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12 abril 2010

Se me pergunta


Quem sou, talvez eu possa responder...
Ou talvez nem eu queira saber...
Hoje sou a água empossada da chuva,
Aquela mesma que ontem regou a uva,
Sou o espinho da roseira, a flor da quaresmeira,
Do buraco sou quase a beira,
Sou alguém composto de pão e vinho,
Mas que mesmo assim precisa de carinho,
Sou o som que escutas nas noites, indefinido,
Já não passo mais de um ruído, perdido,
Em cada palmo meu trago marcas da vida,
E olha! Nem todas são de feridas,
Algumas são de felicidade plena,
Algumas um pouco mais pequenas,
Mas por certo há mais para sorrir que para chorar,
Há menos para esquecer e muito para contar,
Mesmo porque sou o que plantei,
E não sou perfeito eu sei,
Mas sou sem preocupação,
Pois vivo de coração!

-Santaroza-




11 abril 2010

Poema de Domingo


Todos os meus poemas começam de manhã, com o sol.
Mesmo que as palavras não estejam à vista,
O poema será, então, meu céu de chuva
explicando a luz.
Durante o dia, morará inteiro
num espaço mais aberto
de ar claro e luminoso,
nas tardes lisas e eternas…
Então, emergirá, mais uma vez,
Da noite, do silêncio,
como um cais seguro.
Pela rua
sua passagem se confundirá
Com os assovios do vento
Com o rumor dos mares
E o encontrarei em areias claras
onde possa se estender ao sol,
no relicário dos meu sonhos.
Meu poema será
uma mão aberta e,
na sua palma, estará minha esperança.
…e se arrastará com o dia
e se meterá pelas copas das árvores,
cantará com os pássaros e correrá com os riachos…
Meu poema contará como tudo é feito
menos ele próprio…
começará por um acaso cinzento,
como esta manhã de abril
e acabará, também por acaso,
quando o sol (em meus olhos) brilhar…
Meu poema me levará no tempo
E não passarei sozinha…

Por Claude Bloc








NO ILHA DA MAGIA:
DÚVIDAS
link em Leia Mais...

10 abril 2010

HÁ NOITES


Há noites que são feitas dos meus braços
E um silêncio comum às violetas.
E há sete luas que são sete traços
De sete noites que nunca foram feitas.

Há noites que levarmos à cintura
Como um cinto de grandes borboletas.
E um risco a sangue na nossa carne escura
Duma espada à bainha dum cometa.

Há noites que nos deixam para trás
Enrolados no nosso desencanto
E cisnes brancos que só são iguais
A mais longínqua onda do seu canto.

Há noites que nos levam para onde
O fantasma de nós fica mais perto;
E é sempre a nossa voz que nos responde
E só o nosso nome estava certo.

Há noites que são lírios e são feras
E a nossa exatidão de rosa vil
Reconcilia no frio das esferas
Os astros que se olham de perfil.

Natália Correia



09 abril 2010

No Limiar


Nem nos faltou o olhar
Que esse veio
Confessando
Pedindo
Entregando
Nem nos faltou a palavra
Que essa veio
Livre
Leve
Louca
Nem nos faltou o amor
Que esse veio
Queimando
Mordendo
Gritando
Só nos faltou a coragem
O gesto de abrir as comportas
As pistas
Os portos
As portas.

Carmen Felicetti
Cadeira 11 da Academia Brasileira de Poesia
Casa de Raul de Leoni



Imagens do Costão do Santinho, Florianópolis, SC

07 abril 2010

Quando


Quando tudo escureceu, e
os ventos fortes
sopraram,
quando a chuva despencou
e os pingos
grossos rolaram,
quando eu acendi a vela
e vi a paz iluminada,
compreendi que nada seria igual
depois de ti,
pois enfeitaste a vida
como uma alvorada,
como um raio de sol
numa manhã sem nuvens,
anunciando
a alegria tão sonhada.

Conceição Bentes
(25/01/08)



06 abril 2010

Reticências


E numa dessas vezes
As vozes do às vezes
Quando era uma vez
Deixaram três pontos

Não sabia se os pontos
Mostravam o infinito
Ou findavam três vezes
O seu sonho bonito.

