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29 março 2014

Um dia...


Um dia virá
em que a minha porta
permanecerá fechada
em que não atenderei o telefone
em que não perguntarei
se querem comer alguma coisa
em que não recomendarei
que levem os casacos
porque a noite se adivinha fresca.

Só nos meus versos poderão encontrar
a minha promessa de amor eterno.

Não chorem; eu não morri
apenas me embriaguei
de luz e de silêncio.

Rosa Lobato de Faria.



22 março 2014

Para conhecer uma mulher....



Para realmente conhecer uma mulher 
conheça seus sonhos
Pergunte dos seus medos e dos seus desejos.
Decifre seus olhares e 
preste atenção nos detalhes...
Porque a mulher quer ser descoberta e 
ela lhe mostrará o caminho.
Toda mulher é uma casa secreta 
cheia de portas e janelas
Esconde passados e em cada quarto 
esconde um mundo novo.
Cada poro tem seu aroma e 
em cada curva a cor é diferente.
Para conhecer uma mulher precisa saber 
onde a carne é mais branca
Se quando ela caminha os cabelos balança,
saber como pisa, como ri e como chora.
Saber em que horas acorda, 
de que jeito dorme.
Uma mulher é feita de mistérios, 
sem isso não seria mulher.
Esconde os defeitos, esconde as fraquezas, 
esconde como dança.
Depois ela surpreende, ela dança, ela encanta.
Ela mostra sua força, seu sexo, seu amor.
Ela se abre para o homem que a descobre
E segue com ele por onde ele for.

Carolina Salcides.


18 março 2014

Por vezes...


Por vezes cada objeto se ilumina
do que no passar é pausa íntima
entre sons minuciosos que inclinam
a atenção para uma cavidade mínima
E estar assim tão breve e tão profundo
como no silêncio de uma planta
é estar no fundo do tempo ou no seu ápice
ou na alvura de um sono que nos dá
a cintilante substância do sítio
O mundo inteiro assim cabe num limbo
e é como um eco límpido e uma folha de sombra
que no vagar ondeia entre minúsculas luzes
E é astro imediato de um lúcido sono
fluvial e um núbil eclipse
em que estar só é estar no íntimo do mundo.


António Ramos Rosa




11 março 2014

Tudo que eu precisava na vida, aprendi no Jardim de Infância...



Grande parte do que eu realmente preciso saber sobre a vida, o que fazer, como ser, eu aprendi no jardim da infância. Não foi na universidade nem na pós-graduação que eu encontrei a verdadeira sabedoria, e sim no recreio do jardim da infância. 
Foi exatamente isto que aprendi: 
Compartilhar tudo, brincar dentro das regras, não bater nos outros,

colocar as coisas de volta no lugar onde as encontrei,
limpar a própria sujeira, não pegar o que não era meu, 
pedir desculpas quando machucava alguém,
lavar as mãos antes de comer, 
puxar a descarga do banheiro. 
Também descobri que café com leite é gostoso, 
que uma vida equilibrada é saudável e que pensar um pouco, 
aprender um pouco, desenhar, pintar, dançar, planejar e 
trabalhar um pouco todos os dias, nos faz muito bem. 
Tirar uma soneca todas as tardes, 
tomar muito cuidado com o trânsito, 
segurar as mãos de alguém e ficar juntos, 
são boas formas de enfrentar o mundo. 
Prestar atenção em todas as maravilhas e lembrar da pequena semente que, um dia, plantamos em um copo de plástico. As raízes iam para baixo e as folhas iam para cima mas ninguém realmente sabia nem porquê. 
Mas nós somos assim! Peixinhos dourados, hamsters e ratinhos brancos; e até mesmo a pequena semente do copo de plástico, tudo morre um dia. 

E nós também. 
(...)
Robert Fulghum.


05 março 2014

Um blog...



Fecho-me aqui:
um blog é uma estratosfera,
é uma maneira de não 
pertencer a nenhum mundo,
é uma forma mais de estar sozinho.
É certo que é suposto partilhar:
mas é como se uma mônada do Leibniz
lançasse palavras numa rede de ausências,
para o silêncio das esferas.
Nunca adiamos a solidão!

Luís Filipe Castro Mendes



Quem sou eu

Minha foto
Gaúcha, nos pampas nascida Um grande sonho acalentei Morar numa ilha encantada Cheia de bruxas e fadas. Nessa terra cheia de graça Onde se juntam todas as raças, Minha ilha lança ao poente O azul espelhado da lagoa, O verde silêncio das montanhas, O rumorejar de um mar azul Que beija apaixonado a areia da Minha ilha de renda poética. Não importa se há sol ou chuva, A mágica ilha é sempre azul, Fica gravada na alma e Quem aqui vem sempre vai voltar, Para descobrir novos caminhos, Novos destinos, pois Esta magia nunca irá acabar.

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