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07 julho 2009

IDÍLIO


Como eu preciso de campo,
de folhas, brisas, vertentes,
encosto-me a ti, que és árvore,
de onde vão caindo flores
sobre os meus olhos dormentes.

Encosto-me a ti, que és margem
de uma areia de silêncios
que acompanha pelo tempo
verdes rios transparentes;
tua sombra, nos meus braços,
tua frescura, em meus dentes.

Nasce a lua nos meus olhos,
passa pela minha vida...
- e, tudo que era, resvala
para calmos ocidentes.
Caminhos de ar vão levando
pura e nua essa que andava
com as roupas mais diferentes.

Olham pássaros, das nuvens,
entre a luz dos mundos firmes
e a das estrelas cadentes.
E o orvalho da sua música
vai recobrindo o meu rosto
com um tremor que eu conhecia
nos meus olhos já levados,
idos, perdidos, ausentes...
(Leve máscara de pérolas
na minha face não sentes?)


Cecília Meireles
in Vaga Música
Imagem:http://www.flickr.com
Imagem 2: Garça na Lagoa, por Eduardo Poisl

06 julho 2009

HÁ UM ANO ESTOU AQUI


Há um ano este espaço tem se dedicado à poesia, às imagens e à música. Antes dele houve outro, um pouco mais tímido, sem tantos recursos, que num destes rompantes que a gente tem de vez em quando, apertei um botão e sumiu...
Claro que logo me arrependi, tinham sido meses de pesquisas, porque amo ler as poesias que como folhas ao vento, andam por espaço sem fim do mundo virtual, quase nunca reconhecidas em seu valor, porque assim como as folhas rolam pelas calçadas e se confundem, assim também os poemas se perdem ou ficam esquecidos em algum cantinho.
Meu imenso prazer é catar estas folhas, trazê-las outra vez ao conhecimento dos amigos, sentir a inspiração dos momentos, valorizar as pessoas que as escrevem, quando muitas vezes, nem elas lembram do que fizeram um dia.
Claro que também temos nossos mestres, poesia que mesmo lida e relida, sempre emociona, ensina...Eu escrever? Claro, arrisquei e arrisco muitas vezes, mas gosto de misturar minhas folhas com todas as outras, assim me sinto uma poetisa também!
Quero aproveitar para agradecer a todos que anonimamente ou manifestamente aqui visitam, dão sua opinião, participam e dão este incentivo carinhoso para que continuemos sempre, mesmo que a vida às vezes traga dias pouco inspiradores e cansativos.
Nesse momento também quero agradecer a um especial amigo, a primeira pessoa a comentar, SFSOUZA, do blogger Olhar o Mar, um grande mas humilde poeta, que está sempre atento a tudo. Inclusive hoje, o poema será um de sua autoria.
Obrigado amigo, e a todos os amigos de todas as partes do mundo aqui visitam. Obrigado Eduardo também, que por madrugadas discute comigo se um poema está bom ou não, se a imagem combina ou não com aquilo que quero mostrar....enfim, obrigado a todos, porque nem sei mais o que dizer para agradecer, e porque este texto que era para ser simples, está ficando enorme! Um abraço a todos, de coração.

Que o sonho de ser eu
me aconchegue
Ao teu olhar
irrequieto
Metade de mim
é agua,
a outra metade
deserto

Que todos os ventos
de mudança
Se soltem
em gritos universais
Metade de mim
é mar,
a outra metade
teus sinais.

Sfsousa/olharomar
http://rosadesangue.blogspot.com/

05 julho 2009

Última Página


Mais uma vez o tempo me assusta.
Passa afobado pelo meu dia,
Atropela minha hora,
Despreza minha agenda.
Corre prepotente,
A disputar lugar com a ventania.
O tempo envelhece, não se emenda.
Deveria haver algum decreto
Que obrigasse o tempo a desacelerar
E a respeitar meu projeto.
Só assim, eu daria conta
Dos livros que vão se empilhando,
Das melodias que estão me aguardando,
Das saudades que venho sentindo,
Das verdades que ando mentindo,
Das promessas que venho esquecendo,
Dos impulsos que sigo contendo,
Dos prazeres que chegam partindo,
Dos receios que partem voltando.
Agora, que redijo a página final,
Percebo o tanto de caminho percorrido
Ao impulso da hora que vai me acelerando.
Apesar do tempo, e sua pressa desleal,
Agradeço a Deus por ter vivido,
Amanhecer e continuar teimando ...