Era um cacho de uva
A raposa de um foro
Era a gota de chuva
Ou o toque de um choro?

E então percebeu
Que o porquê cristalino
Era o humano divino
A preencher seu destino.

Gustavo Nishida
Presidente Prudente / SP



05 abril 2010

Invenção


Na minha janela espraia-se o Atlântico,
brilham as estrelas do Cruzeiro do Sul,
suspiram flores em suspensos campos verdes,
as árvores balançam ao sabor do vento.
Na minha janela tem o mistério
da noite espessa e uma lua ao acaso
inspirando a poesia,
o cinzento das tardes de outono,
o som das ondas que murmuram preces,
num choro inútil que enche de mágoa a
solidão da praia quase abandonada...
Sobre mim pousam os ventos,
sentimentos dançando ao acaso,
que importa se a noite se cansa
e é lento o dia,
sonhos nascem sem qualquer razão,
a vida é esta grande invenção...

Sônia Schmorantz




No ILHA DA MAGIA: DESCASO

04 abril 2010

Outono Poético



Estarão estendidas na raiz
Protegendo no peito aquele frio
E ao chegar correntezas destes rios
Das paisagens riscadas por um giz...

Tudo em branco daquilo que se quis
E lá fora lembrar longos fastios
Guardará destes versos o tardio
No calor deste dia, poema que fiz

E descendo tal fossem sentinelas
Como no ar borboletas amarelas
Tremulando num dia muito lindo!

Neste bosque do poema fico a sós
Sopra ao pé dos ouvidos uma voz
Lentamente as palavras vão caindo...

AL Ceccanho
Publicado no Recanto das Letras em 01/04/2010
Código do texto: T2171286



03 abril 2010

É preciso reviver o sonho


É preciso reviver o sonho e a certeza
de que tudo vai mudar;
É necessário abrir os olhos e perceber
que as coisas boas estão dentro de nós:
onde os sentimentos não precisam de
motivos nem os desejos de razão.
O importante é aproveitar o momento e
aprender sua duração;
Pois a vida está nos olhos de quem sabe ver ...
Se não houve frutos,
valeu a beleza das flores.
Se não houve flores,
valeu a sombra das folhas.
Se não houve folhas,
valeu a intenção da semente.

Henfil



Dai-me, Senhor, a perseverança das ondas do mar,
que fazem de cada recuo um ponto de partida
para um novo avanço.

Cecília Meireles

02 abril 2010

ESTUDO


Subitamente descobrimos o acaso 
na nuvem que passa pelo pássaro 
ou no pássaro que soturnamente percorre a nuvem.

De repente aprendemos a flor das coisas 
e os seus movimentos na paisagem. 
De repente trocamos a imagem pela paisagem 
a palmatória pela parábola.

De repente descobrimos que os espelhos nos evitam
que o amanhã pertence aos outros
que da janela somos observados
por super-homens de celulóide.
De repente é o metal do amor que silencia
no coração onde tudo é paisagem.

Subitamente compreendemos
que as palavras envelhecem com os homens
que o amor também envelhece
quando as palavras envelhecem.

Francisco Carvalho
De Os Mortos Azuis (1971)



01 abril 2010

PERMANÊNCIA


Eu vi o poema brotar de uma folha,
vi o poema nascer de raiz,
eu vi o poema virando uma rua
e vi uma rua virando poema.

Vi, dentro do poema, uma lua
e, dentro de uma lua, um poema.
Vi, dentro do poema, uma luta
e, dentro de uma luta, um poema.

Vi uma luz acender o poema
e o poema acender-me uma luz.
Vi uma noite apagar o poema
e o poema apagar-me na noite.

Vi pássaro voar num poema,
vi poema voar feito pássaro,
vi lágrima fazendo poema,
vi um poema fazendo uma lágrima.

Vi poema nascer do destino,
poema nascer do acaso,
poema nascer do ocaso,
criando caso de amor.

