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31 dezembro 2008


Eu só quero silêncio neste porto
Do mar vermelho, do mar morto

Perdida, baloiçar
No ritmo das águas cheias

Quero ficar sozinha neste espanto
Dum tempo que perdeu a sua forma

Quero ficar sozinha nesta tarde
Em que as árvores verdes me abandonam.


Sophia de Mello Breyner Andresen

30 dezembro 2008


Para ganhar um belíssimo Ano Novo
Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumidas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.

Para ganhar um Ano Novo que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.

Carlos Drummon de Andrade

Do amor conheci todas as ausências...
todas as tolerâncias e todas as minhas carências!
No amor...descobri todas as harmonias
todas as fantasias e todas as suas alegrias!
Do amor eu encontrei toda a solidão...
toda a paixão e toda a minha salvação!
No amor distingui todos os prazeres
e todos os dizeres e todos os seus deveres.
Do amor eu conheci todos os queixumes...
todos os seus perfumes e todos os meus ciúmes!
No amor eu vivi todos os delírios...
e todos os martírios;
todos os beijos e todos os nossos desejos!
No amor derramei todas as lágrimas...
declarei todas as máximas!
também encontrei todas as flores
com todos seus odores!
No amor deparei com todos os mistérios
e todos os seus critérios!
E todos eu levei...apaixonadamente...a sério!

Do amor desvendei todas as mágicas...
usei todas as táticas e descobri todas
as cartas enigmáticas!
No amor encontrei toda ternura...
toda candura e todas as desventuras!
No amor encontrei toda a riqueza...
toda a leveza e toda a sua pureza!
Do amor percebi toda sua magnitude...
toda a sua juventude e toda sua inquietude!
No amor eu encontrei todos os sabores...
todos os calores e todos os dissabores!
No amor busquei tudo que ele nos traz :
todo bem que ele nos faz...
E de todo o seu Universo descobri a Paz

(Marilena Frade)

Preciso do teu silêncio
cúmplice
sobre minhas falhas.
Não fale.
Um sopro, a menor vogal
pode me desamparar.
E se eu abrir a boca
minha alma vai rachar.
O silêncio, aprendo,
pode construir. É um modo
denso/tenso
- de coexistir.
Calar, às vezes,
é fina forma de amar.

Affonso Romano de Sant'Anna

29 dezembro 2008

A vida


E a vida desliza,
tão macia e lenta
tão cheia de luz,
tão cheia de graça
como as águas tranquilas
dum rio que caminha em direção ao mar...
Esse mar que o espera
para o abraçar.
E o vento que sopra
quando o dia amanhece
vem roubar meus sonhos
e os leva para longe,
percorrendo vales,
subindo montanhas
e então acontece
que eles se dispersam em mil asas brancas
que voam planando
e por fim mergulham
no meio do mar...
Esse mar que os espera
para os abraçar...

http://mar-la-vento.blogspot.com/

Achei uma pétala
No meio do livro
Que eu tinha
Quando ainda lia você,
Mas sempre que se abrem páginas
onde secaram pétalas,
A brisa acode
Para que esses despedaços
de flores voem vivos
E morram em paz.
E em paz, despedaçados,
Leremos outras folhas
Como se fossem
as de um romance novo
Sem marcas de pétalas secas...

(Autor desconhecido)

28 dezembro 2008


Há entre a promessa e o sonho,
um amanhecer azulado de lírio,
um cheiro morno de colo,
um suspiro de espera.
Há entre nossas vidas um laço de vida
nenhuma que se ata além do apreensível.
Há entre mim e ti um tanto de espaço
que se dobra e nos junta
como se reordenasse todas as coisas.
E então eu adivinho teu sorriso
e tu intuis o meu olhar.
Eu pressinto teus lábios e tu imaginas meu corpo.
Eu sonho teu gosto e tu prevês minha entrega.
Há entre o delírio e o real, um tanto de nós
que já existe, agora.

Ticcia

A alegria é uma asa
Sem o pássaro,
Uma chama que abrasa
Sem sopro.
A água corrente livre
Sem destino
Um chamado que se ouve
Sem o sino.
De repente ela chega
E é um manto estendido
Todo azul.
De repente ela some,
E é um canto disperso
Rumo ao sul.


http://www.raulgil.com.br/

27 dezembro 2008


E é esse o calar das asas
que voa num adejar em mim
pelas brisas soltas de uma Rosa Jasmim de mar
que fazem o pousar dos teus olhos
no teu rosto levado por ti no Azul Flor
de um teu descansar nos olhos de um olhar sem fim
esse que te trago num sonho meu de um dia
poder ser também eu como o mar
como o mar onde desaguassem os teus segredos
que assim guardado e calado eu seria
como os sonhos por sonhar
que guardas calada e eu calaria
para que em todos os sonos
eu te desenhasse neles a ternura
de um de sempre acordar assim acordada
e que fosse nos teus olhos a candura
onde pudesse eu ver-te assim
nela tão profunda e sonhada em mim
como se uma cor tua em mim viesse
assim sempre refletida de ti
por tanto ela sentir pelos dias
que levas tu em ti de mim
todas essas cores com que
te fazes assim por mim amada
nesse sempre tão sonhada
e terna de uma única madrugada
eterna em mim e só por ti acordada...

http://amrd.blogspot.com/2007_05_01_archive.html

26 dezembro 2008


Eu só queria ser…
Um sol resplandecente na tua praia
Uma lua cheia na tua noite
Uma visão iluminada para o teu olhar
Um sopro de brisa fresca na tua tarde
A única flor a despontar no teu jardim

Um poema terno que aprendesses de cor
E nos dias frios recordasses
Um sorriso-ave que te encantasse
E te fizesse bater asas
Para outro espaço,
Sempre a meu lado.

RA

Toque-me onde sou luz
E desconheço o fim.
Abismos e precipícios
Profundos em mim.
Flores brotando em alegria
Profusa e graciosa
Em meu jardim.

Toque-me onde o real
Cria a poesia, onde
O desejo é melodia
E a vida é atrevimento.
Sentido e sentimento
Em tuas mãos.
Toque, toque uma vez mais
O meu coração.

