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17 maio 2010

Foi ciúmes...


A zanga passa
Se a saudade deixa de ser triste
O amor resiste
Quando o ciúme se desfaz
A dúvida se perde na certeza
Se o bem-querer falar mais alto
O amor se multiplica
Quando recebe um doce beijo
O desejo aumenta
Se apontar na direção certa
O coração deixa de sofrer
Quando dois batem ao mesmo tempo
A mágoa perde o sentido
Se não foi por malquerer
O amor dobra de tamanho
Quando a lua está de fora
A lua fica mais bonita
Se a sua volta for completa
E eu me sinto mais inteira
Quando olho pra você.

Glória Muller
http://semmedodemeexxpor.blogspot.com/



16 maio 2010

Lindo é saber...


Lindo é saber...
Que estrelas estão sempre lá
quando nuvens escorrem nas retinas
Dividir o pão,
quando é só pedaço
Tirar suco da fruta,
já bagaço
Dormir com a barriga roncando
a fome de amor
sabendo que a cura está no beijo
Ouvir a melodia
e a letra florescer na garganta
Amar descaradamente
esperando de janela aberta
que o céu devolva
o que já foi santo!
Saber que o tempo passa
mas sempre fotografa e guarda
a doce alegria de ficar para sempre!

Socorro Moreira




15 maio 2010

Interior


Anoitece no tempo
mas os sonhos permanecem:
azuis,
silenciosos,
necessários.
E a cada respirar dos
relógios,
lembro de emoções
que não podem ser apagadas,
fortes companhias
para não esquecer
do frasco de estrelas
que mora dentro de nós.

Wilmar José Matter




14 maio 2010

À BEIRA-MAR


Convém camuflar
nas profundezas da alma
as palavras mais puras.
Fixar o olhar na areia macia
onde, a todo instante,
a espuma branca faz carícias.

Melhor seja que a brisa
– mistura de sal e maresia –
castigue os lábios em sorriso,
carregando pro mar
o mais leve sussurro,
pairando sobre as ondulações
as palavras proibidas.

Sendo assim,...
que só as aves marinhas
decifrem a poesia que existe
quando minhas lembranças,
façam aflorar dos sentidos
os desejos mais além,...
mergulhando-as em sonhos,
no abissal das emoções...
como convém!

(Rita Costa e André L. Soares)



13 maio 2010

Um grande amor


Um grande amor não cabe em nenhum verso,
Como a vida não cabe num jardim,
Como não cabe Deus no universo
Nem o meu coração dentro de mim.

A noite é mais pequena que o luar,
E é mais vasto o perfume do que a flor...
É a onda mais vasta do que o mar...
Não cabe em nenhum verso um grande amor.

A voz do coração não quer mordaça.
Todo o amor obedece ao mesmo rito...
Amar é ter no peito o inferno e a graça,
Um pouco de miséria e de infinito.

Dizer em verso aquilo que se pensa?
-ideia de poeta, ideia louca!
Não é bastante a frase mais extensa,
Diz mais o beijo do que diz a boca...

Ninguém deve contar o seu segredo...
Versos de amor, só se os fizer assim:
Como os pássaros cantam no arvoredo,
Como as flores se beijam no jardim...

Redondilha de amor... para fazê-la,
Desse-me Deus a tinta do luar,
A candeia suspensa duma estrela
E o tinteiro vastíssimo do mar...

Fernanda de Castro



12 maio 2010

Esta é uma manhã para se ser feliz


Esta é uma manhã para se ser feliz
em algum lugar, de algum modo
- é uma manhã para se ser feliz...

Esta é uma manhã para dois, para dois juntos
abraçados e tontos num remoinho,
não como nós, eu aqui, diante do sol, das árvores, de tudo
envergonhado porque estou sozinho...

Esta é uma manhã que me fala de ti
na transparência do ar,
neste azul do céu, imaculado,
na beleza das coisas tocadas de sonho
e imaterialidade...

Uma manhã de festa
para se ser feliz de verdade!
Esta é uma manhã
para te ter ao meu lado...
Quando Deus fez uma manhã como esta
estava com certeza apaixonado!

J G de Araújo Jorge



Imagens do centro de Florianópolis e Praia do Araça em Porto Belo

11 maio 2010

Dias Azuis


Os nossos dias são azuis, bordados a branco numa vida cor-de-rosa
A tua pele na minha é vermelho de paixão numa luz que é só nossa
Luz forte e cintilante no teu sorriso enfeitiçado pela noite escura
Guia-nos pelos bosques castanhos em sinal que findou a procura
Sussurras-me “amo-te” ao ouvido, enquanto me atiras bem alto no ar
Caio numa cama macia e quente, respondo “eu também” com o olhar
Pões a alma a nu escrevendo longas promessas de amor no espelho
Tocas-me suavemente como prelúdio de uma noite passada a vermelho

Sinto o meu coração bater mais forte, julgo que estás de partida
Mas repetes-me mais uma vez devagarinho qual é a cor da nossa vida
Sei que teremos uma cor a cada dia, mas que será sempre colorida

Amanhã quero um dia azul, para brincar com as nuvens e sonhar
Que nunca mais saio dos teus braços, numa história de encantar
Em que leio e releio as páginas coloridas para nunca mais terminar

Nash(ito)



10 maio 2010

Flores de Outono


Agora vou reclinando o corpo
entre a terra e as estrelas.

