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24 junho 2011

Retratos da Alma



Leia-me
Assim
Como um pássaro livre
A voar no infinito
Uma rosa branca
A afagar teu peito
Quando ele está aflito...
Leia-me
Assim
Como uma fênix
A ressurgir
Cada vez que ouve
Um grito
Por que a alma reluz
O sonho perfeito
A cada risco...
Desenho retratos da alma
Como um dia de sol bonito..

Sirlei L. Passolongo



21 junho 2011

Tarde


A tarde trabalhava
sem rumor
feliz nas suas nuvens, conjugava
cintilações e frêmitos, rimava
as tênues vibrações
Quando vi o poema organizado nas alturas
a refletir-se aqui
em ritmos, desenhos, estruturas
duma sintaxe que produz
coisas aéreas como o vento e a luz.

Carlos de Oliveira
Porto de Abrigo



18 junho 2011

Nem tudo é dias de sol...


Nem tudo é dias de sol,
E a chuva, quando falta muito, pede-se
-Por isso tomo a infelicidade com a felicidade
Naturalmente, como quem não estranha
Que haja montanhas e planícies
E quando haja rochedos e erva...
O que é preciso é ser-se natural e calmo
Na felicidade ou na infelicidade,
Sentir como quem olha,
Pensar como quem anda,
E quando se vai morrer, lembrar-se de que o dia morre,
E que o poente é belo e é bela a noite que fica...
Assim é e assim seja...


Fernando Pessoa


Imagens da Praia Mole - Florianópolis

15 junho 2011

À BEIRA-MAR


Convém camuflar
nas profundezas da alma
as palavras mais puras.
Fixar o olhar na areia macia
onde, a todo instante,
a espuma branca faz carícias.

Melhor seja que a brisa
– mistura de sal e maresia –
castigue os lábios em sorriso,
carregando pro mar
o mais leve sussurro,
pairando sobre as ondulações
as palavras proibidas.

Sendo assim,...
que só as aves marinhas
decifrem a poesia que existe
quando minhas lembranças,
façam aflorar dos sentidos
os desejos mais além...
mergulhando-as em sonhos,
no abissal das emoções...
como convém!


(André L. Soares & Rita Costa)





09 junho 2011

PORTO


Não me importa teu nome
nem a cor da terra
que trazes sob teus pés
Não me importa em ti
os vestígios de antigos amores,
o cheiro das noites em claro
que ainda exalas teu corpo
Não me importa tua crença,
teus ritos e mitos,
os sonhos que deixastes intactos
às margens dum outro alguém
Não me importam os rios
que saciaram tua sede
ou a suculência das maçãs
que apaziguaram tua fome
Não me importam os caminhos
que a trouxeram até aqui;
quais pedras e flores te conduziram
Saibas que a mim, meu amor,
nada mais importa
a não ser estes,
que hoje somos,
e aqueles, que um dia seremos
Inda sabendo que assim, sempre fomos
o tempo inteiro.

Marcelo Roque



Imagens da Lagoa da Conceição

06 junho 2011

Rumo ao mar...


Vai o barco balançando a destino do mar,
transporta sonhos de um lado para outro,
na onda branca e inquieta que não pára,
a encantar-se com a beleza de suas margens.

Doçura impetuosa das marés a subir no entardecer,
gotas cintilantes desafiando as fortaleza das pedras,
enquanto os barcos crepitam nas ondas azuis,
ida e volta, chegada e partida de pequenos cais.

Segue o barco neste mar entre montanhas,
cortando as ondas que soluçam baixinho,
canção do mar, plena de magia e poesia,
que nesta hora até os pássaros silencia.

Água, sal e vida, hora da despedida,
segue o barco a sua rota, ficamos aqui no cais,
de tantas belezas avistadas fica um quase poema,
vago como a luz que reinventa o azul do mar,
no verde-mar-poema que ficou na margem.

Sônia Schmorantz




Imagem 1: Barra da Lagoa
Imagens 2 e 3: Lagoa da Conceição

03 junho 2011

Poema de fim do verão


Quando eu sair outra vez
a voar em busca de um verão,
vou levar fragmentos dos dias
de risos, de sonhos e de querer.
Haverei de ir mais longe...
como a que buscar
uma lembrança...
ou a suplicar bonança
em forma de calor.