Karla Bardanza

25 dezembro 2008


Anoitece no tempo
mas os sonhos permanecem:
azuis,
silenciosos,
necessários.
E a cada respirar dos
relógios,
lembro de emoções
que não podem ser apagadas,
fortes companhias
para não esquecer
do frasco de estrelas
que mora dentro de nós.

Wilmar José Matter

24 dezembro 2008

É só um poema...


Não tenhas medo, ouve:
É um poema.
Um misto de oração e de feitiço...
Sem qualquer compromisso,
Ouve-o atentamente,
De coração lavado.
Poderás decorá-lo
E rezá-lo
Ao deitar,
Ao levantar,
Ou nas restantes horas de tristeza.
Na segura certeza
De que mal não te faz.
E pode acontecer que te dê paz...


Miguel Torga

22 dezembro 2008


Guardei-me como um segredo
Para que teu tempo fosse o meu
Para que meu tempo fosse agora.

Guardei-me como a pérola na ostra
Para que o mar ficasse calmo
Para que as pedras não me vissem.

Guardei-me como as flores no inverno
Em pequeno botão
E atrás das folhas.

Guardei-me como um livro fechado
Para a leitura inteira
E completa.

Guardei-me no amor silenciado
Para a reconstrução das velas em vento
Guardei-me para ti.

Léa Ferro

21 dezembro 2008


Se te pareço ausente, não creias:
Hora a hora o meu amor agarra-se aos teus braços,
Hora a hora o meu desejo revolve estes escombros
E escorrem dos meus olhos mais promessas..
Não acredites neste breve sono;
Não dês valor maior ao meu silêncio;
E se leres recados numa folha branca,
Não creias também: é preciso encostar
Teus lábios em meus lábios para ouvir.
Nem acredites se pensas que te falo:
Palavras
São o meu jeito mais secreto de calar.

Lya Luft

20 dezembro 2008

ESPERA


Espera aquele que se abraça, como se fossem dois.
São frágeis e fortes, são duplos, mas são um...
Espera o que ouve o coração encantado,
Apesar de ser um, tem movimento e dança...
Espera o que sente o vento a formar piruetas
De lembranças no ar...
Quem espera não tem pressa, faz parte da paisagem...
Quem espera rebusca saudade, aconchegado em silêncio.
Tem saudades de coisas que nem sequer conhece... Mas
Quem espera nunca está só,
Há sempre um silêncio de aceitação,
Como aceita o amor que resiste ao tempo, pois
Quem espera nunca está só,
faz parte da solidão de quem passa.

Sônia
(inspirado em poema de Walden Carvalho)

18 dezembro 2008



Faz uma dobra no mar
e deixa que a tua praia
venha ao encontro da minha.
Ficarás então mais perto,
será mais breve o deserto
que terás de atravessar.

Traz ao ombro uma gaivota
que eu te levo uma andorinha.
Dá-me conchas e corais
que eu te dou ramos de olaia.

Faz uma dobra no mar
e deixa que a tua praia
venha ao encontro da minha.


Fernanda de Castro


Embora sempre tenha sonhado em ser passarinho.
Voar bem livremente, na desmedida amplidão...
Fiz-me etérea, plena, quis escrever meu destino
Queria viver meu sonho casto, paz no coração

Com pequenos galhinhos, construí meu ninho
Lá feliz me aconchegava, preenchendo meus vãos.
A liberdade acabou, quando errei o caminho...
E com a fé inspirada em nadas, voei na contramão

Por viver sem saber, o quanto a vida vai durar
Fui atrás dos meus sonhos, a realidade burlando
Vivi desejos, amei sem limite, uma asa fraturando

A paz rara que construí, desvaneceu-se no ar
É pura ilusão querer respirar outra aragem
Se.levo na mochila, sempre a mesma bagagem...

Glória Salles
http://omarmencantacompletamente.blogspot.com/

16 dezembro 2008


Canto-te para que tu definitivamente existas
Canto o teu nome porque só as coisas cantadas
realmente são e só o nome pronunciado inicia
a mágica corrente
Canto o teu nome como o homem fazia eclodir
o fogo do atrito das pedras
Canto o teu nome como o feiticeiro invoca
a magia do remédio
Canto o teu nome como um animal uiva
Como os animais pequenos bebem nos regatos depois
das grandes feras
Canto-te
e tu definitivamente existes nos meus olhos
Sempre abertos porque é sempre os meus olhos
são os olhos da criança que nós somos sempre
diante da imensidão do teu espaço

Canto-te
e os meus olhos sempre abertos são a pergunta
instante pendente de eu te interrogar
e interrogo as coisas em seu ser noturno
em seu estar sombriamente presentes na tua claridade
obscura
E como é sempre
meus olhos abertos perscrutam-te
símbolo de tudo o que me foge
como apertar o ar dentro das mãos
e querer agarrar-te
oh substância
Canto-te
Para que tu existas
E eu não veja mais nada além de ti

Ana Hatherly

15 dezembro 2008


Gosto de ti apaixonadamente,
De ti que és a vitória, a salvação,
De ti que me trouxeste pela mão
Até ao brilho desta chama quente.

A tua linda voz de água corrente
Ensinou-me a cantar... e essa canção
Foi ritmo nos meus versos de paixão,
Foi graça no meu peito de descrente.

Bordão a amparar minha cegueira,
Da noite negra o mágico farol,
Cravos rubros a arder numa fogueira!

Eu eu, que era neste mundo uma vencida,
Ergo a cabeça ao alto, encaro o Sol!
- Águia real, apontas-me a subida!

Florbela Espanca

13 dezembro 2008



As sombras
São vivências entumecidas,
Passado ou presente eloquente,
Leito de lembranças queridas,
Partículas distintas da vida
Que se calam e se sentem!

As sombras
São pedaços de tempo
Eternizados em meu olhar,
São momentos e tão somente
Colírios do pensamento
Em que me deixo navegar...

