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12 fevereiro 2010

A Máscara



Esta luz animada e desprendida
Duma longínqua estrela misteriosa
Que, vindo refletir-se em nosso rosto,
Acende nele estranha claridade;
Esta lâmpada oculta, em nossa máscara
Tornada transparente e radiante
De alegria, de dor ou desespero
E de outros sentimentos emanados
Do coração dum anjo ou dum demónio;
Este retrato ideal e verdadeiro,
Composto de alma e corpo e de que somos
A trágica moldura, errando à sorte,
E ela, é ela, a nossa aparição,
Feita de estrelas, sombras, ventanias
E séculos sem fim, surgindo, enfim,
Cá fora, sobre a Terra, à luz do Sol.

Teixeira de Pascoaes
Cânticos (1925)
Imagem 1:máscaras colocadas em cada célula de trabalho para lembrar que é carnaval, gostei do efeito delas!



11 fevereiro 2010

Abraça-me



Antes que o dia amanheça
e tu te vás para sempre
abraça-me, me aperta 
deixa-me que mergulhe em teus braços
e sinta você.
Se te fores sem mim
ficará em meu corpo teu cheiro
o calor sentido do abraço
a felicidade que te amei
e ainda continuo a te amar.
Abraça-me, não me digas nada
basta que me abrace
como nos abraçamos aquela primeira vez.
Abraça-me antes que a noite se vá
e leve voce para longe de mim.
Abraça-me, não digas nada
apenas abraça-me e me tomas para ti
assim irás me amar cada dia mais
não saberás mais viver sem mim.
Abraça-me, basta que me olhes
e abraça-me forte
pois sei que irás me deixar
assim que o dia chegar.
Abraça-me, deixa teu abraço gravado
marcado entre meus braços
assim bem rápido virás
novamente me tomar em teus braços.
Abraça-me,
apenas abraça-me ..

Cecília Meireles

08 fevereiro 2010

Mar-Poesia de Sophia de Mello Breyner Andresen



O mar azul e branco e as luzidias
Pedras – O arfado espaço
Onde o que está lavado se relava
Para o rito do espanto e do começo
Onde sou a mim mesma devolvida
Em sal espuma e concha regressada
À praia inicial da minha vida.

De todos os cantos do mundo
Amo com um amor mais forte e mais profundo
Aquela praia extasiada e nua
Onde me uni ao mar, ao vento e à lua.



Há muito que deixei aquela praia
De grandes areais e grandes vagas
Mas sou eu ainda quem na brisa respira
E é por mim que espera cintilando a maré vasa.

Quando eu morrer voltarei para buscar
Os instantes que não vivi junto do mar.

07 fevereiro 2010

Fragmento do eterno



Em meio ao tumulto
um manso olhar se aproxima.
Uma só voz quase inaudível
esforça-se por ser ouvida…
A entropia parece contaminar
toda sensatez, até mesmo a dos mais sensatos.



No entanto, persiste a mansidão
naquele olhar tranquilo,
daquela voz que não se altera.
Nada que possa mudar as estatísticas,
nada que será manchete nos jornais,amanhã.



Mas,o Universo,com seus mágicos receptores
há de captar esse silêncio expressivo
e a mútua compreensão que se instalou
entre seres que se percebem, inteiros.
No mundo fragmentado e transitório das informações
momentos como este passarão…



Idéias transformam-se, vozes diluem-se a cada segundo…
no entanto,ao menos um fragmento do que é eterno,
desprende-se e,retorna às suas origens.
E,a esperança de um dia  reencontrá-lo,
dá todo significado à existência…

28 28UTC março 28UTC 2009
http://versolivre.blog.terra.com.br/



As imagens são deste domingo na praia, num imenso calor uma homenagem a estes seres anônimos que dão este colorido mágico. No Ilha da Magia, link ao lado, um poema sobre os Seres Anônimos.

