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21 julho 2009

Passemos, tu e eu, devagarinho


Passemos, tu e eu, devagarinho,
Sem ruído, sem quase movimento,
Tão mansos que a poeira do caminho
A pisemos sem dor e sem tormento.

Que os nossos corações, num torvelinho
De folhas arrastadas pelo vento,
Saibam beber o precioso vinho,
A rara embriaguez deste momento.

E se a tarde vier, deixá-la vir...
E se a noite quiser, pode cobrir
Triunfalmente o céu de nuvens calmas...

De costas para o Sol, então veremos
Fundir-se as duas sombras que tivemos
Numa só sombra, como as nossas almas.

Reinaldo Ferreira

20 julho 2009

Quando chegar...


Quando chegar aos 30
serei uma mulher de verdade
nem Amélia num ninguém
um belo futuro pela frente
e um pouco mais de calma talvez
e quando chegar aos 50
serei livre, linda e forte
terei gente boa ao lado
saberei um pouco mais do amor
e da vida quem sabe
e quando chegar aos 90
já sem força, sem futuro, sem idade
vou fazer uma festa de prazer
convidar todos que amei
registrar tudo que sei
e morrer de saudade...

Martha Medeiros

19 julho 2009

Dia do Amigo


Assim como os pequenos barcos podem atravessar os mares azuis, também meus amigos podem chegar na brisa dessa magia virtual. Amigos que trazem sua poesia, sua alegria, sua amizade, colorindo a alma com sua energia e carinho.
Na canção de Miltom Nascimento, Amigo é coisa para se guardar no lado esquerdo do peito, mesmo que o tempo e a distância digam não, mesmo esquecendo a canção, pois o que importa é ouvir a voz do coração... A todos os amigos o meu abraço nesse dia especial!

Enquanto houver amizade...


Pode ser que um dia deixemos de nos falar.
Mas, enquanto houver amizade, faremos as pazes de novo.

Pode ser que um dia o tempo passe.
Mas, se a amizade permanecer, um do outro há de se lembrar.

Pode ser que um dia nos afastemos.
Mas, se formos amigos de verdade, a amizade nos reaproximará.

Pode ser que um dia tudo acabe.
Mas, com a amizade
construiremos tudo novamente,
cada vez de forma diferente,
sendo único e inesquecível cada momento
que juntos viveremos e nos lembraremos pra sempre.

Há duas formas para viver sua vida:
Uma é acreditar que não existe milagre,
a outra é acreditar que todas as coisas
são um milagre, até a amizade.

Albert Einstein

18 julho 2009

Quando as gaivotas cantam



Quando as gaivotas cantam
o dorso, a um céu aberto

tu perguntas: acendem-se ofertas?

abrigo os braços
num grito insondável
no azul
no teu sexo

quando as gaivotas cantam
é como se nada mais houvesse.

Maria Gomes
http://romadevidro.blogspot.com/

Imagem 1: http://flickr.com/photos/1garysan/2217301938/
Imagem 2: Praia da Joaquina, Eduardo Poisl

Pássaros do paraiso


Estes são os pássaros do paraiso
aqueles que voam alto certas vezes
e outras são rastejados
mensageiros do céu

Saem, são trazidos mais perto
escapam-se, vêm próximo
mas nunca param as suas asas
onde ficarão amanhã?

Estes pássaros são as palavras
ditas, escritas e faladas
desde uma boca a um papel
nunca pararão as suas asas

Pablo Sarcaine

17 julho 2009

Fim de tarde


Neste crepúsculo de tarde
Sou alma delicada, memória que viaja.
Passos traçados... a traçar...
Degraus silenciosos, pretensiosos,
Querendo o céu ainda azul abraçar...
Respiro a tarde, a vida,
Escuto o murmúrio do mar,
A infinita água onde o sol vem se esconder.
Gaivotas percorrem ilhas, tudo é magia,
Calmaria e volúpia...
Rumor do vento, orla do mar,
Viaja pensamento, secreto solar,
Beija a espuma, adormece nas dunas...
Sente minha alma,
O silêncio que plana,
A brisa que embala,
O azul que desmaia,
O sol que se esconde,
A noite que chega.
E dorme também ...