Ana Martins

11 dezembro 2008


Um dia destes, pela tardinha
ao pôr do sol
vou pôr nas tuas as minhas mãos.
Quero senti-las belas, longas e esguias
tocar nas minhas sinfonias
em si bemol.
Um dia destes, pela tardinha
ao pôr do sol
quero que ponhas toda a ternura
nas pontas dos teus dedos
e com eles toques meus lábios
desvendes meus segredos
e com eles desenhes claves de sol
nos meus cabelos.
Um dia destes, pela tardinha
ao pôr do sol
vou pôr nas tuas as minhas mãos
para que nelas possas ler
na minha sina
esta paixão imensa, desmedida
este enorme si bemol
na clave de sol da minha vida ...

http://comorosasdeareia.blogspot.com/

As primeiras luzes de natal invadem ruas e casas,
Somos convidados a abrir nosso espaço interior,
A abrir os arquivos do nosso coração criança...
Percebo então a importância das pessoas que
Estão ao meu lado, nesta ou em outra dimensão,
A falta que fazem, os espaços vazios que deixaram.
Impossível não deixar cair algumas lágrimas,
Quando no breu da noite cintilam as pequenas luzes
E a gente vê nelas todas as histórias de outros natais....
Nossos pais, que de velhinhos partem,
Nossos filhos, que moços também querem partir,
Nossos amigos que a vida se encarrega de distanciar,
Os amores que acabam e recomeçam sem que haja porquês,
Cada qual no seu tempo....
Há natal no sorriso das pessoas que andam apressadas
Com suas sacolas e seus presentes...
Há natal nas ruas enfeitadas, em cada casa iluminada,
Há natal nas luzes e estrelas do céu...
Mas dentro de casa não é preciso mais limpar a chaminé,
Já não há mais tantos pacotes e burburinhos...
E a árvore de natal vai ficando menor,
Pela ausência deles....

Sônia

09 dezembro 2008



Quando as mãos deslizam no teclado
Mesmo cansadas da lida
As palavras percorrem matizes
Do tempo e da saudade
Em busca de suas razões...
A cada minuto a alma se confessa
Confusa, saudosa e muda
Pela fugacidade da vida.
Alma instável, sem o mar
Para cobrir de sombras e cores,
Com saudades das pessoas
Que amava e se foram...
Triste alma de poeta
Que amando se desnuda
Que silenciada se cala...
Vazios, ausentes,
luz apagada
Ninguém em casa...

Sônia

08 dezembro 2008


Esse amor é semente de raiz profunda
Tem vida no olhar, onde traz confiança.
É rio nascendo pra irrigar tua ternura
Se lança em teu chão, fertiliza a esperança.

Acreditando então, nesse rubro poente.
Viva esse amor tão saudável, e nutrido.
Que percorre límpido e livre tuas veias
Colha o viço palpável desses dias floridos

Esse amor que não pede juras eternas
Dócil, mas forte, que cresce entre espinho.
Transbordando a alma, irrigando o caminho.

Sazonado e frutífero, esse amor se rende.
Porque há tempos, no tear desse sentimento.
Acreditando bordou esse lindo “Pra sempre”.

Glória Salles
http://omarmencantacompletamente.blogspot.com/

Se dos meus olhos desaba a luz
de perenes manhãs de sol
abrindo minhas cortinas,
é por saber de ti,
voz distante e rara.

Amo-te ainda hoje
e me visto de vermelho em manhãs assim
em que tua voz me desperta
(um fado em sonhos)
como se fora te encontrar.

Amo-te ainda e mais
de um amor sem asas, tecido de ausência
(e ânsia)
e me queria dentro dos teus sonhos
como te percebo nestas madrugadas.

Se desperto contigo,
canto o meu amor desvalido
e vou pelo dia, colorindo calçadas
com lembranças da noite e suas horas infindas
como se, enfim, tivesses vindo.

http://abrindojanelas.blogspot.com/

07 dezembro 2008

O Cantar do Vento



Escute esse cantar!
Vem de longe sacudir
Sobre as folhas da palmeira.
É um poema bonito
Que num misto de feitiço,
Qual criança num agito
Sacode, sorri e dança;
Traz o seu canto distante
Desperta e toda faceira.
Sem ter qualquer compromisso,
Somente o canto bonito,
Tal, qual a flor de laranjeira.
Deixa o coração lavado
Batendo tão agitado,
Numa alegria certeira.
É o vento, o nosso amigo
Vem rastreando a saudade
Trazendo felicidade
Descendo pela ladeira

http://bird.eternamente.zip.net/

06 dezembro 2008



O sol beija o mar e se despede,
Em seu lugar estará em breve a lua.
Refúgio dos solitários,
Encanto dos enamorados...
Pobre lua que do alto ouve as queixas
E talvez entenda de solidão.
Talvez entenda de amor...
Pobre lua que só sabe iluminar o mar.
Seu riso de prata seduz mas não responde
Aos pedidos que lhe fazem os
Solitários e os namorados...
Toda noite é assim, e
Quando o mar novamente acordar,
Haverá apenas pedaços de luar...

Sônia


O infinito a minha frente pede
Olhos mareados de horizontes,
Meus limites não diviso
Senão no que concebo da vastidão de mim.
Contenho extremos de estrelas de céu mar
Faz mistério de leste a oeste.
Gigantesca, aposso-me da brisa,
Do sol derramado,
Das peles que queimam verões.
Antes de chegar o amor e arrasar
Com toda simbologia marítima,
E me fazer crer que a imensidão vagante de mim
É você, que gira gira o sol,
Perfuma minha pele,
Gira gira o amor por dentro,
Do que contemplo nessa tarde já ida
De pássaros e de meninos.


http://www.sedeemfrenteaomar.blogger.com.br/

05 dezembro 2008


Quando, nos lábios, começa um continente,
suspenso no apelo líquido dos beijos,
há um barco que cresce nos meus olhos
e, entre búzios verdes, escrevo água.

Nunca a brisa se demora entre as dunas,
onde os barcos navegam sobre a espuma.

Tudo é secreto, se Maio se repete
nas marcas da pureza recusada.

Um rosto ou um rio me fascinam,
quando a raiva e o sossego
me revelam a nascente
e, no meio das palavras,
procuro apenas um gesto
ou uma sombra.

