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27 maio 2010

Um breve olhar


Lá em cima, no ar
Sobre a monotonia destas casas
Sulcando, sereníssimas, os céus,
Abrem a larga rima das suas asas,
Lenços brancos do azul, dizendo adeus
Ao vento e ao mar.

Eu fico a vê-las
E meus olhos, de as verem, vão partindo
E fugindo com elas;
E a segui-las eu penso,
Enquanto o olhar no azul se espraia e prega,
Que há uma graça, que há um sonho imenso
Em tudo o que flutua e que navega…

Para onde se desterram as gaivotas,
Contra o vento vogando, altas e belas,
Essas voantes e pairantes frotas,
Essas vivas e alvas caravelas?

Vão para longe… E lá desaparecem,
Ao largo, por detrás do monte;
E os nossos olhos olham e entristecem
Com as vagas saudades que merecem
As coisas que se somem no horizonte!


Afonso Lopes Vieira
In "Canção do Vento"
(Leiria, 26 de janeiro de 1878 - Lisboa, 1946)
Postado no blogger http://portugalpoetico.blogspot.com/



12 comentários:

direitinho disse...

Ler Afonso Lopes Vieira é partir no sonho do olhar que vai e volta perdido nas asas das gaivotas.
Aqueles voos e bater de asas parecem
parecem lenços que saúdam alguém.

ღPat.ღ disse...

Bonjour querida Sõnia,

Como aprendiz, digo que é a primeira vez que leio Afonso... e ele encanta com suas palavras...que deu-me a sensação de liberdade.

Tuas imagens são especiais demais.
Beijos amiga, e uma sexta iluminada.

Efigênia Coutinho disse...

Bom dia Sonia, mas muito bom dia mesmo, pois entrar neste seu espaço, é poder reviver está Ilha da magia, nestas fotos que você tira espetacularmente, é amanhecer de bem neste mundo!

FELIZ FIM DE SEMANA

Efigênia Coutinho

Isa disse...

Obrigada por relembrares este poeta que tão esquecido anda por estas paragens...
Beijo.
isa.

R.Ferrari disse...

Saudade é algo complicado.
Belos versos e como sempre, lindas fotos. mas a primeira está fantastica.

AROBOS disse...

Hay una enorme sensibilidad en esos versos. La primera foto que ilustra el poema, la de las gaviotas que vuelan, es estupenda.

Fernanda disse...

Querida amiga,

Vi-me retratada no poema...
Desde que vi Fernão Capelo Gaivota que comecei a ver as gaivotas com outros olhos.
Fico horas a vê-las planar, ao a mergulhar no mar procurando alimento, até dos seus gritos estridentes eu gosto.

Muito lindo o poema e as imagens, a mimha eterna tentação.

Beijinhos
Bom fim de semaman

Na casa do Rau

Wanderley Elian Lima disse...

Olá Sonia
Realmente é uma viagem acompanhar o vôo das gaivotas que se perdem no horizonte.
Um ótimo fim de semana para você
Um abraço

Rosemildo Sales Furtado disse...

Olá Sônia! Passando para apreciar mais uma das tuas belas escolhas. Lindo poema, belas paisagens.

Abraços e que fiques com DEUS.

Furtado.

Amor feito Poesia disse...

A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios. Por isso, cante, chore, dance, ria e viva intensamente, antes que a cortina se feche e a peça termine sem aplausos.

Charles Chaplin


Saudações Poéticas e BOM FDS!! M@ria

Sônia Silvino disse...

Oi, boa noite!
Sempre fico muito feliz com a tua visita!
E adoro te visitar!
Vim ler as novidades daqui!
Também vim te desejar um ótimo final de semana!!!
"Saber Viver


Não sei... Se a vida é curta
Ou longa demais pra nós,
Mas sei que nada do que vivemos
Tem sentido, se não tocamos o coração das pessoas.

Muitas vezes basta ser:
Colo que acolhe,
Braço que envolve,
Palavra que conforta,
Silêncio que respeita,
Alegria que contagia,
Lágrima que corre,
Olhar que acaricia,
Desejo que sacia,
Amor que promove.

E isso não é coisa de outro mundo,
É o que dá sentido à vida.
É o que faz com que ela
Não seja nem curta,
Nem longa demais,
Mas que seja intensa,
Verdadeira, pura... Enquanto durar"

Cora Coralina

Bjkas, muitas!!!
Sônia Silvino's Blogs
http://blogsdasoniasilvino.blogspot.com

Ignácio disse...

linda sua poética Sônia...
to escrevendo também...
Depois se vc puder visita meu bloguim...
Abraços!

Quem sou eu

Minha foto
Gaúcha, nos pampas nascida Um grande sonho acalentei Morar numa ilha encantada Cheia de bruxas e fadas. Nessa terra cheia de graça Onde se juntam todas as raças, Minha ilha lança ao poente O azul espelhado da lagoa, O verde silêncio das montanhas, O rumorejar de um mar azul Que beija apaixonado a areia da Minha ilha de renda poética. Não importa se há sol ou chuva, A mágica ilha é sempre azul, Fica gravada na alma e Quem aqui vem sempre vai voltar, Para descobrir novos caminhos, Novos destinos, pois Esta magia nunca irá acabar.

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