Sônia schmorantz

Imagens de Eduardo Poisl

16 julho 2009

Eu quero ouvir o coração falar


Eu quero ouvir o coração falar
e não os homens a falar por ele!
Enquanto a gente fala, há de parar
no peito a vida estranha que o impele.

Independente à forma de o expressar,
o sentimento existe, e ai daquele
coração triste que se julgue dar
na cerração em que a palavra o vele.

Astro no peito, é sobre a língua chaga.
Dizer uma alegria ou um tormento
é um mar em que sempre se naufraga.

Era a essência de Deus vista e atingida!
Se é a força da vida o sentimento,
fez-se palavra para mentir a vida.

Fausto Guedes Teixeira
Imagem: Louise Barr
Imagem 2: Praia dos Ingleses por farelo-do-guido.blogspot.com

15 julho 2009

Flor de Lótus


No dia em que a flor de lótus desabrochou
A minha mente vagava, e eu não a percebi.
Minha cesta estava vazia
e a flor ficou esquecida.
Somente agora e novamente,
uma tristeza caiu sobre mim.
Acordei do meu sonho sentindo o doce rastro
De um perfume no vento sul.
Essa vaga doçura fez o meu coração doer de saudade.
Pareceu-me ser o sopro ardente no verão,
procurando completar-se.
Eu não sabia então que
a flor estava tão perto de mim
Que ela era minha,
e que essa perfeita doçura
Tinha desabrochado
no fundo do meu coração.

Rabindranath Tagore

Imagem 1: Flick
Imagem 2: Tijucas por Tom Schmorantz

14 julho 2009

Chegar e ficar


Chegar,
Como brisa que atravessa a janela.
Soprando de leve,
As brumas do passado.

Chegar,
Como o barco.
Trazendo alegrias,
Após enfrentar as procelas sombrias.

Chegar,
Como a saudade.
Que bate,
De manso, no coração.

Chegar,
Como Chuva, fininha,
Mansinha, criadeira,
Necessária e tão querida.

Ficar,
Nas lembranças do passado,
Nas estampas do presente,
A retratar nosso ontem no hoje.

Ficar,
Para sempre.
Na imagem nunca esquecida,
Dos que nos são tão queridos.

A vida,
É chegar e ficar,
Para sempre.
Vida nunca será partida.

Cecília Meireles

13 julho 2009

Ainda Ontem (Hier encore)


Ontem ainda
Eu tinha vinte anos
Acariciava o tempo
E brincava de viver
Como se brinca de namorar

E vivia a noite
Sem considerar meus dias
Que escorriam no tempo
Fiz tantos projetos
Que ficaram no ar

Alimentei tantas esperanças
Que bateram asas
Que permaneço perdido
Sem saber aonde ir

Os olhos procurando o Céu
Mas, o coração posto na Terra
Ontem ainda
Eu tinha vinte anos
Desperdiçava o tempo
Acreditando que o fazia parar

E para retê-lo, e até ultrapassá-lo
Só fiz correr e me esfalfar
Ignorando o passado
Que conduz ao futuro

Precedia da palavra "eu"
Qualquer conversação
E opinava que eu queria o melhor
Por criticar o mundo com desenvoltura

Ontem ainda
Eu tinha vinte anos
Mas perdi meu tempo
A cometer loucuras

O que não me deixa, no fundo
Nada e realmente concreto
Além de algumas rugas na fronte
E o medo do tédio

Porque meus amores
Morreram antes de existir
Meus amigos partiram
E não mais retornarão

Por minha culpa
Criei o vazio em torno a mim
E gastei minha vida
E meus anos de juventude
Do melhor e do pior
Descartando o melhor

Imobilizei meus sorrisos
E congelei meus choros
Onde estão agora
Meus vinte anos?

Charles Aznavour
Veja também o vídeo em http://leonorlourenco.blogspot.com/

12 julho 2009

Quero apenas cinco coisas...



Quero apenas cinco coisas...
Primeiro é o amor sem fim
A segunda é ver o outono
A terceira é o grave inverno
Em quarto lugar o verão
A quinta coisa são teus olhos
Não quero dormir sem teus olhos.
Não quero ser... sem que me olhes.
Abro mão da primavera
para que continues me olhando.

