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20 maio 2012

Do instante que nasce a poesia



Peguei nas cores da tela, fiz o poema
Das letras do poema uma pintura
Aquele fim de tarde, foi o tema,
Olhar feito de espanto e ternura.

Pousei minha tristeza na montanha
Que o encanto da paisagem desprendeu
De verde cubro o espaço que desenha
Teu rosto feito estrela lá no céu.

Entre as cores do silêncio desta tela
Suspende-se no azul a nostalgia
Diluindo as palavras na aguarela

Do instante em que nasce a poesia.
A pintura é poema a acontecer
Sobre a tela deste meu entardecer!

Odete Nazário



15 maio 2012

Saudade de mim



Eu tinha em minhas mãos
toda a ternura
todo o frescor
das manhãs de outono.
Eu carregava em meus gestos
a simplicidade, a alegria
e a leveza de um pássaro.
Passei…
Conservei em meu peito
uma saudade infinita
morna, doce, inexplicável
como os sonhos carregados
dessa ternura, desses gestos
perdidos num tempo distante.
Trouxe comigo
saudades de mim.
Hoje, em meu caminho,
novas paisagens se revelam
um tanto longínquas,
coloridas pelos meus olhos de agora.
Mas elas estão lá e me esperam.
Aguardam meus passos.
E a leveza de minhas mãos
descortinarão auroras…
 
Janete Cortez   - 30/03/2001


10 maio 2012

Para sempre...



Por que Deus permite
que as mães vão-se embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não apaga
quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento. 
Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.
Por que Deus se lembra
- mistério profundo -
de tirá-la um dia?
Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.
 
Carlos Drummond de Andrade


Praia do Pântano, Florianópolis

01 maio 2012

Poesia



No fundo dos meus olhos,
Quando eu não puder reconhecer
o brilho de outros sonhos
ou mesmo quando o riso
não trouxer ternuras e esperanças,
ainda há de restar a sedução do verbo,
aquele que me toma a alma em sobressalto,
aquele que arrebenta algemas do passado,
que estilhaça o painel da realidade
e me oferece
a taça inebriante do apenas imaginado ...
No fundo do meu peito,
quando o coração quiser calar
todas as vozes que me encantam,
emudecer canções que me acalentam,
silenciar acordes que me embalam,
ainda hei de escutar
uma orquestra de estrelas cristalinas,
miríades de graças ,luzes, cores, vidas,
pois onde a poesia está,
ali, eu vivo ...


Alphonsus Guimaraes



27 abril 2012

Deixa-te estar na minha vida



Deixa-te estar na minha vida
Como um navio sobre o mar.
Se o vento sopra e rasga as velas
E a noite é gélida e comprida
E a voz ecoa das procelas,
Deixa-te estar na minha vida.
Se erguem as ondas mãos de espuma
Aos céus, em cólera incontida,
E o ar se tolda e cresce a bruma,
Deixa-te estar na minha vida.
À praia, um dia, erma e esquecida,
Hei, com amor, de te levar.
Deixa-te estar na minha vida.
Como um navio sobre o mar.

Cabral do Nascimento



21 abril 2012

Ventos & Versos - acróstico



Ventos que sopraram tristezas

Enredaram os galhos das sinas
Numa frieza de tons eloquentes;
Todavia, com as suas certezas
Ousaram reerguer das ruínas
Soprando as novas sementes

Era a poesia de versos dos ventos

Ventos que sopraram letras
Enredaram nas rimas os galhos
Reciclando em versos os lamentos;
Sobretudo, com as suas belezas
Ousaram refazer atos falhos
Soprando os novos momentos.

Wasil Sacharuk - abril/2009


Imagens da Costa da Lagoa, Florianópolis.

15 abril 2012

É a alma que se faz poema



É a alma que se faz poema
pintura

canto

escultura
cultura
espanto
oração e petição

É a alma que se faz seara
flor
valor
e pão

Com a traça
a massa
e a cor
do espírito
que é o amor

Henrique Pedro
Leia mais poemas do autor em http://henriquepedro.blogspot.com.br/

Imagem 1: Guarda do Embau
Imagens 2 e 3: Praia da Pinheira

08 abril 2012

Quietude


Que poema de paz agora me apetece!
Sereno,
Transparente,
A sugerir somente
Um rio já cansado de correr,
Um doce entardecer,
Um fim de sementeira.
Versos como cordeiros a pastar,
Sem o meu nome embaixo, a recordar
Os outros que cantei a vida inteira.

Miguel Torga
 in Antologia Poética


 Imagens: Garopaba, Praia da Pinheira e Guarda do Embaú

05 abril 2012

Ressurreição



Não havia mais dia ou noite
Janelas trancadas, relógios quebrados
Fome e sono adiados até os limites do corpo
Alimentou-se de palavras
Até o quarto ficar pequeno
E vazio
Só então abriu as janelas
E mostrou as asas
Finalmente fortes
Sorriu... e se entregou ao vento.

