.

.

04 fevereiro 2011

Para ti


Foi para ti
que desfolhei a chuva
para ti soltei o perfume da terra
toquei no nada
e para ti foi tudo
Para ti criei todas as palavras
e todas me faltaram
no minuto em que falhei
o sabor do sempre
Para ti dei voz
às minhas mãos
abri os gomos do tempo
assaltei o mundo
e pensei que tudo estava em nós
nesse doce engano
de tudo sermos donos
sem nada termos
simplesmente porque era de noite
e não dormíamos
eu descia em teu peito
para me procurar
e antes que a escuridão
nos cingisse a cintura
ficávamos nos olhos
vivendo de um só olhar
amando de uma só vida.

Mia Couto


Imagens do trajeto para o Portinho da Costa da Lagoa

6 comentários:

Luís Coelho disse...

Parece que aqui se vive a poesia na música das palavras.
Mia Couto encanta.

Sotnas disse...

Olá Sônia, desejo que tudo esteja bem contigo!
Que belo poema de Mia Couto, como sempre aqui no seu agradável cantinho de belíssimas imagens e lindos poemas!
Parabéns pelo espaço!
Desejo a você e todos ao redor iluminada felicidade, abraços e até mais!

Marisa Mattos disse...

Uau!Vindo aqui me senti na praia em sintonia total com a natureza.Seu blog transmite paz,já te disseram?

Pedra do Sertão disse...

Oi, Sônia,

Casamento mais harmonioso do que este é muito difícil de se compor! Amei os versos de Mia Couto e mais ainda as imagens fantásticas. Abraço

Gaivotadourada22 disse...

Sonia...
Vim matar a saudade de você e dessas imagens maravilhosas que fazem tão bem para nossa alma... Estive afastada da internet mas estou aos poucos voltando...
Está, como sempre foi, lindo teu Blog, passar por aqui é uma verdadeira terapia!!!
Um grande abraço!

Lu disse...

Boa noite! Amiga

Você é uma mulher de muita sorte, por estar rodeada de tanta beleza.
Que fotos lindas. Eu amo as fotos que você posta no seu blog, é cada uma mais linda que a outra.
Gostei do poema.

Abraços,
Lu

Quem sou eu

Minha foto
Gaúcha, nos pampas nascida Um grande sonho acalentei Morar numa ilha encantada Cheia de bruxas e fadas. Nessa terra cheia de graça Onde se juntam todas as raças, Minha ilha lança ao poente O azul espelhado da lagoa, O verde silêncio das montanhas, O rumorejar de um mar azul Que beija apaixonado a areia da Minha ilha de renda poética. Não importa se há sol ou chuva, A mágica ilha é sempre azul, Fica gravada na alma e Quem aqui vem sempre vai voltar, Para descobrir novos caminhos, Novos destinos, pois Esta magia nunca irá acabar.

.

.