Flora Figueiredo
Imagens de Eduardo Poisl e Sônia

04 julho 2009

A brisa do tempo


Primeiro era um banco
Frente ao mar calmo.
Sentados nele, calmos,
Dois marinheiros,
Que dividiam a mesma alma,
Falavam de amores passados
Que nunca passaram.

O mais velho tinha um porto em cada amor,
O mais moço tinha um amor em cada porto.

Havia neles uma solidão
Que o mar não continha.

No dia seguinte era um banco
Impregnado de vazios,
E um navio à procura de um porto
Que pudesse lhes conter a alma.

Oswaldo Antônio Begiato
http://poesiamsicagentedanossaterra.blogspot.com/

Imagens por Eduardo Poisl

03 julho 2009

Enlevo


Eu olho você grande e distante
e da sua grandeza me comovo
e da sua distância me revolto.
Olho de novo.
Procuro reter em minhas mãos sua figura
mas ela gesticula, oscila e cresce
e numa inconstância distraída
no instante exato
por trás da vida desaparece.
Um desacato.
Do meu desaponto eu me levanto
pra levar embora outro desencanto
mas você me divisa e então me chama.
Me aguarda, reclama e me convida
e minha vida nessa ansiedade por fim entrego.
E nesse amor feito de espuma colorida
nós flutuamos: você borbulha, eu escorrego,
ensaboados, você explode,
eu me desintegro.

Flora Figueiredo
Imagens de Eduardo Poisl

Pescadores recuperando as redes para a pesca da tainha

02 julho 2009

Azul


E o azul era tanto que se via
em horizontes que nem tão azuis havia
breves ondas
azuis vagas
cuidadosas
a beijarem desse azul a praia fria
e só por ti azul se faz a brisa breve
que ao de leve tua face acaricia
e te afaga tão azul
íntima
entregue
os cabelos nesse azul que entardecia.

Jorge Castro
Imagens de Sônia Schmorantz

01 julho 2009

Canção dos rapazes da ilha


Eu sei que fico.
Mas o meu sonho irá
pelo vento, pelas nuvens, pelas asas.

Eu sei que fico
Mas o meu sonho irá
Nos frutos, nos colares
E nas fotografias da terra,
Comprados por turistas estrangeiros
Felizes e sorridentes.
Eu sei que fico mas o meu sonho irá ...

Eu sei que fico
Mas o meu sonho irá
Metido na garrafa bem rolhada
Que um dia hei de atirar ao mar.
Eu sei que fico
Mas o meu sonho irá
Nos veleiros que desenho na parede.

Aguinaldo Fonseca (Cabo Verde)
Imagem 1: Mikael Stiller
Imagem 2: Costão do Santinho, por Tom Schmorantz

30 junho 2009

Tu que te esqueceste de ti


Adormece o teu corpo com a música da vida.
Encanta-te.
Esquece-te.
Tem por volúpia a dispersão.
Não queiras ser tu.
Quer ser a alma infinita de tudo.
Troca o teu curto sonho humano
Pelo sonho imortal.
O único.
Vence a miséria de ter medo.
Troca- te pelo desconhecido.
Não vês, então, que ele é maior?
Não vês que ele não tem fim?
Não vês que ele és tu mesmo?
Tu que andas esquecido de ti?