Pablo Neruda

Imagem 1: Internet, freefoto
Imagem 2: Eduardo Poisl

11 julho 2009

Viagem da Canção


Guarde segredo, de mim e dela
não fale de um dia na janela
por que não irei mais ve la.
Terminou a nossa aventura
em nossas vidas, só noite escura
não fale nada, minha estrela.

Não corte o meu pensamento
não deixe ir com o vento
o que estou agora a pensar.
Sonhando aqui calado
estou viajando ao passado
deixe me um pouco sonhar.

Não deixe que essa ventania
leve embora minha poesia
que estou agora a rimar.
Estrela, deixe que meu coração
viaje sozinho nessa canção
que estou aqui a lembrar.

Canção, que em seu nome falava
e eu nem sei se dormia e sonhava
quando a alma nesse paraíso voou.
Quero viver esse sonho transparente
quero cultivar essa semente
que para mim nunca secou.

Poema de Gil de Olive

Imagens: Eduardo Poisl e Tom Schmorantz

10 julho 2009

Vida e poesia


A lua projetava o seu perfil azul
Sobre os velhos arabescos das flores calmas
A pequena varanda era como o ninho futuro
E as ramadas escorriam gotas que não havia.

Na rua ignorada anjos brincavam de roda...
– Ninguém sabia, mas nós estávamos ali.
Só os perfumes teciam a renda da tristeza
Porque as corolas eram alegres como frutos
E uma inocente pintura brotava do desenho das cores

Eu me pus a sonhar o poema da hora.
E, talvez ao olhar meu rosto exasperado
Pela ânsia de te ter tão vagamente amiga
Talvez ao pressentir na carne misteriosa
A germinacão estranha do meu indizível apelo
Ouvi bruscamente a claridade do teu riso
Num gorjeio de gorgulhos de água enluarada.
E ele era tão belo, tão mais belo do que a noite
Tão mais doce que o mel dourado dos teus olhos
Que ao vê-lo trilar sobre os teus dentes como um címbalo
E se escorrer sobre os teus lábios como um suco
E marulhar entre os teus seios como uma onda
Eu chorei docemente na concha de minhas mãos vazias
De que me tivesses possuído antes do amor.

Vinicius de Morais
in Poesia completa e prosa: "A saudade do cotidiano"
Imagens: Sônia (minhas flores)

09 julho 2009

A arte de viver


Sou aprendiz, cujos pensamentos
tocam minha alma com sonhos incertos
e idéias e metas.

Tenho luz dentro
iluminando minha estrada
com o coração perdido
sei saber o que sentir.

Guardo segredos
obscuros medos
que atiro ao vento
fazendo de minha emoção
a mais bela canção.

Conceição Bentes
http://www.rauldeleoni.org/
Imagens de Tom Schmorantz

08 julho 2009

A esperança



A esperança...
Dança na corda bamba
De sombrinha
E em cada passo
Dessa linha
Pode se machucar...
Asas!
A esperança equilibrista
Sabe que o show
De todo artista
Tem que continuar...

(Elis Regina)

Imagem: Sônia

07 julho 2009

IDÍLIO


Como eu preciso de campo,
de folhas, brisas, vertentes,
encosto-me a ti, que és árvore,
de onde vão caindo flores
sobre os meus olhos dormentes.

Encosto-me a ti, que és margem
de uma areia de silêncios
que acompanha pelo tempo
verdes rios transparentes;
tua sombra, nos meus braços,
tua frescura, em meus dentes.

Nasce a lua nos meus olhos,
passa pela minha vida...
- e, tudo que era, resvala
para calmos ocidentes.
Caminhos de ar vão levando
pura e nua essa que andava
com as roupas mais diferentes.

Olham pássaros, das nuvens,
entre a luz dos mundos firmes
e a das estrelas cadentes.
E o orvalho da sua música
vai recobrindo o meu rosto
com um tremor que eu conhecia
nos meus olhos já levados,
idos, perdidos, ausentes...
(Leve máscara de pérolas
na minha face não sentes?)