Vi poema fazer amor
e amor fazer poema,
poema do desamor,
poema da despedida,
poema na despedida,
mas nunca a despedida do poema.

Não.
A vida não está fugindo do mundo.
O poeta não está fugindo da vida.
O ser não está fugindo do homem.
A essência não está fugindo do ser.
A poesia não está fugindo do mundo.

(Op.cit., p.123-124)
(ALMEIDA, Sonia. Penumbra. São Luís: Lithograf/FUNCMA, 2003)



NO ILHA DA MAGIA: INVENÇÃO

31 março 2010

Vidas cruzadas


Nós dois somos um,
em segredos e desabafos,
falando o idioma da alma,
calados como o som do mar

Nos perdemos nas fronteiras
das grandes tempestades,
dissolvidas pelo vento
nas lágrimas do tempo

Reconstruímos nossa historia
na soma das fragilidades,
em sorrisos disfarçados,
nas palavras não pronunciadas

Nossas vidas se cruzam
no mirar atento do silêncio,
que afaga a magia de um encontro
que o tempo não apaga.

Conceição Bentes
Publicado no Recanto das Letras em 28/03/10
Código do Texto: T2163543



30 março 2010

Alma minha


Nos caminhos da vida,
percorro rios infinitos,
desconheço os segredos da terra,
minha alma está além do horizonte,
entre os sonhos e o imenso mar.
Alma soprada pelo vento,
anda sem pressa entre nuvens.
Gosto da paisagem,
da luz entre as árvores,
do desconhecido mundo
que existe aqui dentro.
Que parte desconhecida me inspira?
De que sonhos minha alma dista?
Me perco em espaços desconhecidos,
meus poemas é que trazem
a força da minha alma refletida.
Minha força está num laço de amor,
que me enlaça inspirando coragem
para seguir nova trilha desconhecida,
apaixonante, sem retorno,
escondida na alma como uma ilha…

Sônia Schmorantz




No Ilha da Magia: AMO

29 março 2010

Fica a Paz


Fica a paz de um canto triste
dos riachos que vão embora,
vem a tarde e o canto insiste
nos meus ouvidos de aurora.

Resta uma chama encostada
numa sombra sem memória,
fica a noite e um quase nada
do que fora a minha história.

Não sou mais aquela infância
debruçada em teus terraços.
Vais!... E deixas a Esperança
desmaiada nos meus braços.

O homem nasce e vira glória
quando é pedra e vira a flor:
Deus então mais comemora
quando é barro e vira amor.

Afonso Estebanez


28 março 2010

Ilha Cor


A ilha é branca
Quando as gaivotas
Abrem as manhãs
E pousam no sorriso
Dos que amam!

A ilha é verde
Quando o ar das montanhas
Constrói telas nos olhos
Dos que vêem!

A ilha é azul
Se os peixes encantam pescadores
Na cumplicidade de uma noite!

A ilha é cinza
Se a luz dos teus olhos
Me queima as pálpebras
Naquele instante mágico
Que é prenúncio de tristeza!

Mas a ilha é arco-íris
Se as avenidas do teu sorriso
Me entram no coração!

Ou se os olhos querem ver
Ou se a boca quer amar...
A ilha é arco-íris
Se sou verdadeiramente homem
Para sonhar!

António Manuel de Castro
in «Mar Amor Ilha», ed. Jornal da Madeira, 1989
No ILHA DA MAGIA: Minha Ilha

Quem sou eu

Minha foto
Gaúcha, nos pampas nascida Um grande sonho acalentei Morar numa ilha encantada Cheia de bruxas e fadas. Nessa terra cheia de graça Onde se juntam todas as raças, Minha ilha lança ao poente O azul espelhado da lagoa, O verde silêncio das montanhas, O rumorejar de um mar azul Que beija apaixonado a areia da Minha ilha de renda poética. Não importa se há sol ou chuva, A mágica ilha é sempre azul, Fica gravada na alma e Quem aqui vem sempre vai voltar, Para descobrir novos caminhos, Novos destinos, pois Esta magia nunca irá acabar.
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