06 fevereiro 2010

Meu Lugar



Cai o dia, a tarde escura,
Acho que vai chover!
Eu que sempre me escondi do mundo,
Hoje talvez queira sair;
Descobri outros ares.
Acho que preciso me encontrar.

Se é sonho ou real não importa.
Eu preciso sentir e assim talvez,
Eu encontre o meu lugar.
E mesmo que eu perca o horizonte,
Estarei na esperança de que um dia alguém,
Quem sabe alguém,
Me ajude a ver onde errei.

Vejo o cata-vento,
Escuto pedras no chão.
Risco a parede da minha sala,
Sujo a minha mão.
Eu mudei, eu senti!
Já não quero mais olhar o que ficou pra trás.

Se é sonho ou real não importa.
Eu preciso sentir e assim talvez,
Eu encontre o meu lugar.
Mesmo que eu perca o horizonte,
Estarei na esperança de que um dia alguém,
Quem sabe alguém,
Me ajude a ver onde errei
E pegue a minha mão.

Na chuva, me aqueça!
Me olha!
E torna intensa minha vida...

Rosa de Saron





As imagens de hoje são uma gentileza de André da Silva Aguiar do blogger www.andredaguiar.blogspot.com e de Eduardo Maurício Poisl do blogger http://edupoisl.blogspot.com/

05 fevereiro 2010

Sei agora como nasceu a alegria



Sei agora como nasceu a alegria,
como nasce o vento entre barcos de papel,
como nasce a água ou o amor
quando a juventude não é uma lágrima.

É primeiro só um rumor de espuma
à roda do corpo que desperta,
sílaba espessa, beijo acumulado,
amanhecer de pássaros no sangue.

É subitamente um grito,
um grito apertado nos dentes,
galope de cavalos num horizonte
onde o mar é diurno e sem palavras.

Falei de tudo quanto amei.
De coisas que te dou para que tu as ames comigo:
a juventude, o vento e as areias.

Eugénio de Andrade




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04 fevereiro 2010

Satélite



Fim de tarde.
No céu plúmbeo
A lua baça
Paira.

Muito cosmograficamente
Satélite.
Desmetaforizada,
Desmitificada,

Despojada do velho segredo de melancolia,
Não é agora o golfão de cismas,
O astro dos loucos e enamorados,
Mas tão somente
Satélite.

Ah! Lua deste fim de tarde,
Desmissionária de atribuições românticas;
Sem show para as disponibilidades sentimentais!

Fatigado de mais-valia,
gosto de ti, assim:
Coisa em si,
Satélite.

Manuel Bandeira



AGRADECIMENTO

Estou muito feliz com o retorno que obtive dos amigos ao apresentar meu espaço Ilha da Magia, do wordpress. Está lá há pouco mais de um mês e nasceu por acaso, por falhas que vinham ocorrendo no meu tradicional blogger, tal como a dificuldade de acesso e de postagem. Outra razão, foi criar um espaço onde a preguiçosa aqui se obrigasse a escrever, ao menos de vez em quando! Deixei o link ali no ladinho, mas reconheço que temos o hábito de visitar ao menos um, o tempo não nos permite que nos estendamos como gostaríamos. Então resolvi mandar o convite para que conhecessem, faltou mandar para muitos amigos ainda, mas confesso que, este calor, a exaustão de ter que trabalhar num calor de 40 graus, complica no sentido tempo e disposição. A todos que foram lá dar sua opinião, meu muito obrigado, nem sei se deveria mostrar estes ensaios poéticos, mas enfim...e aos que ainda não foram sintam-se convidados, terei imenso prazer em saber sua opinião,aos poucos estarei colocando todos os recados em dia. Um abraço a todos!