O espaço é breve
para a brisa do mar
que ainda soa...

E no entanto,
adormeço
no meu sonho,
sereno de harmonias

incendiando o fino pó
da terra
com estas flores violentas,
exíguas, do outono.

Vieira Calado



09 maio 2010

Eu sei


Eu sei, tudo por acaso
Tudo por atraso
Mera distração
Eu sei, por impaciência
Por obediência
Pura intuição
Qualquer dia, qualquer hora
Tempo e dimensão
O futuro foi agora, tudo é invenção
E eu sei, pelo sentimento
Pelo envolvimento
Pelo coração
Eu sei, pela madrugada
Pela contramão
Por qualquer poesia
Por qualquer magia
Por qualquer razão.

Lenine



08 maio 2010

Qual o filho que as mães mais amam?


Certa vez perguntaram a uma mãe qual era seu filho preferido,aquele que ela mais amava e ela deixando entrever um sorriso,respondeu:
"Nada é mais volúvel que um coração de mãe".
E como mãe lhe respondeu:

O filho predileto, aquele a quem me dedico de corpo e alma é 
O meu filho doente, até que sare
O que partiu, até que volte
O que está cansado, até que descanse
O que está com fome, até que se alimente
O que está com sede, até que beba
O que está estudando, até que aprenda
O que está nu, até que se vista
O que nao trabalha, até que se empregue
O que namora, até que se case
O que casa, até que conviva
O que é pai,até que os crie
O que prometeu, até que cumpra
O que chore, até que cale.

E já com o semblante bem distante daquele sorriso completou:
O que me deixou, até que o reencontre.

Autor Desconhecido

Meu carinho a todas às companheiras mães, blogueiras ou não, que Deus nos abençoe e permita que possamos estar sempre ao lado de nossos filhos, tanto na terra quanto no céu. À minha mãe, em especial, neste momento desejo superação no problema de saúde e muita paz, porque todo amor do mundo eu já lhe tenho!
Beijo a todas.

Na primeira imagem minha mãe e um dos meus filhos, Tom.

07 maio 2010

Motivos para continuar


Quando o sol apagar encontrarei uma luz na escuridão
e se a tristeza chegar, cantarei uma canção de ninar.
Quando a terra secar regarei com lágrimas do meu olhar
e se o vento não passar assoprarei meu barco para o mar.
Se a esperança não voltar, saio por ai a procurar
e se não houver luar, acenderei tochas para iluminar.
Sem motivos para sonhar, buscarei forças para continuar,
se houver obstáculos, invento estradas para caminhar
e se ao final não encontrar você, dispo-me
da armadura de guerreira e vou perder-me nas estrelas.

Tereza Carrera
Publicado no Recanto das Letras em 05/05/2010
Código do texto: T2237911


Imagens da Praia dos Ingleses, Florianópolis, SC

06 maio 2010

A Rua de Rimas


A rua que eu imagino, desde menino, para o meu destino pequenino
é uma rua de poeta, reta, quieta, discreta,
direita, estreita, bem feita, perfeita,
com pregões matinais de jornais, aventais nos portais, animais e varais nos quintais;
e acácias paralelas, todas elas belas, singelas, amarelas,
douradas, descabeladas, debruçadas como namoradas para as calçadas;
e um passo, de espaço a espaço, no mormaço de aço baço e lasso;
e algum piano provinciano, quotidiano, desumano,
mas brando e brando, soltando, de vez em quando,
na luz rara de opala de uma sala uma escala clara que embala;
e, no ar de uma tarde que arde, o alarde das crianças do arrabalde;
e de noite, no ócio capadócio,
junto aos lampiões espiões, os bordões dos violões;
e a serenata ao luar de prata (Mulata ingrata que mata…);
e depois o silêncio, o denso, o intenso, o imenso silêncio…
A rua que eu imagino, desde menino, para o meu destino pequenino
é uma rua qualquer onde desfolha um malmequer uma mulher que bem me quer…

Guilherme de Almeida



05 maio 2010

16 Anos sem o poeta Mário de Miranda Quintana


                 Nascido em 30 de julho de 1906 na cidade de Alegrete, interior do Rio Grande do Sul, Mário Quintana foi jornalista, tradutor e um dos maiores poetas da literatura brasileira. Faleceu em Porto Alegre, capital gaúcha, no dia 05 de maio de 1994, aos 87 anos. Portanto, neste dia 5 de maio completam-se 16 anos de sua partida. Quintana escreveu muitas vezes sobre a morte, entre os mais conhecidos estão:

"Amigos não consultem os relógios quando um dia me for de vossas vidas... Porque o tempo é uma invenção da morte: não o conhece a vida - a verdadeira - em que basta um momento de poesia para nos dar a eternidade inteira".