Graça Pires

04 dezembro 2008



Que dizer do tempo
hesitante de um poema
ou da forma magoada
de o escrever,
que dizer da voz
decidida do Poeta
ou do modo alterado
de o falar
e de o cantar,
que dizer de mim
e de ti
na noite de todos os poemas
dentro do tempo
dito de nós.

http://romasdapaula.blogspot.com/

03 dezembro 2008


Sozinho junto á beira do mar, refugio-me na sua música
Este som de mar calmo faz com que eu respire pausadamente.
Estou como se estivesse a ver um filme
Tem momentos que a cor se altera, vejo a preto e branco
Esses são os momentos em que eu estive menos atento.

Não me deixo levar pelo desânimo.
O filme Casablanca é a preto e branco.
Eu, com o meu pensamento caminho pela borda do mar.
Vou molhando os pés…

Espero alguém que distraidamente possa olhar para o meu caminhar
Que me abraça, sem que eu olhe para mim
Virá por vontade, para amar na praia de todos os sonhos.
Hoje, a tarde é de vento manso, mas de areia quente
O mesmo vento, a mesma areia, o mesmo amor.

Vem… aqui encontras o melhor som para todas as vidas
O som do mar...
Se quiseres...

http://osaldanossapele.blog.simplesnet.pt

30 novembro 2008

AMOR


é sentir saudade quando não estás junto a mim
é o passeio longo em que nos damos sem falar
é alimentar a alma numa refeição partilhada a dois
é comover-me quando me sussurras palavras do coração
é sonhar-te quando ouço uma canção
é rezar com a Fé inabalável que te sinto
é a tua boca com sabor a mel entre os meus lábios
é entregar-me a ti incondicionalmente
é um chapéu-de-chuva para os dois
é pararmos o tempo no relógio
é procurar um lugar para escutar a tua voz
é o criar de um mundo entre nós dois
é mimares-me... tu
e compreender-te... eu
é um espaço em que não há lugar
para outra coisa que não seja amar...
é algo entre Tu... e eu.

http://alquimiademim.blogspot.com/

29 novembro 2008

Mãos


Os nomes que dei às mãos
desenham-se tão perto de mim
que compreendo o desejo sem fantasmas.

Nos dedos principiam as marés
e neles se misturam o reflexo e a máscara
de regressos e errâncias por equacionar.

Os olhos não se fixam na geografia
visível das linhas. Os corpos deixam
de ser um cais. O mar estremece
nos ossos como um sismo.

O primeiro sinal de naufrágio
percebe-se na palma da mão
mesmo quando os barcos
passam ao largo do nosso desalento.

Rente à solidão.
Na trajetória do vazio
onde inventamos os sons.

Graça Pires

28 novembro 2008

INFINITO OLHAR



Me perco num infinito olhar
nas sinfonias da natureza
ao v o a r das coloridas folhas
e no ondear dos campos de trigo ...
abro o peito para tudo guardar
e neste caminho flores sempre plantar ...
me perco nas nuvens desenhando caminhos
nas luzes acendendo as pontas das estrelas
enquanto o sol aquece sorrindo os horizontes
e lua se abraça ao luar ...
nas aves tricotando ninhos
enquando os peixes se beijam em ondas
e os rios suavemente escorregam no mar ...
me perco neste infinito olhar ...

Maria Thereza Neves

26 novembro 2008


Sai-me dos dedos a carícia sem causa,
Sai-me dos dedos... No vento, ao passar,
A carícia que vaga sem destino nem fim,
A carícia perdida, quem a recolherá ?
Posso amar esta noite com piedade infinita,
Posso amar ao primeiro que conseguir chegar.
Ninguém chega. Estão sós os floridos caminhos.
A carícia perdida, andará... andará...
Se nos olhos te beijarem esta noite, viajante,
Se estremece os ramos um doce suspirar,
Se te aperta os dedos uma mão pequena
Que te toma e te deixa, que te engana e se vai.
Se não vês essa mão, nem essa boca que beija,
Se é o ar quem tece a ilusão de beijar,
Ah, viajante, que tens como o céu os olhos,
No vento fundida, me reconhecerás?

Alfonsina Storni

Entre canções e poesias
nem tudo lhe sacia, mas..
um beijo, lhe consome
o outro, mata a fome
da sede, de lhe viver
e na sede, de lhe saber
um beijo, leva o cansaço
o outro, cola os pedaços
que a vida, faz nascer
no amargo da boca
onde lhe faz louca
no leito, do amanhecer!

Entre canções
surgem as poesias
até nos botões
das rosas macias
e na dor
de um amor
mesmo em regaço
faz-se, em aço
a melodia!

Léa Ferro

24 novembro 2008


Tenho de começar a pensar na paisagem que
nasce dos olhos, quando se dirigem para esse ponto vago
em que os pássaros parecem voar dentro deles,
e não no próprio céu a que pertencem. O vento
nos cabelos, porém, afasta-me deste princípio
lógico; e sigo a sua direção, que acaba nos dedos
que contam a distância a que estamos,
a partir de uma tabuada que não tem fim. E
acendo um cigarro, para que o fumo envolva
o rosto num pressentimento de vida,
fazendo com as palavras pareçam sair
dos lábios que, no entanto, permanecem
fechados. E este perfil é tudo o que me resta
para imaginar o corpo amado, como se
ele fosse uma frase - feita a partir de
fragmentos, alinhados na mesa da estrofe,
numa atmosfera de silêncio.

Nuno Júdice

23 novembro 2008

Minha ilha chora....

Há dois meses chovendo sem parar em toda Santa Catarina, vieram as centenas de deslizamentos, a destruição e a morte de muitas pessoas que estão sendo soterradas... Esta terra maravilhosa hoje chora com a chuva. Seus acessos foram destruídos, seus moradores estão apreensivos e a natureza sofre com a violência das águas.
Mesmo assim esta é uma terra mágica, nesta ilha há um só rei: o Amor, há uma só lei: a Liberdade e por isso, esperamos que dias melhores venham, para que todos seus moradores possam voltar a viver em paz com sua natureza maravilhosa.



Minha Ilha
Lança-se o poente
Sobre o azul espelhado na lagoa
Onde mil lágrimas choveram
Deixando o pranto esvair-se
Entre as escarpas que abraçam este silêncio
Que teimosamente rasga as veias
Em trinados de saudade
Minha Ilha
Feita de proas
Largadas no manto de águas
Nas mãos a promessa
Na alma a certeza de um naco de pão
Que cale o tremor do amanhã
Minha ilha minha ilha
Adormecida em verdes silêncios
Onde o rumorejar da folhagem
É desejo ardente
De uma nova caminhada
Alma rendilhada
Nas veias de um poeta.

