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A
madrugada se apronta pra tomar o seu posto,
num poético retrato
cotidiano.
Chega dizendo do frio solto lá fora e
da precisão de procurar
o sono.
À espreita, a chuva espera a vez de entrar em cena
e se
derramar sobre os telhados,
cobertores de corpos adormecidos e exaustos.
A televisão tenta quebrar a poesia contando notícia ruim
a quem só
deseja canção de amor.
Há lirismo demais na madrugada
para um vivente
perder minuto cuidando de assunto feio.
O tempo dela era pra acontecer
em verso feito de orvalho,
em flor nascendo escondida,
no silêncio do
pedaço grande
do mundo dormindo.
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Milene Lima em Inquietudes Crônicas
http://petalarrosadinha.blogspot.com.br/