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12 agosto 2013

Captura o tempo...


Captura o Tempo a Vida.
Ela o prende em seu olhar
por brevíssimos segundos .
Segue o Tempo
levando consigo essa saudade
e, dela, falando em toda parte...
Eis a razão da memória:
saudade da Vida.
Eis o motivo da chuva:
melancolia do Tempo.

Tânia Anjos



04 agosto 2013

É isto que eu quero



É isto que eu quero na minha vida:
este esplendor de arco-íris colorindo a tarde,
a chuva, o céu gris.

Mesmo quando se desfaz,
o arco de cores ainda pinta o remoto azul,
as nuvens cinzas, a se esfiaparem pela imensidão.

Eu volto o pensamento,
a vista para a penumbra do interior,
neste fim de tarde, neste fim de dia.

E sinto, permanente, imanente,
o arco no céu, as cores em mim.

Aglaia Souza



29 julho 2013

Quando...



Quando foi aquele tempo 
em que eu me olhava, sonhando, 
nas águas desta bacia 
e via o rosto da moça 
que, do fundo, me sorria? 

Onde foi parar o sonho? 
Pra onde foi a magia? 
Pra onde o rosto da moça 
que, do fundo, me sorria? 

Em que águas refletida 
sorri agora, tardia, 
a face que me sorria 
lá no fundo da bacia? 

Maria Thereza Noronha

Imagem 1 Tela de Jim Farrant
Imagem 2 Tela de Alexander Titarenko

25 julho 2013

O mar....



Troco confidências com o mar
Reclamando meus dissabores,
Misturando lágrimas com as águas
E gargalhando com as ondas
Que se quebram na minha alma.
O cansaço atordoa-me a coragem, a sensatez
E mascaro o tempo que passa
Sentada no crepúsculo da vida
Onde em tudo
Existe apenas o nada!

Conceição Bentes

*As imagens são do Morro Cambirela, região de Florianópolis,
coberto pela neve que nos visitou esta semana.

Foto de Márcio Alves
Foto de André Rosa

20 julho 2013

As flores



As flores  são formas 
de que a pintura se serve 
para disfarçar a natureza.


Por isso é que 
no perfil duma flor 
está também pintado 
o seu perfume. 

Albano Martins



14 julho 2013

Chuva


(...)
A chuva chove ligeira,
Nos nossos olhos e molha.
O vento venta ventado,
Nos vidros que se embalançam,
Nas plantas que se desdobram.
Chove nas praias desertas,
Chove no mar que está cinza,
Chove no asfalto negro,
Chove nos corações.
Chove em cada alma,
Em cada refúgio chove;
E quando olhaste em mim,
Com os olhos que me seguiam,
Enquanto a chuva caía
No meu coração chovia
A chuva do teu olhar.

Ana Cristina César


Ana Cristina César

06 julho 2013

Caminho do mar



Não deixo de amar porque envelheço,
envelheço se deixo de amar.

Não deixo de querer porque enlouqueço,
enlouqueço se deixo de querer.

A vida me leva e traz, me sobe e desce,
no céu celeste;
a morte me aguarda um dia, sem simpatia,
no fim da via. 
.
Mas, vou levando a poesia, à luz do dia,
anotando andanças, sem nostalgia;
do sol que me guia, pelas profecias,
descubro a prática desta teoria.

Não deixo de escrevinhar porque me canso,
me canso se deixo de escrevinhar.

Onde o caminho do mar?
Onde partir e chegar?
Onde encontrar seu lugar?

Me diz logo...
Onde o caminho do mar? 

(Raul de Taunay, Trípoli, 7 de julho de 2013)


29 junho 2013

A manhã começa verde...


A manhã começa verde:
pulo da cama,
estendo os braços
para apagar os últimos
vestígios de um sonho,
mordo a maçã,
arrumo o mapa
do meu coração
e parto como um barco
de madeira antiga
para as surpresas do dia.
Pousada no umbral da porta,
a Esperança me olha
como folha verde na água,
como esmeralda encantada.


Roseana Murray 


27 junho 2013

Uma casa...



Uma casa deve ter varandas
para sonhar, cantos para chorar,
quartos para os segredos
e a ambivalência.

Um amor precisa de espaço para voar,
liberdade para querer ficar,
alegria, e algum desassossego
contra o tédio.

Não se esqueçam os danos a cobrir,
o medo de partir, e o dom de surpreender
que é a sua essência.

Lia Luft


22 junho 2013

Apesar de você...


Apesar de você
Amanhã há de ser
Outro dia
Você vai ter que ver
A manhã renascer
E esbanjar poesia
Como vai se explicar
Vendo o céu clarear
De repente, impunemente
Como vai abafar
Nosso coro a cantar
Na sua frente...


Chico  Buarque


Imagens da imprensa de Florianópolis

14 junho 2013

Sei...


Sei da efemeridade
como sei de um todo
vazio de futuros;
se um dia sair daqui
sem me despedir,

crê que não tive tempo
e lembra-te que
- mesmo assim -
levo-te para lá
com as minhas palavras.
Por detrás das esperas
fica-me tudo por dizer.



Paula Raposo


09 junho 2013

Amigos, nada mudou


Amigos, nada mudou
em essência.
Os salários mal dão para os gastos,
as guerras não terminaram
e há vírus novos e terríveis,
embora o avanço da medicina.
Volta e meia um vizinho tomba morto
por questão de amor.
Há filmes interessantes, é verdade,
e como sempre, mulheres portentosas
nos seduzem com suas bocas e pernas,
mas em matéria de amor
não inventamos nenhuma posição nova.
Alguns cosmonautas ficam no espaço
seis meses ou mais, testando a engrenagem
e a solidão.