Eugénia Vieira

20 novembro 2008


Peguei nas cores da tela, fiz o poema
Das letras do poema uma pintura
Aquele fim de tarde, foi o tema,
Olhar feito de espanto e ternura.

Pousei minha tristeza na montanha
Que o encanto da paisagem desprendeu
De verde cubro o espaço que desenha
Teu rosto feito estrela lá no céu.

Entre as cores do silêncio desta tela
Suspende-se no azul a nostalgia
Diluindo as palavras na aguarela

Do instante em que nasce a poesia.
A pintura é poema a acontecer
Sobre a tela deste meu entardecer!

Odete Nazário

19 novembro 2008

FIM DE TARDE


Adormece o dia em quietude;
a tênue luz ainda te afaga...
Peço aos céus que em nada nos mude;
E que a noite conforto nos traga.

Que o amor em sua magnitude;
seja ofertório em nossas plagas,
apartando-nos da inquietude
que por vezes a alma embriaga.

Sobre o teu corpo os raios doirados,
do sol que se oculta inconteste,
reveste-te de um tom acentuado
a contrastar com os verdes ciprestes,
Quem me dera estar ao teu lado.
repletos do amor que nos aquece...

Jorge Linhaça

16 novembro 2008


Não sei onde estás
Porque aqui há sol e céu azul
E um vento leve no rosto
Há um relógio constante
Que limita o tempo
E um sonho atrás do olhar
Mas sei que brincas e ris
A onde estiveres e mais ainda, talvez
Um mar tranqüilo e branco de paz
Com um abraço terno
Ou a saudade eterna
De quem fica
Ou apenas
De quem espera
E nada mais

Benedita Stingl

13 novembro 2008



Entre a serra e o rio compus meu ser
com pinceladas de cor
em tons de sonho e de ternura.
Entre a serra e o rio viajei nas asas do condor
a salvo de toda a amargura.
Entre a serra e o rio conheci o poeta e o pintor
ouvi histórias de encantar, vindimei cachos de suor
enfeitei minhas tranças de luar.
Entre a serra e o rio comi com a sua gente à mesma mesa
e no seu seio fui menina e no seu colo fui princesa.
Entre a serra e o rio, ao desatar meus laços
senti a poesia em mim bem fundo.
Entre a serra e o rio abri meus braços
e abracei o mundo...

http://comorosasdeareia.blogspot.com/

02 novembro 2008



Semeio palavras
nos inertes barcos
apodrecidos de vida
em cais adormentados
semeio palavras
inebriadas de medos
de avenidas roubadas
nas escondidas noites
semeio palavras
nos novos escravos
fáceis de dominar
vitimas consentidas
por um povo sem alma

poetaeusou

31 outubro 2008



Nao goste do amor,

Goste de alguem que te ame, alguem que te espere, alguem que te compreenda mesmo nos momentos de loucura; de alguem que te ajude, que te guíe, que seja seu apoio, tua esperança, teu tudo.

Goste de alguem que nao te traia, que seja fiel, que sonhe contigo, que so pense em voce, que so pense no teu rosto, na tua delicadeza, no teu espírito e nao no teu corpo nem n os teus bens..

Goste de alguem que te espere ate o final, de alguem que seja o que voce escolher.

Goste de alguem que sofra junto contigo, que ría junto a ti, que limpe tuas lágrimas, que te abrigue quando necessario, que fique feliz com tuas alegrías e que te de forças depois de um fracaso.

Goste de alguem que volte para conversar com voce depois das brigas, despois do desencontro, de alguem que caminhe junto a ti, que seja companheiro, que respeite tuas fantasías, tuas ilusoes. Goste de alguem que te ame. Nao goste apenas do AMOR, goste de alguem que sinta o mesmo sentimento por voce, que goste realmente de voce...

28 outubro 2008


Vontade de me confundir com as dunas e
sentir a àgua nos pés que me refrescam,
olhar o céu e misturar-me com o azul,
arrefecer dos dias quentes,
e descansar no azul que me veste por dentro,
sentir o sal,
correr e marcar pégadas onde nem o mar as leve,
voar ...voar ...
deitada na areia e construir um castelo de emoções,
que me arrebatam para outras viagens,
para outros sítios,
locais,
mais frios ou mais quentes,
que me levem ao imaginário das bolas de neve
quando tocadas pelas mãos,
essas que são as minhas nas tuas,
essas são as minhas dunas onde me deito.

http://farolnoventodonorte.blogspot.com/

27 outubro 2008

Quero mais


Visto estrelas cadentes
Calço ventos e marés
Bebo luas e sóis
Degusto riscos e traços
Penso linhas e pautas
Pinto sustenidos e bemóis
Falo olhares e abraços
Canto aquarelas e pincéis
Escrevo jardins e areais
Dormito livros e papéis
Sonho silêncios e risos
E quero ainda mais

http://perlustrar.blogspot.com/2008_07_01_archive.html

26 outubro 2008


A chuva de nosso amor é temporal,
Tempestade batendo forte,
Atrapalhando a respiração, dificultando a visão.
Vem de dentro o riso fácil.
Forças da Natureza mostrando as garras,
Em vez do medo, felicidade de não
ter sentido antes nada igual:
O inédito, o inesperado, por vezes reclamado,
Como a sensação da “chuva de nós dois”.
Correndo como dois jovens sob a tormenta da vida,
Brincando com o tempo e o tempo da idade.
Intensidade da relação,
acreditando no amanhã que virá virgem.
Percorrendo o paraíso e o abismo quase ao mesmo tempo.
O sonho deixando o brilho
estampado nas rugas do olhar,
Arriscando tudo como uma miragem,
a miragem de nós dois, apaixonados.

http://br.geocities.com/atelienb/2apaixonados.htm

25 outubro 2008


De repente
Tudo pinta
Uma loucura natural
Um tipo de sonho
que não acaba
Um tipo de frio
que não pede agasalho
De repente
o corpo balança
as mãos tremem
e o coração acelera
de repente e
nem tão de repente
solto sem querer
palavras que soam
como badaladas
de um sino
de repente
te amo
e de repente
sou teu.

