, O verde silêncio das montanhas, O rumorejar de um mar azul Que beija apaixonado a areia da Minha ilha de renda poética. Não importa se há sol ou chuva, A mágica ilha é sempre azul, Fica gravada na alma e Quem aqui vem sempre vai voltar, Para descobrir novos caminhos, Novos destinos, pois Esta magia nunca irá acabar.

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