Em cada olimpíada há recordes previstos
e nos países, avanços e recuos sociais.
Mas nenhum pássaro mudou seu canto
com a modernidade.
Reencenamos as mesmas tragédias gregas,
relemos o Quixote, e a primavera
chega pontualmente cada ano.
Alguns hábitos, rios e florestas
se perderam.
Ninguém mais coloca cadeiras na calçada
ou toma a fresca da tarde,
mas temos máquinas velocíssimas
que nos dispensam de pensar.
Sobre o desaparecimento dos dinossauros
e a formação das galáxias
não avançamos nada.

Roupas vão e voltam com as modas.
Governos fortes caem, outros se levantam,
países se dividem e as formigas e abelhas continuam
fiéis ao seu trabalho.

Nada mudou em essência.

Cantamos parabéns nas festas,
discutimos futebol na esquina
morremos em estúpidos desastres
e volta e meia
um de nós olha o céu quando estrelado
com o mesmo pasmo das cavernas.
E cada geração , insolente,
continua a achar
que vive no ápice da história.


08 junho 2013

Amei a tarde...


Amei a tarde plena
de navios, ruas estreitas,
becos largos sonhos,
a tarde cheia do destino,
temporais da infância,
amei a tarde de olhos e narizes e bocas
na praça aberta de meu tempo interior,
a tarde cheia de esperas,
encontros, outras tardes,
a palavra inventando teu pássaro rosto
sentado no tempo,
vago na queda,
pronto no voo.

(...)


Lindolf Bell


02 junho 2013

Baila sob a luz das estrelas...




Baila sob a luz das estrelas.
Desata o fio de teus sapatos.
Deixa que o sol te beije de esperanças e risos.
Faze de tua vida
um hino ao beijar os olhos da manhã
uma harpa ao por os pés no ventre da noite
um rodopio de azuis, de conchas e de búzios.
Deixa que o vento brinque com teus pés
a chuva te beije ate se cansar
as flores e os verdes e os caracóis
enfeitem teus cabelos de verões.
Corre atrás da vida com ternura de criança 
e canções plenas de paz
e com risos de palhaços
porque tudo, todos nos 
brincamos de viver bem
sempre, sempre
num carrossel
no circo da vida.

Alvina Nunes Tzovenos



26 maio 2013

Há de flutuar uma cidade...



Há de flutuar uma cidade no crepúsculo da vida
pensava eu... como seriam felizes as mulheres
à beira mar debruçadas para a luz caiada
remendando o pano das velas espiando o mar
e a longitude do amor embarcado
por vezes
uma gaivota pousava nas águas
outras era o sol que cegava
e um dardo de sangue alastrava pelo linho da noite
os dias lentíssimos... sem ninguém
e nunca me disseram o nome daquele oceano
esperei sentado à porta... dantes escrevia cartas
punha-me a olhar a risca de mar ao fundo da rua
assim envelheci... acreditando que algum homem ao passar
se espantasse com a minha solidão
(anos mais tarde, recordo agora, cresceu-me uma pérola no
coração. mas estou só, muito só, não tenho a quem a deixar.)

(...)

Al Berto


25 maio 2013

O vento


O vento que chega lento
do mar adentro, do céu adentro,
é o vento do movimento
da flor, do enternecimento
que vem de ti, neste momento,
do teu sossego sonolento.

O vento que ao pensamento
me traz teu deslumbramento,
é o vento do firmamento.
Vento que dá sombra ao tempo,
paz e alento e movimento
ao teu sossego sonolento.

O vento que flui do centro
da noite, dos elementos,
é o vento do olhar imenso
de Deus, vento violento,
que me afoga para sempre
em teu sossego sonolento. 

Francisco Carvalho


19 maio 2013

Duas Solidões



Sempre há duas solidões que se aguardam.
Por isso quero estar junto e viver-te
como a sede vive a fonte.
Atenta ao ruído que anoitece (e adentra)
do cata-vento sobre nenhuma presença
para dar-nos ternura,
nós que tanta ternura presumimos dar.

Sempre há duas solidões que se aguardam.
Por isso quero estar junto
como raiz e tronco
em todas as noites de insuficiência.
Daremos adornos e crepúsculos
aos rostos que nos espiam.
E para tornar-nos serenos
frente ao encontro
esmagaremos corações com nossos corações.

Sempre há duas solidões que se aguardam.
Por isso quero estar junto
como pedra em pedra
ser a sentinela do tempo em sua redoma,
olhar através da redoma os peixes
que plantam luas nas alpondras
e suprem-nos de tanta glória
numa ternura daninha de querer.

Sempre há duas solidões que se aguardam.
prestes a pousar sobre o breve corpo.

Lindolf Bell



Quem sou eu

Minha foto
Gaúcha, nos pampas nascida Um grande sonho acalentei Morar numa ilha encantada Cheia de bruxas e fadas. Nessa terra cheia de graça Onde se juntam todas as raças, Minha ilha lança ao poente O azul espelhado da lagoa, O verde silêncio das montanhas, O rumorejar de um mar azul Que beija apaixonado a areia da Minha ilha de renda poética. Não importa se há sol ou chuva, A mágica ilha é sempre azul, Fica gravada na alma e Quem aqui vem sempre vai voltar, Para descobrir novos caminhos, Novos destinos, pois Esta magia nunca irá acabar.
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