Cecília Meireles
in Vaga Música
Imagem:http://www.flickr.com
Imagem 2: Garça na Lagoa, por Eduardo Poisl

06 julho 2009

HÁ UM ANO ESTOU AQUI


Há um ano este espaço tem se dedicado à poesia, às imagens e à música. Antes dele houve outro, um pouco mais tímido, sem tantos recursos, que num destes rompantes que a gente tem de vez em quando, apertei um botão e sumiu...
Claro que logo me arrependi, tinham sido meses de pesquisas, porque amo ler as poesias que como folhas ao vento, andam por espaço sem fim do mundo virtual, quase nunca reconhecidas em seu valor, porque assim como as folhas rolam pelas calçadas e se confundem, assim também os poemas se perdem ou ficam esquecidos em algum cantinho.
Meu imenso prazer é catar estas folhas, trazê-las outra vez ao conhecimento dos amigos, sentir a inspiração dos momentos, valorizar as pessoas que as escrevem, quando muitas vezes, nem elas lembram do que fizeram um dia.
Claro que também temos nossos mestres, poesia que mesmo lida e relida, sempre emociona, ensina...Eu escrever? Claro, arrisquei e arrisco muitas vezes, mas gosto de misturar minhas folhas com todas as outras, assim me sinto uma poetisa também!
Quero aproveitar para agradecer a todos que anonimamente ou manifestamente aqui visitam, dão sua opinião, participam e dão este incentivo carinhoso para que continuemos sempre, mesmo que a vida às vezes traga dias pouco inspiradores e cansativos.
Nesse momento também quero agradecer a um especial amigo, a primeira pessoa a comentar, SFSOUZA, do blogger Olhar o Mar, um grande mas humilde poeta, que está sempre atento a tudo. Inclusive hoje, o poema será um de sua autoria.
Obrigado amigo, e a todos os amigos de todas as partes do mundo aqui visitam. Obrigado Eduardo também, que por madrugadas discute comigo se um poema está bom ou não, se a imagem combina ou não com aquilo que quero mostrar....enfim, obrigado a todos, porque nem sei mais o que dizer para agradecer, e porque este texto que era para ser simples, está ficando enorme! Um abraço a todos, de coração.

Que o sonho de ser eu
me aconchegue
Ao teu olhar
irrequieto
Metade de mim
é agua,
a outra metade
deserto

Que todos os ventos
de mudança
Se soltem
em gritos universais
Metade de mim
é mar,
a outra metade
teus sinais.

Sfsousa/olharomar
http://rosadesangue.blogspot.com/

05 julho 2009

Última Página


Mais uma vez o tempo me assusta.
Passa afobado pelo meu dia,
Atropela minha hora,
Despreza minha agenda.
Corre prepotente,
A disputar lugar com a ventania.
O tempo envelhece, não se emenda.
Deveria haver algum decreto
Que obrigasse o tempo a desacelerar
E a respeitar meu projeto.
Só assim, eu daria conta
Dos livros que vão se empilhando,
Das melodias que estão me aguardando,
Das saudades que venho sentindo,
Das verdades que ando mentindo,
Das promessas que venho esquecendo,
Dos impulsos que sigo contendo,
Dos prazeres que chegam partindo,
Dos receios que partem voltando.
Agora, que redijo a página final,
Percebo o tanto de caminho percorrido
Ao impulso da hora que vai me acelerando.
Apesar do tempo, e sua pressa desleal,
Agradeço a Deus por ter vivido,
Amanhecer e continuar teimando ...

Flora Figueiredo
Imagens de Eduardo Poisl e Sônia

04 julho 2009

A brisa do tempo


Primeiro era um banco
Frente ao mar calmo.
Sentados nele, calmos,
Dois marinheiros,
Que dividiam a mesma alma,
Falavam de amores passados
Que nunca passaram.

O mais velho tinha um porto em cada amor,
O mais moço tinha um amor em cada porto.

Havia neles uma solidão
Que o mar não continha.

No dia seguinte era um banco
Impregnado de vazios,
E um navio à procura de um porto
Que pudesse lhes conter a alma.

Oswaldo Antônio Begiato
http://poesiamsicagentedanossaterra.blogspot.com/

Imagens por Eduardo Poisl

03 julho 2009

Enlevo


Eu olho você grande e distante
e da sua grandeza me comovo
e da sua distância me revolto.
Olho de novo.
Procuro reter em minhas mãos sua figura
mas ela gesticula, oscila e cresce
e numa inconstância distraída
no instante exato
por trás da vida desaparece.
Um desacato.
Do meu desaponto eu me levanto
pra levar embora outro desencanto
mas você me divisa e então me chama.
Me aguarda, reclama e me convida
e minha vida nessa ansiedade por fim entrego.
E nesse amor feito de espuma colorida
nós flutuamos: você borbulha, eu escorrego,
ensaboados, você explode,
eu me desintegro.