.......................................

“Quando eu for, um dia desses,
Poeira ou folha levada
No vento da madrugada,
Serei um pouco do nada
Invisível, delicioso

Que faz com que o teu ar
Pareça mais um olhar,
Suave mistério amoroso,
Cidade de meu andar
(Deste já tão longo andar!)
E talvez de meu repouso...”

               Diziam os amigos mais íntimos, que Mario Quintana era o poeta das coisas simples e fazia pouco caso em relação à crítica. Conforme costumava comentar, sua poesia era feita simplesmente por sentir necessidade de escrever.





           

04 maio 2010

CONFIDÊNCIA




Vou fazer-te uma confidência:
aprendi o ofício dos sonhos em versos
que se colam ao corpo, no fascínio ardente
de olhos teimosos de sonetos.
Há um espaço meu dentro de cada poema,
um espaço verde e cheio de areia,
um lugar de mudez, agasalhado de certezas.
Aprendi a voar em linhas, indecisa no azul
das canetas. Irada e louca aprendi a decifrar
enganos, nomes invernosos e pesados,
desfigurei névoas futuristas, dedilhei a medo
o estalar das pedras e das águas.
Parei no frio de uma manhã qualquer e
descobri as coordenadas dos meus sonhos:
perto, perto como as tuas mãos nas minhas.
Vou fazer-te uma confidência:
a tua presença é o tempo que volta,
é sinfonia que se cola ao corpo, no fascínio ardente
de olhos teimosos de sonetos.
Há um espaço meu dentro de ti,
um espaço verde e cheio de areia,
um lugar de mudez, agasalhado de certezas.
Nas coordenadas dos meus sonhos,
encontrei as tuas.

 Márcia Gonçalves




03 maio 2010

CASCATA


Dos teus dedos, quando tocam teclas de água,
Escorre um rio que lava as minhas lágrimas
E me devolve os sonhos que quis ter um dia
Presentes, vivos, num rodopio tonto de euforia.

Dos teus dedos, quando acordam calmarias,
Desprendem-se em cascata todas as fantasias
E rolam revoltas as minhas ideias – tão soltas –
Por entre os seixos dóceis e os juncos complacentes.

Nos teus dedos me perco e encontro o curso fluido
Transparente, da minha alma que pensava ausente.


Isabel Solano, in Sem nós na garganta, inédito, 2009.



02 maio 2010

OBSESSÃO DO MAR OCEANO


Vou andando feliz pelas ruas sem nome...
Que vento bom sopra do Mar Oceano!
Meu amor eu nem sei como se chama,
Nem sei se é muito longe o Mar Oceano...
Mas há vasos cobertos de conchinhas
Sobre as mesas... e moças na janelas
Com brincos e pulseiras de coral...
Búzios calçando portas... caravelas
Sonhando imóveis sobre velhos pianos...
Nisto,
Na vitrina do bric o teu sorriso, Antínous,
E eu me lembrei do pobre imperador Adriano,
De su'alma perdida e vaga na neblina...
Mas como sopra o vento sobre o Mar Oceano!
Se eu morresse amanhã, só deixaria, só,
Uma caixa de música
Uma bússola
Um mapa figurado
Uns poemas cheios de beleza única
De estarem inconclusos...
Mas como sopra o vento nestas ruas de outono!
E eu nem sei, eu nem sei como te chamas...
Mas nos encontramos sobre o Mar Oceano,
Quando eu também já não tiver mais nome.

Mario Quintana - O Aprendiz de Feiticeiro


Imagens da Praia do Estaleiro em Porto Belo, SC.

01 maio 2010

Abril


Abril são céus azuis
em ciprestes longos,
agulhados

E uma brisa,
um quase olfato
de jardins submersos,
não decodificados.

Aves breves
bicam leve
a eternidade.



Fernando Campanella
Poema da série 'Efemérides' 




 Imagens de minha autoria tiradas neste sábado nas praias de Porto Belo, Araça, Estaleiro e Bombinhas, mais imagens serão publicadas nos próximos dias. Clique na foto para ver em tamanho maior. É um pouco de férias, logo acabarão...

Quem sou eu

Minha foto
Gaúcha, nos pampas nascida Um grande sonho acalentei Morar numa ilha encantada Cheia de bruxas e fadas. Nessa terra cheia de graça Onde se juntam todas as raças, Minha ilha lança ao poente O azul espelhado da lagoa, O verde silêncio das montanhas, O rumorejar de um mar azul Que beija apaixonado a areia da Minha ilha de renda poética. Não importa se há sol ou chuva, A mágica ilha é sempre azul, Fica gravada na alma e Quem aqui vem sempre vai voltar, Para descobrir novos caminhos, Novos destinos, pois Esta magia nunca irá acabar.
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