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09 junho 2009

Em alguma vida fui ave


Guardo memória
de paisagens espraiadas
e de escarpas em vôo rasante.

E sinto em meus pés
o consolo de um pouso soberano
na mais alta copa da floresta.

Liga-me à terra
uma nuvem e seu desleixo de brancura.

Vivo a golpes
com coração de asa
e tombo como um relâmpago
faminto de terra.

Guardo a pluma
que resta dentro do peito
como um homem guarda o seu nome
no travesseiro do tempo.

Em alguma ave fui vida.

Mia Couto
Imagem 1: internet
Imagem 2: Jurerê, Florianópolis - Brasil

13 comentários:

UMA PAGINA PARA DOIS disse...

Como sempre uma bela escolha de imagens e poema, muito lindo meu amor.
Beijos te amo

Sidney Ramos disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Sidney Ramos disse...

Olá Sonia:
Passo por aqui mas uma vez para o deleite maravilhoso de mil sonhos em forma de poesias.
É sempre maravilhoso contemplar em seu blog.
Um abraço de seu admirador.

Adolfo Payés disse...

Siempre es un hermoso sentimiento leerte

saludos fraternos
un abrazo

besos

Daniel Costa disse...

Sonia

Poema Mia Couto, creio que escrito em Lisboa, que de certo modo se pode adaptar à Ilha. Literatura moderna do já muito conceituado poeta
moçambicano, um dos grandes expoentes da literatura africana.
Daniel

rouxinol de Bernardim disse...

Passei por aqui para saborear esta brisa intelectual que aqui perpassa...

É divinal, pode crer!..

Luísa N. disse...

São blogs assim, Sônia, que fazem a diferença! Poesia que sai da alma, imagens lindas... Um carinhoso abraço!
Luísa

Rosemari disse...

Sabe aquele poema que você lê e pensa , gostaria de tê-lo escrito.
Esse é um deles.
Lindo!!

beijos e bom feriado, Sonia querida!

mar salgado disse...

Está decidido, um dia irei visitar Florianópolis.
As belas fotogrfias do seu blog levaram-me a imginar um local doce, de águas serenas e espicaçaram a minha alma de viajante.

A.S. disse...

Sónia,
Um belo poema do Mia Couto!
Talvez tu também tenhas asas...


Beijos meus!

Agulheta disse...

Querida amiga! Bela poesia de Mia Couto,quem não gosta de voar como uma ave solitária,sobre o mar da sua saudade ou verdade.
Beijinho e tudo de bom

Antonio Paulo disse...

Bom seria mesmo
se asas tivessemos
para voar em lugares
assim como esses lindos.

Sempre belos poemas com lindas imagens. Sonia um abraço.

lupussignatus disse...

asas

chão




asas

são



[memórias
erectas]

Quem sou eu

Minha foto
Gaúcha, nos pampas nascida Um grande sonho acalentei Morar numa ilha encantada Cheia de bruxas e fadas. Nessa terra cheia de graça Onde se juntam todas as raças, Minha ilha lança ao poente O azul espelhado da lagoa, O verde silêncio das montanhas, O rumorejar de um mar azul Que beija apaixonado a areia da Minha ilha de renda poética. Não importa se há sol ou chuva, A mágica ilha é sempre azul, Fica gravada na alma e Quem aqui vem sempre vai voltar, Para descobrir novos caminhos, Novos destinos, pois Esta magia nunca irá acabar.

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