Flora Figueiredo
Imagens de Eduardo Poisl

Pescadores recuperando as redes para a pesca da tainha

02 julho 2009

Azul


E o azul era tanto que se via
em horizontes que nem tão azuis havia
breves ondas
azuis vagas
cuidadosas
a beijarem desse azul a praia fria
e só por ti azul se faz a brisa breve
que ao de leve tua face acaricia
e te afaga tão azul
íntima
entregue
os cabelos nesse azul que entardecia.

Jorge Castro
Imagens de Sônia Schmorantz

01 julho 2009

Canção dos rapazes da ilha


Eu sei que fico.
Mas o meu sonho irá
pelo vento, pelas nuvens, pelas asas.

Eu sei que fico
Mas o meu sonho irá
Nos frutos, nos colares
E nas fotografias da terra,
Comprados por turistas estrangeiros
Felizes e sorridentes.
Eu sei que fico mas o meu sonho irá ...

Eu sei que fico
Mas o meu sonho irá
Metido na garrafa bem rolhada
Que um dia hei de atirar ao mar.
Eu sei que fico
Mas o meu sonho irá
Nos veleiros que desenho na parede.

Aguinaldo Fonseca (Cabo Verde)
Imagem 1: Mikael Stiller
Imagem 2: Costão do Santinho, por Tom Schmorantz

30 junho 2009

Tu que te esqueceste de ti


Adormece o teu corpo com a música da vida.
Encanta-te.
Esquece-te.
Tem por volúpia a dispersão.
Não queiras ser tu.
Quer ser a alma infinita de tudo.
Troca o teu curto sonho humano
Pelo sonho imortal.
O único.
Vence a miséria de ter medo.
Troca- te pelo desconhecido.
Não vês, então, que ele é maior?
Não vês que ele não tem fim?
Não vês que ele és tu mesmo?
Tu que andas esquecido de ti?

Cecília Meireles in "Cânticos IV"
Imagens:Sônia Schmorantz

29 junho 2009

Todo dia morre um amor


Todo dia morre um amor. Quase nunca percebemos, mas todos os dias morre um amor. Às vezes de forma lenta e gradativa, quase indolor, após anos e anos de rotina. Às vezes melodramaticamente, como nas piores novelas mexicanas, com direito a bate-bocas vexaminosos, capazes de acordar o mais surdo dos vizinhos. Morre em uma cama de motel ou em frente à televisão de domingo. Morre sem beijo antes de dormir, sem mãos dadas, sem olhares compreensivos, com gosto de lágrima nos lábios.
Morre depois de telefonemas cada vez mais espaçados, cartas cada vez mais concisas, beijos que esfriam aos poucos. Morre da mais completa e letal inanição.
Todo dia morre um amor. Às vezes com uma explosão, quase sempre com um suspiro. Todo dia morre um amor, embora nós, românticos mais na teoria que na prática, relutemos em admitir. Porque nada é mais dolorido do que a constatação de um fracasso. De saber que, mais uma vez, um amor morreu. Porque, por mais que não queiramos aprender, a vida sempre nos ensina alguma coisa. E esta é a lição: amores morrem.

Autor desconhecido (parte do texto)
http://www.pensador.info/p/decisao_no_amor/12/
Imagem:Contax Imagens

28 junho 2009

Poema da despedida


Um dia, quando chegar a hora
Da sua despedida
E você tiver que ir embora
Mesmo que eu sinta profunda tristeza
Prefiro que não me olhe

Queria que sua despedida
Fosse como a da tarde em relação ao dia
Dando lugar à minha lua para enfeitar a noite
Que depois cede seu lugar ao sol
Para iluminar e aquecer um novo dia

Queria que sua despedida
Tivesse a leveza de um botão desabrochando em flor
Com cor e perfume para alegrar um coração apaixonado
O mesmo coração que um dia você em mim se plantou

Queria que sua despedida
Deixasse em meu coração um lindo jardim
Com rosas, margaridas, orquídeas
Plantadas por você e com seu jeito de gostar de mim