Arthur

16 outubro 2008



Entre sem bater...
A chave está na porta!
Entre...
Invada este coração,
penetre seus labirintos,
desvende os seus segredos,
e amenize seus medos.
Entre...
Ocupe os espaços vazios,
e abra todas as janelas
para a felicidade.
Mas se não puder ficar...
Saia de mansinho,
sem machucar,
e deixe a chave no lugar!

Angel

04 outubro 2008

Cumplicidade


Os teus olhos são uma tentação
para quem tem a nobre ousadia
de, neles espelhando o coração,
se deleitar com a divina alquimia

Neles se encerra a doce química
que ao desesperado dá alento,
quando, já sem a força anímica,
chegado julga o último momento

Quando te olho tenho a sensação
de te conhecer há uma eternidade
e de ter sobrevivido a uma paixão

que em mim jaz e ecoa na saudade
onde o amor renasce e colhe a solidão
que no teu olhar se faz cumplicidade...


Lud MacMartinson

29 setembro 2008


De amor nada mais resta que um Outubro
e quanto mais amada mais desisto:
quanto mais tu me despes mais me cubro
e quanto mais me escondo mais me avisto.
E sei que mais te enleio e te deslumbro
porque se mais me ofusco mais existo.
Por dentro me ilumino, sol oculto,
por fora te ajoelho, corpo místico.
Não me acordes. Estou morta na quermesse
dos teus beijos. Etérea, a minha espécie
nem teus zelos amantes a demovem.
Mas quanto mais em nuvem me desfaço
mais de terra e de fogo é o abraço
com que na carne queres reter-me jovem.

Natalia Correia

O mundo diz-te alegre porque o riso
Desabrocha em tua boca, docemente
Como uma flor de luz! Meigo sorriso
Que na tua boca poisa alegremente!

Chama-te o mundo alegre. Ai, meu amor,
Só eu inda li bem nessa alegria!…
Também parece alegre a triste cor
Do sol, à tarde, ao despedir-se o dia!…

És triste; eu sei. Toda suavidade
Tão roxa, como é roxa uma saudade
É a tua alma, amor, cheia de mágoa.

Eu sei que és triste, sei. O meu olhar
Descobriu o segredo, que a cantar
Repousa nos teus olhos rasos d’água!

Florbela Espanca

28 setembro 2008


A luz mansa que emprestei de Quintana,
veio hoje me visitar
Tão calma, com mãos boas
Um afago
Um carinhar
E veio assim, essa luz mansa sobre mim
Como se eu fosse janela
Quarto
Sala
Varanda
Como se eu fosse Casa
A luz mansa vem de manhã
Quando tudo começa de novo
Quando os carros saem das garagens
Os comerciantes abrem as portas de ferro
Os pássaros estão escondidos, cantando
Então ela vem
E me ensina como é bom ser simples
Como sou simples de fato
Como só quero
Amanhecer devagar...

http://estripitizese.blogspot.com

23 setembro 2008

Perfume



Quando pela manhã se abrem as janelas
E entra a brisa da felicidade, isto é magia.
Quando se cheira uma rosa encantada
E se sente o perfume de um beijo ardente, isto é magia.
Quando os raios escaldantes do sol
Se transformam em fonte eterna, isto é magia.
Quando se mergulha nas gotas da chuva
E navegamos pela imensidão, isto é magia.
Quando se toca na cores quentes do por do sol
E descobrimos cânticos dourados, isto é magia.
Quando se vê no reflexo do brilho do luar
Os contornos íntimos da sua beleza,
Se sente o perfume ardente do teu beijo,
O calor penetrante da tua ternura,
A imensidão absorvente do teu carinho,
Isto é AMOR.

Jorge Viegas

21 setembro 2008


É preciso, pelo menos uma vez na vida,
ser o último a deixar a festa...
Dispensar os convidados antes de chegar a aurora.
Exorcizar os aposentos com galhinhos de arruda.
Desligar o som, fechar janelas e cortinas,
desenlaçar os reposteiros,
varrer da memória a algazarra das crianças
na calçada...
Dissipar o perfume das adolescentes.
Dispensar as frivolidades dos últimos abraços.
Recolocar no jarro aquela rosa
que esqueceram sobre a mesa.
E, finalmente, quando a noite
trouxer de volta o silêncio numeroso,
apagar definitivamente a luz...
Depois dormir...
Sonhar...
Despertar...
Viver... Viver...
Depois dormir...
E morrer... Como quem morre
definitivamente...
Para não incomodar
ninguém...

A. Estebanez

17 setembro 2008



O riso que ecoa no jardim das páginas mortas,
brancas, frias, imensas como rios parados,
é apenas um sopro de saudade
reencontrado na madrugada.
O pequeno infinito que assim passou,
Sem mapa, sem cor,
Apenas infinito, fez-se agora,
Momento deslizando lento,
Doendo, num pássaro cantando
nas páginas agora vivas
De um novo dia!

http://puzzleincompleto.blogspot.com/2008_05_01_archive.html

04 setembro 2008

Passarinhando (iou Quintaneando)



O tempo é escasso e as horas são vazias
há tanto o que fazer...e o tempo passa
O tempo é escasso e as horas são vazias

As areias da ampulheta escorrem aos olhos

O tudo se amontoa...e o tempo voa
nas horas vazias o nada me impregna
O tempo é escasso e as horas são vazias

Os ponteiros do relógio nunca param

Há tanto o que fazer...e o tempo passa
Sinto-me cheia, plena, abarrotada...do nada
O tempo é escasso...mas as horas...
as horas são tão vazias!

A vida urge, o mundo urge, o amor urge!

Tanto, tanto a fazer...e o tempo...passa...
E as horas são vazias...e o tempo é escasso...
e a areia escorre...e o nada se amontoa
e eu me sinto cheia...de tudo e de nada!

Mas a vida urge...
E o tempo voa...
E o nada, e o tudo, e as horas

Passam!

Eu...passarinho!

