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10 dezembro 2014

A Vida...

Não temos postado muito, porque depois de uma queda tive meu punho direito quebrado,  Braço direito engessado a quase duas semanas e agora ainda os médicos acham necessário uma cirurgia para colocação de fios, que possam garantir sensibilidade e capacidade de apreensão.
Os amigos tem garantido seu apoio e a minha mão esquerda tem feito muito além do seu papel quando insisto em escrever e a continuar fotografando...é a vida! Mas em algum dia, em algum momento, estarei restabelecida!
Tenham um feliz natal!



A  vida não é, antes de mais, consumir, mas percecionar, sentir, provar e saborear. Não é a quantidade de coisas que eu tomo para mim que decidem se eu vivo realmente, mas o modo como eu perceciono e experimento aquilo que me é oferecido. Tem a ver, sobretudo, com a intensidade da vida. E essa precisa de sossego, serenidade, liberdade, admiração, entrega àquilo que verdadeiramente é importante. 
Anselm Grün.








28 novembro 2014

Balões...




Um dia acordamos e nos damos conta de que viver é tão efêmero. Tudo acontece tão rápido...
É quando constatamos que a chama da vida é uma ampulheta escoando seu fluído de calor e luz para cima, contrariando a gravidade.
A vida é uma estrada de inevitável destino, que reserva a mesma chegada a todos os homens, bons ou maus, não importando o que façam.
Então, talvez o segredo resida na travessia.
Fazer o caminho valer a pena, abandonando os pesos da preocupação, ansiedade, medo e insegurança.
Viver intensamente, nessa perspectiva, é segurar firme o tênue fio que une balões de gás coloridos, aparentemente frágeis, e permitir-se voar no infinito dos sonhos...
Esses balões são das cores que nossos corações souberem pintar.

Moacir Willmondes.



15 novembro 2014

Não achas que chegou a hora?



Não achas que chegou a hora? 
Um dia ainda me dizes que já não há nada, mais nada no lado de fora do tempo. 
Os anos, sabes? Essa maré que nos salva e afoga, que ora nos traz, ora nos leva, o amor ou a dor. Sempre o amor ou a dor… ou um lugar, ou a hipótese de um lugar.
(...) à dádiva de ver para lá e para cá, os navios, o mar, estes pássaros que o sol arrasta. esta luz antiga em que crescemos. 
Que nos escreveu na pele o costume de adormecer e despertar como se as horas chegassem de dentro e morressem ainda mais dentro e isso fosse a marca, a escritura solene que te torna dono do que sempre te pertenceu.

Gil T. Sousa



11 novembro 2014

Amor


Amor significa aprenderes a olhar para ti próprio,
Da mesma maneira que olhamos para coisas distantes,
Para ti és apenas uma coisa entre muitas.
E aquele que assim vê, cura o seu coração,
Sem o saber, de vários males -
Um pássaro e uma árvore dizem-lhe: Amigo.

Depois ele quer usar-se e às coisas,
De modo que permaneçam no brilho da maturidade.
Não importa se ele sabe o que serve:
Aquele que serve melhor nem sempre compreende.

Czeslaw Milosz.





15 outubro 2014

Daqui a um ano...





Daqui a um ano
podem acontecer muitas coisas:
encontrarmos o amor da nossa vida,
perdê-lo (uma vez mais talvez),
ou descobrir que, apesar de tudo,
não nos fazia assim tanta falta.

Daqui a um ano
hão-de acontecer muitas coisas:
os pesadelos deixarão de o ser de repente,
arranjaremos pesadelos novos,
ou descobriremos que, apesar de tudo,
é o medo nosso (e não os pesadelos).

Daqui a um ano é tanto tempo.

Berna Wang.



27 setembro 2014

Tinha paixão?


Li algures que os gregos antigos...
quando alguém morria perguntavam apenas:
tinha paixão?
Quando alguém morre também quero saber 
da qualidade da sua paixão:
se tinha paixão pelas coisas gerais,
água,
música, 
pelo talento de algumas palavras 
para se moverem no caos,
pelo corpo salvo dos seus precipícios 
com destino à glória,
paixão pela paixão,
tinha?
E então indago de mim se eu próprio tenho paixão,
se posso morrer gregamente, 
que paixão?

Herberto Helder.




12 setembro 2014

Das coisas que não existem...


Uma coisa que me põe triste
é que não exista o que não existe.
(Se é que não existe, e isto é que existe!)
Há tantas coisas bonitas que não há:
coisas que não há, gente que não há,
bichos que já houve e já não há,
livros por ler, coisas por ver,
feitos desfeitos, outros feitos por fazer,
pessoas tão boas ainda por nascer
e outras que morreram há tanto tempo!
Tantas lembranças de que não me lembro,
lugares que não sei, invenções que não invento,
gente de vidro e de vento, países por achar,
paisagens, plantas, jardins de ar,
tudo o que eu nem posso imaginar
porque se o imaginasse já existia
embora num lugar onde só eu ia...

Manuel Antônio Pina.




24 agosto 2014

Sou...



Sou a que
Encalhou exausta em ilhas inóspitas
E aportou sem ancora a portos sem fundo
Sou eu
A que enfrentou as ondas
E trovões e ventos
E habitou castelos de cristal e luz
Que ruíram sempre em nuvens de nada
E se foram enredando em círculos de fogo
Como se os deuses estivessem atentos
Aos secretos mundos
Em que não vivi...

Graça Maria Antunes.






22 agosto 2014

Desejo-te


Desejo-te um canto de pássaros
Perfume de lírios nas tardes mornas
Uma primavera para te acordar
Bem-te-vis teus dias azuis.