Minhas asas de cera e poesia,
abertas ao despencar do dia,
se recolherão e...
como num abraço de irmão
me protegerão da saudade.

Nas rotas mais improváveis
rasgarei o azul anil,
e de encontro aos ventos
estarei a te guardar ali...
Na linha do horizonte
que divide minha alma
em duas metades
tão desiguais
e tão sem você.

Anderson Julio Lobone


Imagens da Barra da Lagoa, Florianópolis

30 maio 2011

Retrospectiva


Enquanto subia as montanhas
O caminho me percorria...
Conhecia as pedras...as flores...
Plantava sentimentos...
Colhia aprendizados...
Desviando dos obstáculos

Depois que desci ao vale
Me vi distante da paisagem
Que me desnudava...
Fiquei ausente de mim
Como a flor que foi colhida
Antes da primavera

Hoje , nem mais jardim,
Nem tampouco montanha
Sou a resposta ao percurso
Do caminho que não fiz
Pois sou a manhã de ontem
Misturada à noite de amanhã.

Ivone Zouain Zuppo

Lagoinha, Florianópolis
Lagoa do Peri


28 maio 2011

Grão de areia


Entre milhões de palavras
como um grão de areia
está um invisível poema.
Um poema que nunca se escreveu.
Um poema feito grão de areia,
talvez parte de uma construção,
talvez não...
Pequeno grão de areia
em silêncio na beira do mar,
que vai sendo soprado
para um destino incerto,
talvez o mar, talvez o deserto.
Palavras que ao vento se vão
procurando a concha da sua vida.
Não tenho pressa, sou como este grão
também sigo a rolar na areia
até renascer na praia ou encontrar o
poema da minha vida...

Sônia Schmorantz


Gaivotas na praia dos Ingleses

25 maio 2011

Como as ondas


Como as ondas de espuma branca
Rebolo frágil na areia da vida
Fustigada pela brisa que o sol mal aquece.
Olho o mar! Sempre o mar me extasia!
O mar sempre majestoso, divino, azul e grande
Como os sonhos nascidos ou desfeitos
Que a vida em teias me tece.
A praia vazia e fria fica parada, alheada
Nos grãos de areia a chorar a solidão.
Já foi gente, já foi quente, já foi mar e multidão
Já foi amiga comigo a abrir o coração.
Agora só, chora a saudade do abraço que não tem.
Ninguém passa, ninguém beija ou abraça.
Das vidraças desce o sol e vem poisar no caminho
E a onda bruma, fria e bela vestida de branco arminho
Clama o tempo, vai e vem,
E nunca passa ninguém
Marcando os passos na areia.
Por companhia, as gaivotas solitárias tão belas filhas de Deus
A sonhar o mar.
Também elas trazem asas para emprestar à sereia
Que tanto queria voar.
Vem saudade. Vem abraço. Vem ó onda poisar-me na minha mão
Neste horizonte azulado, em vez da amiga ao meu lado…
Tenho-te e ti mar salgado. Teu corpo em onda deitado
Tem dentro o meu coração.

Donzilia Martins
Povoa do Varzim, 8/01/2010



Praia dos Ingleses, quarta-feira, 25/05/2011

23 maio 2011

Silêncio e Palavra


A couraça das palavras
protege o nosso silêncio
e esconde aquilo que somos
Que importa falarmos tanto?
Apenas repetiremos.
Ademais, nem são palavras.
Sons vazios de mensagem,
são como a fria mortalha
do cotidiano morto.
Como pássaros cansados,
que não encontraram pouso
certamente tombarão.
Muitos verões se sucedem:
o tempo madura os frutos,
branqueia nossos cabelos.
Mas o homem noturno espera
a aurora da nossa boca.
Se mãos estranhas romperem
a veste que nos esconde,
acharão uma verdade
em forma não revelável.
(E os homens têm olhos sujos,
não podem ver através.)
Mas um dia chegará
em que a oferenda dos deuses,
dada em forma de silêncio,
em palavra transfaremos.
E se porventura a dermos
ao mundo, tal como a flor
que se oferta - humilde e pura - ,
teremos então cumprido
a missão que é dada ao poeta.
E como são onda e mar,
seremos palavra e homem.