03 fevereiro 2010

Verão na Ilha



Sobre a ilha um ardido verão,
lassidão dos corpos largados nas marés,
sol que toca na alma da terra,
longos sóis, longos dias na ilha da magia.
É verão, suor sem matéria, cheiro da maresia,
o sol pintando de vermelho os corpos na areia.
É preciso entrar no mar, mergulhar nos pensamentos,
neste mar descompassado, imprevisível, amoroso
que cerca a ilha num verão que devora.
O mar azul em pedaços e brancas espumas
acelera as velas que deslizam, desenhadas no céu.
Dourados corpos passeiam no intenso calor
pintando o quadro da ilha verão,
tela cheia de cor, calor, paixão
Cor do verão que a tarde mormacenta devassa,
e este poema distraído mal traça.

Sônia Schmorantz





Leia também BRINCAR DE RIMAR no blogger Ilha da Magia, onde posto os poemas de minha autoria. Endereço http://schmorantz.wordpress.com/, ou clique no link na coluna ao lado.

02 fevereiro 2010

Improviso à Janela



Este é o começo do dia,
como o começo e o fim do mundo:
as nuvens aprendem a voar,
os campos vão sonhando nuvens,
o vento vai sonhando o pó
onde tristemente o amor palpitará.

Este é o começo do dia.
Vemos tudo o que já foi visto,
alguma coisa não mais se verá.

Nem sempre olhamos o dia
tão face a face e tão docemente.
Nem sempre sentimos esta saudade,
ainda ausente, ainda futura,
do que há e do que não há.

Este é o começo do dia:
- do céu, da luz, da terra, dos homens,
que acontecerá?

Cecília Meireles
In: Poesia Completa



01 fevereiro 2010

O Haver



Resta, acima de tudo, essa capacidade de ternura
Essa intimidade perfeita com o silêncio
Resta essa voz íntima pedindo perdão por tudo
- Perdoai-os! porque eles não têm culpa de ter nascido...

Resta esse antigo respeito pela noite, esse falar baixo
Essa mão que tateia antes de ter, esse medo
De ferir tocando, essa forte mão de homem
Cheia de mansidão para com tudo quanto existe. 

Resta essa imobilidade, essa economia de gestos
Essa inércia cada vez maior diante do Infinito
Essa gagueira infantil de quem quer exprimir o inexprimível
Essa irredutível recusa à poesia não vivida.

Resta essa comunhão com os sons, esse sentimento
Da matéria em repouso, essa angústia da simultaneidade
Do tempo, essa lenta decomposição poética
Em busca de uma só vida, uma só morte, um só Vinicius.

Resta esse coração queimando como um círio
Numa catedral em ruínas, essa tristeza 
Diante do cotidiano; ou essa súbita alegria
Ao ouvir passos na noite que se perdem sem história. 

Resta essa vontade de chorar diante da beleza
Essa cólera em face da injustiça e o mal-entendido
Essa imensa piedade de si mesmo, essa imensa 
Piedade de si mesmo e de sua força inútil.

Resta esse sentimento de infância subitamente desentranhado
De pequenos absurdos, essa capacidade
De rir à toa, esse ridículo desejo de ser útil
E essa coragem para comprometer-se sem necessidade.

Resta essa distração, essa disponibilidade, essa vagueza
De quem sabe que tudo já foi como será no vir-a-ser
E ao mesmo tempo essa vontade de servir, essa 
Contemporaneidade com o amanhã dos que não tiveram ontem nem hoje.

Resta essa faculdade incoercível de sonhar
De transfigurar a realidade, dentro dessa incapacidade 
De aceitá-la tal como é, e essa visão 
Ampla dos acontecimentos, e essa impressionante

E desnecessária presciência, e essa memória anterior
De mundos inexistentes, e esse heroísmo
Estático, e essa pequenina luz indecifrável
A que às vezes os poetas dão o nome de esperança.

Resta esse desejo de sentir-se igual a todos
De refletir-se em olhares sem curiosidade e sem memória
Resta essa pobreza intrínseca, essa vaidade
De não querer ser príncipe senão do seu reino.