Cecília Meireles in "Cânticos IV"
Imagens:Sônia Schmorantz

29 junho 2009

Todo dia morre um amor


Todo dia morre um amor. Quase nunca percebemos, mas todos os dias morre um amor. Às vezes de forma lenta e gradativa, quase indolor, após anos e anos de rotina. Às vezes melodramaticamente, como nas piores novelas mexicanas, com direito a bate-bocas vexaminosos, capazes de acordar o mais surdo dos vizinhos. Morre em uma cama de motel ou em frente à televisão de domingo. Morre sem beijo antes de dormir, sem mãos dadas, sem olhares compreensivos, com gosto de lágrima nos lábios.
Morre depois de telefonemas cada vez mais espaçados, cartas cada vez mais concisas, beijos que esfriam aos poucos. Morre da mais completa e letal inanição.
Todo dia morre um amor. Às vezes com uma explosão, quase sempre com um suspiro. Todo dia morre um amor, embora nós, românticos mais na teoria que na prática, relutemos em admitir. Porque nada é mais dolorido do que a constatação de um fracasso. De saber que, mais uma vez, um amor morreu. Porque, por mais que não queiramos aprender, a vida sempre nos ensina alguma coisa. E esta é a lição: amores morrem.

Autor desconhecido (parte do texto)
http://www.pensador.info/p/decisao_no_amor/12/
Imagem:Contax Imagens

28 junho 2009

Poema da despedida


Um dia, quando chegar a hora
Da sua despedida
E você tiver que ir embora
Mesmo que eu sinta profunda tristeza
Prefiro que não me olhe

Queria que sua despedida
Fosse como a da tarde em relação ao dia
Dando lugar à minha lua para enfeitar a noite
Que depois cede seu lugar ao sol
Para iluminar e aquecer um novo dia

Queria que sua despedida
Tivesse a leveza de um botão desabrochando em flor
Com cor e perfume para alegrar um coração apaixonado
O mesmo coração que um dia você em mim se plantou

Queria que sua despedida
Deixasse em meu coração um lindo jardim
Com rosas, margaridas, orquídeas
Plantadas por você e com seu jeito de gostar de mim

Queria que sua despedida
Fosse como a calmaria do mar
Tranqüila, serena sem marolas
Onde eu possa com minha nau navegar
Sem sobressaltos

Queria que sua despedida
Fosse como a corrente dos rios
Que ao encontrar seu destino, o mar
Se harmonizam o doce com o sal
E se desmancham as tristezas e mágoas
Se acaso elas existirem

Queria que sua despedida
Fosse como a lua se despede do sol
Como o dia da noite
Como as estrelas se vão, apenas deixando de brilhar
Mas elas sempre estarão lá

Queria que você, ao se despedir de mim,
Não falasse nada. Não dissesse nada...
Apenas deixe de brilhar e transforme em silêncio
A certeza de que permanecerá
Eternamente em meu coração

Jorge Luiz Vargas
Imagem de Sônia Schmorantz

27 junho 2009

Retrato


Eu não tinha este rosto de hoje,
Assim calmo, assim triste, assim magro,
Nem estes olhos tão vazios,
Nem o lábio amargo.
Eu não tinha estas mãos sem força,
Tão paradas e frias e mortas;
Eu não tinha este coração
Que nem se mostra.
Eu não dei por esta mudança,
Tão simples, tão certa, tão fácil:
- Em que espelho ficou perdida
A minha face?

Cecília Meireles
Imagem 2: Praia dos Açores, Florianópolis, Brasil

26 junho 2009

Talvez


Talvez não ser,
e ser sem que tu sejas,
sem que vás cortando
o meio dia com uma flor azul,
sem que caminhes mais tarde
pela névoa e pelos tijolos,
sem essa luz que levas na mão
que, talvez, outros
não verão dourada,
que talvez ninguém soube que crescia
como a origem vermelha da rosa,
sem que sejas, enfim,
sem que viesses brusca, incitante
conhecer a minha vida,
rajada de roseira,trigo do vento,
E desde então, sou porque tu és
E desde então és
sou e somos...
E por amor
Serei... Serás...Seremos...

(Pablo Neruda)
Imagem 1: internet
Imagem 2:Entardecer na Praia dos Ingleses,Florianópolis, Brasil

25 junho 2009

Fadas e Bruxas


Metade de mim é fada,
a outra metade é bruxa.
Uma escreve com sol,
a outra escreve com a lua.
Uma anda pelas ruas
cantarolando baixinho,
a outra caminha de noite
dando de comer à sua sombra.
Uma é séria, a outra sorri;
uma voa, a outra é pesada.
Uma sonha dormindo,
a outra sonha acordada.