Jeane Bordignon

31 março 2012

O sonho



O sonho é a ponte
Que vai do infinito ao infinito,
É a medida sem comparação,
É a presença do que se imagina.

... Sonhar talvez só seja
Reconhecer o que já nem a alma sinta
Nem o próprio pensamento veja.

Ana Hatherly


Imagens da Costa da Lagoa

24 março 2012

Fim de Verão


Chegam as primeiras chuvas anunciando
o fim de um tempo escaldante de verão.
Distanciam-se os dias de luar e cio,
fica o canto, a vibração, a nostalgia,
fragmentos de risos, sonhos e ilusão.

A praia sem a obrigação de ser verão,
serenamente perde-se na linha do horizonte.
Os dias continuarão mornos e ensolarados.
E ao fim da tarde o sol fará sua despedida
em coloridos raios até morrer atrás do monte.

Um vento errante há de vagar sobre a praia,
anunciando teatralmente o fim da estação,
soprando emoções quebradas na areia,
como a despedida dos amores de verão.
 
Termina temporada, termina o verão,
Recolhe-se a rede, o guarda sol, a esteira,
Recolhem-se as sereias e musas do mar,
Fim de viagem, morre a estação derradeira...

Sônia Schmorantz


Imagens do Passeio pela Costa da Lagoa

21 março 2012

Canção de Outono


O outono toca realejo

No pátio da minha vida.

Velha canção, sempre a mesma,

Sob a vidraça descida...


Tristeza? Encanto? Desejo?

Como é possível sabê-lo?

um gozo incerto e dorido

de carícia a contrapelo...


Partir, ó alma, que dizes?

Colhe as horas, em suma...

mas os caminhos do Outono

Vão dar em parte alguma!


Mário Quintana




Imagens 1 e 2: Praia da Ferrugem - Garopaba/SC









Costa da Lagoa, Florianópolis, SC

17 março 2012

Delicadeza


A alma é invisível,
um anjo é invisível,
o vento é invisível,
o pensamento é invisível,
e no entanto,
com delicadeza,
se pode enxergar a alma,
se pode adivinhar o anjo,
se pode sentir o vento,
se pode mudar o mundo com alguns
pensamentos…

Roseana Murray


Imagens da Costa da Lagoa

13 março 2012

Intensamente



As vezes preciso viver
 
a minha intensa mente 
imaginativa, 
criativa 
e louca
para dar 
á vida 

novos sentidos, 
para jamais ter 
uma tensa mente... 

Francis Perot 


08 março 2012

Feliz Dia da Mulher




Nada mais contraditório do que ser mulher
Mulher que pensa com o coração, 
Age pela emoção e vence pelo amor.

Que vive milhões de emoções num só dia e transmite cada uma delas, num único olhar.

Que cobra de si a perfeição
E vive arrumando desculpas para os erros, 
Daqueles a quem ama.


Que hospeda no ventre outras almas, dá a luz
E depois fica cega, diante da beleza dos filhos que gerou.

Que dá as asas, ensina a voar, mas não quer ver partir os pássaros, mesmo sabendo que eles não lhe pertencem.

Que se enfeita toda e perfuma o leito, 
Ainda que seu amor nem perceba mais tais detalhes.


Que, como uma feiticeira, 
Transforma em luz e sorriso as dores que sente na alma, 
Só pra ninguém notar.


E ainda tem que ser forte, 
Para dar os ombros para quem neles precise chorar. 

(desconheço autoria, a quem couber gentileza informar)

As imagens de hoje são de minha mãe, Wilma, pelo dia da mulher e por seu aniversário amanhã, dia 09. O exemplo mulher da minha vida!

01 março 2012

Canção


Se a lua e o sol forem limpos
e houver festa pelo mar
- ir-te-ei visitar.

Se o chão se cobrir de flor,
e o endereço estiver claro,
e o mundo livre de dor
- ir-te-ei ver, amor.

Se o tempo não tiver fim,
se a terra e o céu se encontrarem
à porta do teu jardim
- espera por mim.


Cantarei minha canção 
com violas de eternamente 
que são de alma e em alma estão.
- De outro modo, não.

Cecília Meireles

Imagens da Praia dos Ingleses

Quem sou eu

Minha foto
Gaúcha, nos pampas nascida Um grande sonho acalentei Morar numa ilha encantada Cheia de bruxas e fadas. Nessa terra cheia de graça Onde se juntam todas as raças, Minha ilha lança ao poente O azul espelhado da lagoa, O verde silêncio das montanhas, O rumorejar de um mar azul Que beija apaixonado a areia da Minha ilha de renda poética. Não importa se há sol ou chuva, A mágica ilha é sempre azul, Fica gravada na alma e Quem aqui vem sempre vai voltar, Para descobrir novos caminhos, Novos destinos, pois Esta magia nunca irá acabar.
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