Resta esse diálogo cotidiano com a morte, essa curiosidade
Pelo momento a vir, quando, apressada
Ela virá me entreabrir a porta como uma velha amante
Mas recuará em véus ao ver-me junto à bem-amada...

Resta esse constante esforço para caminhar dentro do labirinto
Esse eterno levantar-se depois de cada queda
Essa busca de equilíbrio no fio da navalha
Essa terrível coragem diante do grande medo, e esse medo
Infantil de ter pequenas coragens.

Vinicius de Moraes
Extraída do livro "Jardim Noturno - Poemas Inéditos", Companhia das Letras - São Paulo, 1993.



31 janeiro 2010

Tua dádiva



Acolhe-me em teu abraço,
com teu olhar me afirma:
aquele espaço a teu lado
é o porto da minha viagem,
meu lado de rio, minha margem.

Abriga-me no teu corpo
para que o meu se desdobre
em onda de mar ou concha.
Aceita-me e me recria
como nem eu me conheço:
em ti parece que chego
como uma coisa concreta,
algo que avança e se adianta,
e só assim se desdobra,
pois antes era miragem.

Recebe-me em duas partes:
aquela que o mundo avista,
e a outra, a verdadeira,
chão de tua sombra que passa,
e da tua luz que se planta.

Lya Luft




Imagens de Florianópolis nesta manhã de domingo. Clique nas imagens para vê-las em tamanho maior. Leia também meus poemas em: http://schmorantz.wordpress.com

30 janeiro 2010

Sons Noturnos



As rodas rangem na curva dos trilhos
Inexoravelmente.
Mas eu salvei do meu naufrágio
Os elementos mais cotidianos.
O meu quarto resume o passado em todas as casas que habitei.

Dentro da noite
No cerne duro da cidade
Me sinto protegido.
Do jardim do convento
Vem o pio da coruja.
Doce como um arrulho de pomba.
Sei que amanhã quando acordar
Ouvirei o martelo do ferreiro
Bater corajoso o seu cântico de certezas.

Manuel Bandeira




Imagem 1: A coruja é uma linda vizinha, que está sempre por perto à noite quando volto do trabalho, máquina na bolsa não resisto e logo mais uma foto! As demais são aquelas imagens de beira de estrada que tanto gosto. Clique nas imagens para vê-las em tamanho maior.

29 janeiro 2010

Soneto do Corifeu



São demais os perigos desta vida
Para quem tem paixão, principalmente
Quando uma lua surge de repente
E se deixa no céu, como esquecida.

E se ao luar que atua desvairado
Vem se unir uma música qualquer
Aí então é preciso ter cuidado
Porque deve andar perto uma mulher.

Deve andar perto uma mulher que é feita
De música, luar e sentimento
E que a vida não quer, de tão perfeita.

Uma mulher que é como a própria Lua:
Tão linda que só espalha sofrimento
Tão cheia de pudor que vive nua.

Vinicius de Moraes




Clique nas imagens para vê-las em tamanho maior.

28 janeiro 2010

Caminhos com Vieira Calado



Descobre-se o caminho pelo verde das árvores
pela toca onde hiberna o réptil,
uma aldeia nua num deserto
de árvores do deserto.

Sobe-se pelas suas vertigens,
o lugar onde colocamos o impulso do sangue,
as aranhas que temos no sítio da alma.

Por fim assentamos a flor dos pés na terra
para lermos, na obscuridade, sobre o chão, 
o ruído de todas as coisas.

Vieira Calado



Pelo caminho
deixo
o destino:
cores de mil cores
paixões
amores
que florescem
voam
arrefecem
e que no fim
fazem o pó
do universo
e de mim.

Vieira Calado


As imagens de hoje, são da beira do caminho, entre Praia dos Ingleses e a Lagoa. Clique nas imagens para vê-las em tamanho maior. Para ler poemas de minha autoria, acesse http://schmorantz.wordpress.com/

27 janeiro 2010

Eu gosto...