Thiago de Mello

Imagens de Meia Praia - Itapema SC

19 maio 2011

Divagações após a chuva


Ao anoitecer, gotas da chuva intensa
ainda brilham nas folhas e calçadas,
como notas poéticas a refletir as luzes,
que pouco a pouco vão surgindo nas casas.
Gotas vão sendo levadas pelo vento incerto,
como palavras descompromissadas que
tanto já foram ditas e desditas nesta vida.
As palavras voam pelas janelas e calçadas,
instáveis, insanas, descomprometidas
com a realidade, perdidas no tempo.
Só a poesia as recupera,
unindo-as através dos sonhos repetidos
no silêncio das madrugadas insones.
Das palavras ditas resta a poesia,
a vaporosidade de quem já viveu
e ouviu muito, mas
ainda tem capacidade de sonhar.
Palavras inventam-se nos poemas,
num fluir secreto, desdobrando-se como renda,
tecidas memórias de sonhos que
com a própria vida que se emendam.

Sônia Schmorantz

Praia do Estaleiro -  Balneário Camboriú

Praia dos Ingleses, Florianópolis

18 maio 2011

Cisma


Deixar fazer
que sonhar é infinito
e o desejo se desdobra
em atos e aquarelas
que o querer é fugaz
é sede de mais sede
arder
deixar passar
que o dia cobre o dia
que recobre o outro
que o modelo é o avesso do erro
e viver é pouco mais
que a ilusão.

Rosana Chrispim


A palavra tece pela cidade
sua ébria caminhada
Sóbrios são os sonhos
nos quais tropeço meus passos

A noite, é imensa frase
de amor a escrever-se
nos becos e bocas
do meu coração cheio de luas.

Jurema Barreto de Souza



17 maio 2011

Quero escrever-te um poema


Quero escrever-te um poema
Simples, silencioso e suave
Com o sorriso das palavras
E que nas estrelas se guarde 
A luz e a força deste tema.

Quero escrever-te um poema
Brioso, bonito e muito brilhante
Em que o amor mais se reforce
Tornando-o sempre cativante
Quando destas letras se faz lema. 

Quero escrever-te sem palavras
Apenas com as penas que me pesam
Coisas pequenas que com gestos servem
Momentos leves que as mãos levam
Se de olhar sereno meu campo lavras.

Os silêncios destas madrugadas frias
De poemas, palavras, e pensamentos 
Foram canções que se formaram
E cresceram suaves e lentos 
Momentos doces de finas melodias. 


Luís Coelho 


Praia do Farol de Santa Marta, Laguna SC
Complexo eólico que produz energia para a cidade de Osório, RS
Imagem 1 - Lagoa na freeway Porto Alegre, RS

11 maio 2011

Pensamentos ao vento


Gosto de andar e sentir o carinho do vento,
Ouvir a música que ao meu ouvido murmura,
São doces sinfonias de amor e ternura,
Uma leve brisa que ajudam e dão alento.

Vejo o bailado das folhas em pleno movimento
O canto dos pássaros que tocam com brandura
E isso pode ser tudo o que se procura,
Deixam o pensamento em total contentamento.

E eu esquecida do tempo, ao sabor do vento,
Quando chegam a mim o cheiro de rosas
Que voavam em círculos naquele momento.

Eu procurei estar bem, calma e sem receios,
Andar sem culpa ou agir de forma cuidadosa
Que meus pensamentos viagem, alheios.

Betânia Uchoa


Praias de Porto Belo e Araça

Quem sou eu

Minha foto
Gaúcha, nos pampas nascida Um grande sonho acalentei Morar numa ilha encantada Cheia de bruxas e fadas. Nessa terra cheia de graça Onde se juntam todas as raças, Minha ilha lança ao poente O azul espelhado da lagoa, O verde silêncio das montanhas, O rumorejar de um mar azul Que beija apaixonado a areia da Minha ilha de renda poética. Não importa se há sol ou chuva, A mágica ilha é sempre azul, Fica gravada na alma e Quem aqui vem sempre vai voltar, Para descobrir novos caminhos, Novos destinos, pois Esta magia nunca irá acabar.
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