Roseana Murray
in Pêra, Uva ou Maçã, ed. Scipione, 2005
Imagem 1: internet
Imagem 2: Morro das Pedras, Florianópolis, Brasil

Morro das Pedras, é o local em Florianópolis onde todos os anos as bruxas se encontram para prestar contas e planejar a próxima temporada. A feitiçaria teria chegado à Ilha junto com os açorianos, entre 1748 e 1756, quando Dom João V, rei de Portugal, determinou a transferência de portugueses, oriundos das Ilhas de Açores e Madeira para as províncias de Santa Catarina e Rio Grande do Sul. O encontro seria na praia do Morro das Pedras, a 22 quilômetros do centro, onde elas se concentrariam sobre uma das pedras que ajudam a formar a beleza do local. O ritual, no entanto, só pode ser visto por quem também tem o dom da bruxaria. Acredite, se quiser, mas entre os moradores da ilha a crença é de que tudo isso realmente existe, por isso Florianópolis é conhecida por Ilha da Magia.

24 junho 2009

A Vida


Já um pouco de vento se demora;
Já sua força vale a de uma mão
Nestes papéis que trago para fora,
Que o campo dá certeza e solidão.

O calor fez a casca mais delgada,
Agora colho a tarde: a vida não.
Sou como a macieira carregada:
De palavras a mais cobri o chão.

Árvores há no outono que conhecem
O toque e ardor das folhas de amanhã
E esperando-as, altas, adormecem.
Com espaço e vento nunca a vida é vã.

Eu volto à mão do outono em meus papéis.
Penso e, indiscreto, o ar remove
Estas imagens cruéis
Que a minha vida comove.

Vitorino Nemésio

Imagem 1: internet
Imagem 2: Inverno em Florianópolis, gaivotas nas sacadas da beira mar

23 junho 2009

O Beija-Flor


Acostumei-me a vê-lo todo o dia
de manhãzinha, alegre e prazenteiro,
beijando as brancas flores de um canteiro
no meu jardim - a pátria da ambrosia.

Pequeno e lindo, só me parecia
que era da noite o sonho derradeiro...
Vinha trazer às rosas o primeiro
beijo do Sol, nessa manhã tão fria!

Um dia foi-se e não voltou... Mas quando
a suspirar me ponho, contemplando,
sombria e triste, o meu jardim risonho,

digo, a pensar no tempo já passado:
- talvez, ó coração amargurado,
aquele beija-flor fosse o teu sonho!

Auta de Souza
Imagem 1: Internet
Imagem 2: Fortaleza de São José, Florianópolis, Brasil

22 junho 2009

Da janela


Da janela vem um sopro morno
que muito bem pode ser choro
ou qualquer coisa que venha de dentro
como se do mundo vivesse fora...
Da janela entreaberta chega
uma luz de fim de tarde,
ruído de crianças brincando,
cheiro de café recém passado,
uma queixa sem convicção e
pássaros que voam nostálgicos...
Coração bate baixinho,
quase nem se percebe,
Recordações se perdem em pensamentos,
Como o vento pela janela aberta,
O espírito eleva-se ao inconsciente
Para que as almas possam se encontrar...

sonia schmorantz
Imagem 1: Janela açoriana em Florianópolis - Brasil
Imagem 2: Fortaleza de Ratones, Florianópolis - Brasil

21 junho 2009

Canção da Espera


Quando deixares meu desavisado coração
não esqueças de deixar a luz da lua acesa.
Deixa a chave da esperança sobre a mesa
do quarto onde dormiu teu último verão.

Não te esqueças das romãs do teu outono
só porque as sombras do inverno te virão
como lembranças de um amor de ocasião
que não conciliava mais o próprio sono.

Talvez eu me adormeça aqui para sonhar
com o outro lado temporão da primavera
onde eu sonhar me seja estar à tua espera
doendo de um retorno de qualquer lugar.

Estarei dividindo com as águas do riacho
uma breve canção de prazer e sofrimento
sobre a vida refeita de pena sem lamento
o coração envolto no seu próprio abraço.