Queria que sua despedida
Fosse como a calmaria do mar
Tranqüila, serena sem marolas
Onde eu possa com minha nau navegar
Sem sobressaltos

Queria que sua despedida
Fosse como a corrente dos rios
Que ao encontrar seu destino, o mar
Se harmonizam o doce com o sal
E se desmancham as tristezas e mágoas
Se acaso elas existirem

Queria que sua despedida
Fosse como a lua se despede do sol
Como o dia da noite
Como as estrelas se vão, apenas deixando de brilhar
Mas elas sempre estarão lá

Queria que você, ao se despedir de mim,
Não falasse nada. Não dissesse nada...
Apenas deixe de brilhar e transforme em silêncio
A certeza de que permanecerá
Eternamente em meu coração

Jorge Luiz Vargas
Imagem de Sônia Schmorantz

27 junho 2009

Retrato


Eu não tinha este rosto de hoje,
Assim calmo, assim triste, assim magro,
Nem estes olhos tão vazios,
Nem o lábio amargo.
Eu não tinha estas mãos sem força,
Tão paradas e frias e mortas;
Eu não tinha este coração
Que nem se mostra.
Eu não dei por esta mudança,
Tão simples, tão certa, tão fácil:
- Em que espelho ficou perdida
A minha face?

Cecília Meireles
Imagem 2: Praia dos Açores, Florianópolis, Brasil

26 junho 2009

Talvez


Talvez não ser,
e ser sem que tu sejas,
sem que vás cortando
o meio dia com uma flor azul,
sem que caminhes mais tarde
pela névoa e pelos tijolos,
sem essa luz que levas na mão
que, talvez, outros
não verão dourada,
que talvez ninguém soube que crescia
como a origem vermelha da rosa,
sem que sejas, enfim,
sem que viesses brusca, incitante
conhecer a minha vida,
rajada de roseira,trigo do vento,
E desde então, sou porque tu és
E desde então és
sou e somos...
E por amor
Serei... Serás...Seremos...

(Pablo Neruda)
Imagem 1: internet
Imagem 2:Entardecer na Praia dos Ingleses,Florianópolis, Brasil

25 junho 2009

Fadas e Bruxas


Metade de mim é fada,
a outra metade é bruxa.
Uma escreve com sol,
a outra escreve com a lua.
Uma anda pelas ruas
cantarolando baixinho,
a outra caminha de noite
dando de comer à sua sombra.
Uma é séria, a outra sorri;
uma voa, a outra é pesada.
Uma sonha dormindo,
a outra sonha acordada.

Roseana Murray
in Pêra, Uva ou Maçã, ed. Scipione, 2005
Imagem 1: internet
Imagem 2: Morro das Pedras, Florianópolis, Brasil

Morro das Pedras, é o local em Florianópolis onde todos os anos as bruxas se encontram para prestar contas e planejar a próxima temporada. A feitiçaria teria chegado à Ilha junto com os açorianos, entre 1748 e 1756, quando Dom João V, rei de Portugal, determinou a transferência de portugueses, oriundos das Ilhas de Açores e Madeira para as províncias de Santa Catarina e Rio Grande do Sul. O encontro seria na praia do Morro das Pedras, a 22 quilômetros do centro, onde elas se concentrariam sobre uma das pedras que ajudam a formar a beleza do local. O ritual, no entanto, só pode ser visto por quem também tem o dom da bruxaria. Acredite, se quiser, mas entre os moradores da ilha a crença é de que tudo isso realmente existe, por isso Florianópolis é conhecida por Ilha da Magia.

Quem sou eu

Minha foto
Gaúcha, nos pampas nascida Um grande sonho acalentei Morar numa ilha encantada Cheia de bruxas e fadas. Nessa terra cheia de graça Onde se juntam todas as raças, Minha ilha lança ao poente O azul espelhado da lagoa, O verde silêncio das montanhas, O rumorejar de um mar azul Que beija apaixonado a areia da Minha ilha de renda poética. Não importa se há sol ou chuva, A mágica ilha é sempre azul, Fica gravada na alma e Quem aqui vem sempre vai voltar, Para descobrir novos caminhos, Novos destinos, pois Esta magia nunca irá acabar.
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