Eu gosto do asfalto molhado,
do cheiro do novo, do coração descascado,
das árvores que dançam ao relento,
do sabor do pêssego, do verso livre,
da voz poderosa e clássica do vento.

Gosto de imaginar como é a criança que mora
naquela pequena verde casa,
onde lá pelas duas da madrugada a luz se apaga,
enquanto eu continuo escrevendo, acordada, lendo,
fumando o último cigarro, à espera do sono,
do nascer dum novo dia, e quem sabe duma outra vida,
onde eu me sinta menos perdida e dividida.

Eu gosto de abandonar velhos hábitos para criar espaço,
de dormir no calor do verão com a janela aberta,
de sentir o frescor que entra no quarto como uma nova era,
da paz que me abraça apertado neste momento sagrado,
gosto de quem passa lá embaixo, na rua vazia,
e imagina como é a criança que sonha aqui em cima.

Isadora Krieger
http://duncankrieger.blogspot.com/




Imagens desta quarta-feira, dia 27/01/2010. Clique na imagem para vê-la em tamanho maior.

26 janeiro 2010

Destino: viver



Acorda-me,
um rumor de ave.
Talvez seja a tarde
a querer voar.
A levantar do chão
qualquer coisa que vive,
e é como um perdão
que não tive.
Talvez nada.
Ou só um olhar
que na tarde fechada
é ave.
Mas não pode voar.

(Eugénio de Andrade)



Não sei onde as gaivotas fazem ninho,
onde encontram a paz.
Sou como elas,
em perpétuo voo.
Raso a vida
como elas rasam a água
em busca de alimento.
E amo, talvez como elas, o sossego,
o grande sossego marinho,
mas o meu destino é viver
faiscando na tempestade.

(Vincenzo Cardarelli
Trad.: Priscila Manhães Lerner)



Leva-me a um lugar onde a paisagem
Se pareça àquela das visões da mente.
Que seja verde o rio, claro o poente
Que seja longa e leve a minha viagem.
Leva-me sem ódio e sem amor
Despojada de tudo que não seja
Eu mesma. Morna estrutura sem cor
A minha vida. E sem velada beleza.
Leva-me e deixa-me só. Na singeleza
De apenas existir, sem vida extrema.
E que nos escuros claustros do poema
Eu encontre afinal minha certeza.

(Hilda Hilst)

25 janeiro 2010

Poemas



Talvez o que sonhamos algum dia
seja o rio que fundou o povoado
da infância entre as estrelas
 
talvez a vida seja uma lenha que arde
no belo coração dos errantes

e a palavra que pronunciamos ao cair da noite
seja a chave da casa
dos espaços e tempos infinitos.

Maristeanne_CBritto
http://simplesmentelampejo.blogspot.com



Como um barco assim cheguei
na calma ondulação das tardes
e a ti eu aportei...

E lento eu desfiz
a armação das velas e te amei
enquanto o sol brilhava...

E nas gotas que ficaram
nas curvas do teu corpo
dos suores de nós...

Reentrei firme e fundo
e nessas águas inventamos
o caminho para casa...

Eduardo Leal
http://anossapena.blogspot.com/

Quem sou eu

Minha foto
Gaúcha, nos pampas nascida Um grande sonho acalentei Morar numa ilha encantada Cheia de bruxas e fadas. Nessa terra cheia de graça Onde se juntam todas as raças, Minha ilha lança ao poente O azul espelhado da lagoa, O verde silêncio das montanhas, O rumorejar de um mar azul Que beija apaixonado a areia da Minha ilha de renda poética. Não importa se há sol ou chuva, A mágica ilha é sempre azul, Fica gravada na alma e Quem aqui vem sempre vai voltar, Para descobrir novos caminhos, Novos destinos, pois Esta magia nunca irá acabar.
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