Afonso Estebanez
http://poesiamsicagentedanossaterra.blogspot.com/
Imagem 1:Araucária de São Joaquim, Santa Catarina
Imagem 2: Praça da Alfandega,centro de Florianópolis, Brasil

20 junho 2009

Que...


Que todas as manhãs acordem
Com sinais de esperança
ao final da tarde
Metade de mim
é poesia,
a outra metade
verdade

E a mulher que amo
ao longe
Sinta esta tranquilidade
Metade de mim
sendo vida,
a outra metade
é saudade

Sfsousa/olharomar
http://rosadesangue.blogspot.com/
Imagem 1: Amanhecer na Praia do Campeche, Florianópolis
Imagem 2: Entardecer na Lagoa, por Eduardo Poisl

19 junho 2009

Grandeza


Sou só a cor do céu
e das montanhas,
azuladas entranhas
na ilusão do olhar.
Sou só o verde da vegetação,
cor de mãe primitiva,
calma viva
e repouso e proteção.
Sou só a água que envolve,
que amamenta,
que absolve.
Sou só esse chão arenoso,
chão de praia,
que desmaia,
sob seu corpo,
mulher.

Eliane Ferreira de Cerqueira Lima
Imagem 1:Lagoinha Leste, Florianópolis
Imagem 2: Costa da Lagoa, Florianópolis

18 junho 2009

Sou um Poema


Sou um poema que existe
bonito, correndo em minhas mãos
que voa nas manhãs de primavera.
E só eu o vejo...
Sou um poema bonito que me sorri
sussurra versos na noite...
Mas só eu o vejo.
Existe uma música bonita que me ecoa nos ouvidos
que se arrasta nas paredes...
nas folhas das árvores...
Apenas eu a ouço.
Existe uma música bonita
que baila nas nervuras da vida...
Mas só eu a ouço.
Existe um poema bonito nos meus olhos
só eu o vejo.
Existe um poema bonito...
mas sempre que o tento passar para o papel
para o partilhar,
para lhe dar asas para voar...
Ele foge de mim...
ele não se deixa capturar...
Existe um poema bonito...
Um poema...

Helô Abreu
Imagem 1: Internet

17 junho 2009

Escuro e Luar


Feitos de chão, de chuva e sonho
Fora do tempo
Despedaçado o que fica de nós
Nas batalhas sentidas cá dentro
Por isso é que eu sigo esse brilho de noite
Que é estrela ou chama
Olhar ou mar
E vou procurar essa luz
Mas só quero lá chegar contigo

Feitos de tempo em mil pedaços
De escuro e luar
Há uma noite que é escolhida pra ser
Essa noite que se há-de guardar
Por isso é que eu sigo esse brilho ou calor
Que é estrela ou chama
Ou tu em mim
E vou pra poder descobrir
Quem é que ainda sou contigo

Dispo o cansaço e recomeço
Mais uma vez
Há um sorriso que nos salva do frio
E recolhe o que a vida desfez
Se me desarmo noutro feitiço
Num outro olhar
Há um abrigo que não deixa morrer
Quem nós somos e o que temos pra dar
Por isso é que eu sigo esse brilho da noite
Que és tu em mim
Ou quem fui
E vou pra poder descobrir
Quem é que ainda sou contigo.

Mafalda Veiga
Imagem 1: Internet
Imagem 2: Praia da Armação, Florianópolis - Brasil

16 junho 2009

Sobre escrever



Eu escrevo sem esperança
de que o que eu escrevo
altere qualquer coisa.
Não altera em nada...
Porque no fundo a gente
não está querendo alterar as coisas.
A gente está querendo desabrochar
de um modo ou de outro...

Clarice Lispector


Praia do Forte, Florianópolis - Brasil

15 junho 2009

Perfil


De passagem,
como a véspera
imprecisa do poema,
principia em mim
a planície agreste
da solidão dos outros.
E a não ser
o silêncio poente
dos meus olhos,
tudo o resto me diz
que sou um pássaro
a voar, inconsequentemente,
no sentido das palavras.