Moniquinha San
Publicado no Recanto das Letras em 05/07/2008
Código do texto: T1065327

31 agosto 2008


Ao som da música faço uma viagem
para dentro de mim mesma...
Uma viagem livre, sensitiva, sem censuras
como pés descalços nas águas do mar.
Não importa quantas pessoas estejam a minha volta,
vejo vultos que se movem, serpenteiam e
seguem para algum lugar...
Meus pensamentos insinuam-se,
dançam com a música e seguem rumo ao coração.
Viagem de olhos fechados,
sentindo o cheiro do mar...
Importa estar aqui
sentindo a cabeça rodar ao som abafado
da música no celular...
Mesmo cansada de tanto trabalhar,
agora volto para casa,
não quero sentir meus pés,
nem lembrar da vida medíocre,
quero a emoção de voar...
Quero ao menos no sonho
descansar sorrindo e me sentir importante,
para que minhas palavras não cessem,
nem se feche o meu sorriso
para que eu possa acreditar que
a vida é boa e eu mereço ser feliz...

Sônia Schmorantz

29 agosto 2008

Amor no outono da vida


Abro meus braços para o mar
Sinto meus pés afundarem na areia molhada...
Um imenso mar azul está à minha frente,
Refletindo gotas douradas pelo sol e areia.
Pensei em ti nesse momento e agradeci
Pelos beijos úmidos de maresia,
Pelo abraço apertado a me proteger do vento,
Pela íntima conversa silenciosa dos olhos...
Passos perdidos em meu caminhar
Sinto a areia molhada e minha alma
Marcada pela paisagem...
Este momento tem sentido na minha alma,
Este momento tem sentido na minha vida...
Uma lágrima serena escorre pela face
Formando um secreto sorriso...
Passado o vento na tarde que se fez outono
Em minha vida, esvaneceram alguns sonhos,
Mudou o tema da poesia,
Muitas histórias para contar...
Envelheceram as linhas do rosto e do corpo.
Mas o coração solto, liberto ainda quer amar.
Lento e invasivo, o amor chega sem avisar,
Outra vez laço de abraço e o gosto de um beijo.
Nos desvarios das horas na praia...
Continuo meu passeio na areia molhada
Perdida na memória dos meus passos
Vou deixando as ondas para trás e
Sigo em tua direção para te encontrar
Além da estrada, além do tempo para
Viver este presente de amor...

Sônia Schmorantz

28 agosto 2008

Estou sempre em ti...


Estou sempre em ti…
Ainda que pressuponhas que a distância
e a ausência que muitas vezes nos aparta
levam de mim o aroma de tudo o que já partilhámos.

Ainda que penses que as minhas mãos
em certos momentos ensaiam acenos e despedidas…
continuo aqui, serenamente, à tua espera.

Ainda que, não estando tu sempre presente,
consigo sentir o doce sussurro da tua voz a cada madrugada,
lembrando-me que sempre fui tua, mesmo antes de te amar.

E na soma de todas as minhas certezas,
sei que o teu caminho
é aquele que te traz sempre para mim.

(Sussurros da Lua)

24 agosto 2008


Há dentro de mim uma paisagem
entre meio-dia e duas horas da tarde.
Aves pernaltas, os bicos
mergulhados na água,
entram e não neste lugar de memória,
uma lagoa rasa com caniço na margem.
Habito nele, quando os desejos do corpo,
a metafísica, exclamam:
como és bonito!
Quero escrever-te até encontrar
onde segregas tanto sentimento.
Pensas em mim, teu meio-riso secreto
atravessa mar e montanha,
me sobressalta em arrepios,
o amor sobre o natural.
O corpo é leve como a alma,
os minerais voam como borboletas.
Tudo deste lugar
entre meio-dia e duas horas da tarde.

Adélia Prado

20 agosto 2008

Outrora pretendi que a vida fosse
um jardim em florida primavera,
um recanto de bosque, ameno e doce,
com flores presas em guirlandas de hera.

Apenas comecei minha jornada
vi como tristes eram os caminhos.
Em vez de flores enfeitando a estrada
em cada ramo só encontrava espinhos.

Mas cantando chegaste, ao sol-poente,
a fronte luminosa engrinaldada
e um lírio branco te florindo a mão.

Tornou-se o céu mais claro e transparente,
e a sombra má que me toldava a estrada
mudou-se em rosas, recobrindo o chão!.


Alfredo Cumplido Sant'anna

15 agosto 2008



Enquanto houver estrelas
Enquanto houver luar
Embalados nas asas da poesia
Podemos sonhar...

Embarcamos neste sonho
Navegando com ilusão
Grandes vagas nos assombram
Arrastados pela correnteza
O intrépido vento a sibilar
O raivoso trovejar, lampeja
Trazendo a fria chuva a fustigar;

A tempestade findou...
O mar serenou...
Céu azul, mar anil...
Alegres gaivotas em revoadas
A brisa leve exala um perfume
Com suave fragrância
De primavera
De flores e de amores.

Aportamos em ancoradouro seguro
A vida com esperança
Desabrocha em nós...
Em cada flor
Em cada pássaro
Em cada amor...

Rita Camargo Caldas

14 agosto 2008


Recebi teu amor no vento
E a janela do meu quarto abri,
chegou com o despertar da aurora
e a brisa suave da manhã
na minha cama o aconcheguei,
meus braços, meu corpo,
meu ar, meu sopro,
minha vida lhe dei,

Emprestei-lhe teus aromas
há tanto tempo guardados
nas viagens de carinhos carentes
e nos desejos em ti escondidos,

Por teus sonhos vagueei
a janela do meu quarto abri
e no vento que teu amor recebi,
meu amor em teu vento enviei

Sfsousa(olharomar)

13 agosto 2008



Eis a manhã no coração do estio,
cheia de tempestade.
Iguais a lenços brancos de adeus, passam as nuvens,
e o vento as sacode com sua mão viajante.

Inumerável coração do vento
pulsando sobre o nosso silêncio enamorado.
Zumbindo sob as árvores, orquestral e divino
qual uma língua cheia de guerras e de cantos.

Vento que leva em rápido roubo a folharda
e que desvia as flechas palpitante dos pássaros.
E que a vai derrubando em onda sem espuma
e substância sem peso e fogos inclinados.

Lacera-se e naufraga seu volume de beijos
batido junto à porta desse vento estival.

