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31 outubro 2010

Para ti


Foi para ti que desfolhei a chuva
para ti soltei o perfume da terra
toquei no nada
e para ti foi tudo
Para ti criei todas as palavras
e todas me faltaram
no minuto em que talhei
o sabor do sempre
Para ti dei voz
às minhas mãos
abri os gomos do tempo
assaltei o mundo
e pensei que tudo estava em nós
nesse doce engano
de tudo sermos donos
sem nada termos
simplesmente porque era de noite
e não dormíamos
eu descia em teu peito
para me procurar
e antes que a escuridão
nos cingisse a cintura
ficávamos nos olhos vivendo
de um só amando de uma só vida.


Mia Couto



7 comentários:

Ivana disse...

Sônia,
Essa música, esse poema e essas lindas fotos é tudo que precisamos para terminar bem o domingo. Um abraço, com toda a minha amizade.

Nikezenha disse...

Fotos lindas..cenario lindo..blog perfeito..parabens

Dora Regina disse...

Sempre que passo por aqui encontro poesias carregadas de sentimentos e emoções.
Beijinhos e uma boa semana!

mARa disse...

Sonia, sempre bom ler o que escolhes, sempre lindo e com as imagens mais lindas. Tira-nos o fôlego. Obrigada!

bjo!

ARO disse...

Qué gratas son estas visitas...

Priscila Rôde disse...

Um show de imagens e bons versos!

Graça Pereira disse...

Lindo este poema de Mia Couto que me surpreende sempre.
A sua poesia coaduna-se bem com a configuração da ilha e a música, encaixa todas as peças no seu lugar...
Beijo e uma boa semana.
Graça

Quem sou eu

Minha foto
Gaúcha, nos pampas nascida Um grande sonho acalentei Morar numa ilha encantada Cheia de bruxas e fadas. Nessa terra cheia de graça Onde se juntam todas as raças, Minha ilha lança ao poente O azul espelhado da lagoa, O verde silêncio das montanhas, O rumorejar de um mar azul Que beija apaixonado a areia da Minha ilha de renda poética. Não importa se há sol ou chuva, A mágica ilha é sempre azul, Fica gravada na alma e Quem aqui vem sempre vai voltar, Para descobrir novos caminhos, Novos destinos, pois Esta magia nunca irá acabar.

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