Graça Pires
Imagem 1: Internet
Imagem 2: Cachoeira do Bom Jesus, Florianópolis

14 junho 2009

Melhor lugar...


Se fosse por mim
Eu ficava
Mas vê como tudo lá fora mudou
O tempo passou
Feito um louco
Quebrando as vidraças
E a gente ficou
Aqui, sem ter nem pra onde ir,
Por medo ou preguiça
Aqui, ilhados por nós
Sequer rastreados por nenhum radar
Aqui parecia ser o melhor lugar
Quem disse que a gente precisa
Perder um ao outro para se encontrar
Se nada nos prende ao passado
Não é o futuro que vai separar
Enfim
Encosta teu barco em mim
Que o sol já se pôs
A sós
O mundo termina
Na fina fronteira dos nossos lençóis
Em nós
Espalham-se os laços
Desfazem-se os nós
Sonhamos paisagens, compramos passagem
E nunca voamos pra lá
Enfim
Passeia tua boca em mim
Até me calar
Aqui ainda parece o melhor lugar...

Jorge Vercilo

O meu pedaço de céu


O meu pedaço de céu
é o véu por onde Deus fala verdade,
é o jeito que Ele tem de amar
de abraçar e beijar a humanidade...
o meu pedaço de céu
que vem pela minha janela
é um abraço divino
que fala de outros valores,
de outros rostos e amores
que a Terra deixou por terminar...
O meu pedaço de céu
é palco das andorinhas
que voam quase bailando...
com cheiro a terra molhada
da chuva que cai chorando....
como se aberto gemendo
o coração se partisse
e então a chuva surgisse
me aconselhando a viver...
no meu pedaço de céu
para eu adormecer...
O meu pedaço de céu
onde os anjos livremente
dizem adeus quando passam
acenando a toda a gente...
não tem Sol está sofrendo
estão sós as nuvens brancas
quais noivas abandonadas
que dizem que vão morrendo...
o meu pedaço de céu
quando sorrir vai dizer
que mesmo abandonados
nós não devemos morrer...
O meu pedaço de céu
guarda um segredo profundo,
que a chorar contei a Deus
e não ao resto do mundo...

lasalete
Imagem 1: entardecer na rua
Imagem 2: entardecer na Lagoa, Florianopolis

13 junho 2009

Sou


Sou das pessoas que me querem e que eu amo
vivo com elas por saber quanto lhes quero
a minha casa é uma ilha, é uma pedra
que me entregaram num abraço tão sincero

Sou doutras coisas
sou de entender a dor alheia que é a minha
sou de quem parte com a mágoa de quem fica
mas também sou de querer sonhar o novo dia.

- Fernando Tordo -
Imagem 1 - Gaivotas
Imagem 2 - Barco na Praia do Morro das Pedras, Florianópolis

12 junho 2009

Lágrima...


Purpurina dos olhos,
brilham de saudade de você
E se transformam em sóis
quando demoram a te ver.

Depois, se apagam
num risco no céu...
Um cisco que escapou
e saiu a sua procura.


(Sirlei L. Passolongo)
Imagem 1: Internet
Imagem 2: Praia do Campeche, Florianópolis, Brasil
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11 junho 2009

Para você eu digo SIM


Mas se eu sentir
Que nós estamos juntos
Longe ou a sós
No mundo e além
Pode crer que tudo bem
O amor só precisa de nós dois
Mais ninguém...
(Rita Lee)


Quem sou eu

Minha foto
Gaúcha, nos pampas nascida Um grande sonho acalentei Morar numa ilha encantada Cheia de bruxas e fadas. Nessa terra cheia de graça Onde se juntam todas as raças, Minha ilha lança ao poente O azul espelhado da lagoa, O verde silêncio das montanhas, O rumorejar de um mar azul Que beija apaixonado a areia da Minha ilha de renda poética. Não importa se há sol ou chuva, A mágica ilha é sempre azul, Fica gravada na alma e Quem aqui vem sempre vai voltar, Para descobrir novos caminhos, Novos destinos, pois Esta magia nunca irá acabar.
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