Vinte Poemas de Amor, Pablo Neruda

09 agosto 2008


É o primeiro dia dos pais sem tua presença,
mas vou visitar o mar onde tuas cinzas descansam,
e tu te transformaste em milhões de pontos cintilantes,
na esperança de que ouças meus pensamentos
que te falam da minha saudade.
Quero te dizer que teu olhar sincero e humilde
ainda guia meus passos,
mesmo que haja uma saudade constante.
Está sempre comigo este homem de grande responsabilidade,
sensível e generoso, mestre em piadas,
cujo abraço aconchegante ainda sinto
quando a tristeza insiste em chegar...
Tuas cinzas foram ao mar,
mas tua alma foi levada pelo vento, livre e solta no ar,
nesse lugar azul imenso, que se mistura céu e mar.
Faz parte agora das noites de lua ou chuva,
dos dias de sol ou melancolicamente cinzas,
teu espírito ainda vive no mar, na areia,
nas pedras e flores,
e no coração de cada pessoa que te amou...
Teu espírito hoje reluz em cada raio de sol, todos os dias..
Cada estrela no céu tem o teu brilho
e a brisa perfumada traz teu riso.
A chuva que hoje cai são lágrimas de saudade,
por isso venho te abraçar e te dizer uma vez mais,
com um grande beijo....
Feliz Dia dos Pais – Meu Pai.

Sônia Schmorantz

08 agosto 2008


Lindo é saber...
Que estrelas estão sempre lá
quando nuvens escorrem nas retinas
Dividir o pão,
quando é só pedaço
Tirar suco da fruta,
já bagaço
Dormir com a barriga roncando
a fome de amor
sabendo que a cura está no beijo
Ouvir a melodia
e a letra florecer na garganta
Amar descaradamente
esperando de janela aberta
que o céu devolva
o que já foi santo!
Saber que o tempo passa
mas sempre fotografa e guarda
a doce alegria de ficar pra sempre!

Socorro Moreira

Existo em tons de azul...
Emergem aos poucos de dentro,
de um coração, ora vibrante, ora aflito...
Sou azul... Corpo e Alma...

Renasce em mim a vontade de o fazer transbordar,
de abrir o peito e deixar que me envolva,
e limpe de vez os cinzentos que teimam em ficar...

Sou azul...
de um azul que não existe no céu,
nem no mar,
nem na cidade marroquina vestida de azul...
Este azul profundo,
é único...

Do coração um raio de Luz sai,
e vai-me inundando aos poucos...
Um dia... muito em breve...
chegará a ti...

http://atmoonlight.blogs.sapo.pt/2007/11/04/

06 agosto 2008


Meus dedos
repetem
movimentos semelhantes
ao da dança das flores.
Flutuam
como o balanço das ondas,
como barcos
nos confins do ventar,
fazem curvas
como nuvens na imensidão.
Possuo
o tempo entre os dedos.
São tantas emoções
que não me cabem na mão.
Dedos que moldaram,
a beleza da minha vida,
que extraíram ritmos
pintando
estrelas
na ponta
de cada dedo.

http://josanne.nireblog.com/archives/2008/01

04 agosto 2008


O que te posso dar é mais que tudo
o que perdi: dou-te os meus ganhos.
A maturidade que consegue rir
quando em outros tempos choraria,
busca te agradar
quando antigamente quereria
apenas ser amada.
Posso dar-te muito mais do que beleza
e juventude agora: esses dourados anos
me ensinaram a amar melhor, com mais paciência
e não menos ardor, a entender-te
se precisas, a aguardar-te quando vais,
a dar-te regaço de amante e colo de amiga,
e sobretudo força — que vem do aprendizado.
Isso posso te dar: um mar antigo e confiável
cujas marés — mesmo se fogem — retornam,
cujas correntes ocultas não levam destroços
mas o sonho interminável das sereias.

Lya Luft - Canção na plenitude

03 agosto 2008

NÓS


Esse suave ondular,
das ondas
Dos teus olhos, embalam-me,
a alma
E o andar de folhos
no nosso amar.
Preenchem minha calma,
Sugerem o mar,
onde sou ondina,menina
na areia
branca a brincar.
E tu castelo de espuma,
abres tuas portas
para meus sonhos guardar.
ao longe,
ouço o perfume do luar,
esconder-se
na bruma do teu,
do meu,
nosso amar.

poesialilazcarmim.blogspot.com/2007

02 agosto 2008


Pousa a tua cabeça dolorida
Tão cheia de quimeras, de ideal,
Sobre o regaço brando e maternal
Da tua doce Irmã compadecida.

Hás-de contar-me nessa voz tão querida
A tua dor que julgas sem igual,
E eu, pra te consolar, direi o mal
Que à minha alma profunda fez a Vida.

E hás-de adormecer nos meus joelhos...
E os meus dedos enrugados, velhos,
Hão-de fazer-se leves e suaves...

Hão-de pousar-se num fervor de crente,
Rosas brancas tombando docemente,
Sobre o teu rosto, como penas de aves...

Florbela Espanca

Onde andam meus sonhos?


Tenho sonhos perdidos nas sombras
navegando nos medos , sem futuro
embebidos em saudades de auroras.
Chora a alma, tentando romper o muro.
Sinto um vago receio prematuro
a desmaiar sobre o poente
sem achar saídas que procuro
nem os caminhos da ponte.
Até o mar de mim se esconde
foge do peito rudemente
não mata mais minha sede.
Embalo lembranças nas redes
e nos braços dos coqueiros
deixo-me voar sem grades...

Maria Thereza Neves

Quem sou eu

Minha foto
Gaúcha, nos pampas nascida Um grande sonho acalentei Morar numa ilha encantada Cheia de bruxas e fadas. Nessa terra cheia de graça Onde se juntam todas as raças, Minha ilha lança ao poente O azul espelhado da lagoa, O verde silêncio das montanhas, O rumorejar de um mar azul Que beija apaixonado a areia da Minha ilha de renda poética. Não importa se há sol ou chuva, A mágica ilha é sempre azul, Fica gravada na alma e Quem aqui vem sempre vai voltar, Para descobrir novos caminhos, Novos destinos, pois Esta magia nunca irá acabar.

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