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22 julho 2010

Soneto Antigo



Responder a perguntas não respondo. 
Perguntas impossíveis não pergunto. 
Só do que sei de mim aos outros conto:
de mim, atravessada pelo mundo.

Toda a minha experiência, o meu estudo,
sou eu mesma que, em solidão paciente,
recolho do que em mim observo e escuto
muda lição, que ninguém mais entende.

O que sou vale mais do que o meu canto.
Apenas em linguagem vou dizendo
caminhos invisíveis por onde ando.

Tudo é secreto e de remoto exemplo.
Todos ouvimos, longe, o apelo do Anjo.
E todos somos pura flor de vento.

Cecília Meireles


11 comentários:

Luís Coelho disse...

Muito boa escolha como sempre faz e aqui neste soneto perfeito de Cecília Meireles,todos nós nos sentimos enquadrados.
Desejo-lhe tudo de bom.
Muita saúde, paz e bem

in natura disse...

Querida Sônia gostei muito do poema da poetisa maior, mas as tuas fotos me encantam. Beijuss

AROBOS disse...

Las fotos son imágenes del otoño. Y el soneto -una de las estrofas más difíciles de hacer- es un auténtica maravilla.

sam rock disse...

Acertado poema para melancólicas imágenes.

Un abrazo y buen fin de semana.

Sonhadora disse...

Minha querida
Um belo poema ,adorei.

Beijinhos
Sonhadra

Fernando Campanella disse...

Lindo soneto da Cecília, e belíssimas fotos. Tuas imagens estão cada vez mais bonitas, Sonia.
Grande abraço, minha amiga.

"Cantinho Poético" disse...

Te desejo um Feliz Sábado!
Um beijo carinhoso prá ti...M@ria

Maria disse...

Excelentes fotografias, lindissimo poema,adorei!
É sempre um prazer enorme vir visitar o seu cantinho, é um local muito especial, onde o bom gosto e a qualidade estão sempre presentes, iluminando a alma de quem o visita.

“Não devemos permitir que alguém saia da nossa presença sem se sentir melhor e mais feliz.”(Madre Teresa de Calcutá)

Bjs do tamanho do infinito
Maria

Vitor Chuva disse...

Olá Sonia!

Sentirmo-nos incompreendidos é sentimento pesado, que todos decerto já experimentámos;o mundo parece injusto, e nós sentimo-nos isolados - e isso está aqui muto bem expresso por letra de quem sabe do que fala.

Um abraço.
Vitor

Richard Mathenhauer disse...

Cecília Meireles, poeta do olhar distante, casa-se muitíssimo bem com as imagens.

Abraços,

Lu disse...

Cecília Meireles! Simples e real!
Ah! Eu mesmo sei de mim; ou não sei nada de mim e muito menos dos outros; Sera que sou só, dentro do meu eu, como estivesse sempre sentada as margens de um rio ...

Olá! Sônia! São sempre bem encaixadas suas imagens ao poema*

Quem sou eu

Minha foto
Gaúcha, nos pampas nascida Um grande sonho acalentei Morar numa ilha encantada Cheia de bruxas e fadas. Nessa terra cheia de graça Onde se juntam todas as raças, Minha ilha lança ao poente O azul espelhado da lagoa, O verde silêncio das montanhas, O rumorejar de um mar azul Que beija apaixonado a areia da Minha ilha de renda poética. Não importa se há sol ou chuva, A mágica ilha é sempre azul, Fica gravada na alma e Quem aqui vem sempre vai voltar, Para descobrir novos caminhos, Novos destinos, pois Esta magia nunca irá acabar.

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