Não ter pressa para me deixar
Vento manso como brisa te afagar
E se tudo isso não trazer o riso
Ignora o viver no paraíso.

Viajo nas palavras procurando ideias
Bebo entendimentos em taça de cristal
Num sentimento de antigas lembranças
Corro para a vida por sua infinita beleza.

VanyCampos.



11 agosto 2014

Meu coração não é maior que o mundo



Não, meu coração não é maior que o mundo.
É muito menor.
Nele não cabem nem as minhas dores.
Por isso gosto tanto de me contar.
Por isso me dispo,
por isso me grito,
por isso frequento os jornais, 
me exponho cruamente nas livrarias:
preciso de todos...



Carlos Drummond de Andrade.





26 julho 2014

Envelhecendo...


Ser velho é talvez ter salas iluminadas
Dentro da cabeça e, lá dentro, 
gente a representar.
Gente que se conhece, mas cujo nome nos escapa;
Cada vulto responde a uma perda profunda, assomando
A uma porta conhecida, 
pousando uma vela, sorrindo
Das escadas, tirando um livro da estante; 
ou por vezes
Se as próprias salas, cadeiras e uma lareira acesa,
O vento no arbusto para lá da janela, ou a débil
Simpatia do sol na parede, num solitário
Fim de tarde de Verão, depois da chuva. 
É onde eles vivem:
Não aqui e agora, mas onde tudo aconteceu em tempos.
Por isso é que eles têm
Um ar de ausência perplexa, 
tentando estar lá
E contudo estando aqui...


Philip Larkin



15 julho 2014

Falo da natureza


Falo da natureza 
E nas minhas palavras vou sentindo 
A dureza das pedras, 
A frescura das fontes 
O perfume das flores 
Digo, e tenho na voz 
O mistério das coisas nomeadas. 
Nem preciso de as ver 
Tanto as olhei, 
Interroguei, 
Analisei 
E referi, outrora, 
Que nos próprios sinais com que as marquei 
As reconheço, agora. 

Miguel Torga.






28 junho 2014

Noite


Acordamos com a franja da noite
a deixar entrever restos de sonhos.
Imagens incoerentes, tempos vivos
de mortos, absurdas torres, e a fala
mil vezes repetida, alucinada,
em demanda de abrigo, num limiar
de opala.


Na alegria e na tristeza, restos de sonhos
alimentam a poeira da casa, da estrada,
incandescente às vezes, branca, fria,
quando a noite volta e se derrama.


Licínia Quitério.



16 junho 2014

Há coisas...


(...)
Há coisas da gente que a gente sufoca,
No exato gesto de tapar a boca;
Escondemos as mãos e fechamos o riso,
E só nos abrimos se não for preciso.

Prometo a mim próprio andar à altura
Dos ventos e velas por onde me meço.
Sou grande devoto da coisa loucura,
Por ser o que sou         
pecador me confesso.

Saí dos limites do tempo.
Sonhei que não estava acordado.
Cantei contra tudo o que é lento,
Dancei com a esperança ao meu lado.

Dancei que parecia mentira.
Cantei que parecia verdade.
Sonhei o melhor que sabia.
Saí para lá da vontade.
....sonhei.


Fernando Tordo.



31 maio 2014

Pensamento à toa...


O pensamento à-toa
Que se perde no espaço.
E
além, sem deixar traço
De si, o olhar que voa.

Um invisível fio.
O equilíbrio de uma ave
Na vertigem suave
Do voo no vazio.

Sob a aparente calma,
Esta inquieta, esta aflita
Vacuidade infinita
Para o respiro da alma...


Dante Milano 



24 maio 2014

É sempre bom ler Vinicius...



Passem-se dias, horas, meses, anos
Amadureçam as ilusões da vida
Prossiga ela sempre dividida
Entre compensações e desenganos.

Faça-se a carne mais envelhecida


Diminuam os bens, cresçam os danos
Vença o ideal de andar caminhos planos
Melhor que levar tudo de vencida.

Queira-se antes ventura que aventura
À medida que a têmpora embranquece
E fica tenra a fibra que era dura.

E eu te direi: amiga minha, esquece...
Que grande é este amor meu de criatura
Que vê envelhecer e não envelhece.

Vinicius de Moraes.


13 maio 2014

Parte...


Parte, e tu verás 
Como as coisas que eram, não são mais 

E o amor dos que te esperam 
Parece ter ficado para trás 
E tudo o que te deram 
Se desfaz. 



Parte, e tu verás 
Como se quedam mudos os que ficam 
Como se petrificam 
Os adeuses que ficaram a te acenar no cais 
E como momentos que passaram apenas 
Perecem tempos imemoriais. 



Parte, e tu verás 
Como o que era real, resta impreciso 
Como é preciso ir por onde vais 
Com razão, sem razão, como é preciso 
Que andes por onde estás. 

(...)

Vinicius de Moraes.




Quem sou eu

Minha foto
Gaúcha, nos pampas nascida Um grande sonho acalentei Morar numa ilha encantada Cheia de bruxas e fadas. Nessa terra cheia de graça Onde se juntam todas as raças, Minha ilha lança ao poente O azul espelhado da lagoa, O verde silêncio das montanhas, O rumorejar de um mar azul Que beija apaixonado a areia da Minha ilha de renda poética. Não importa se há sol ou chuva, A mágica ilha é sempre azul, Fica gravada na alma e Quem aqui vem sempre vai voltar, Para descobrir novos caminhos, Novos destinos, pois Esta magia nunca irá acabar.

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