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13 julho 2009

Ainda Ontem (Hier encore)


Ontem ainda
Eu tinha vinte anos
Acariciava o tempo
E brincava de viver
Como se brinca de namorar

E vivia a noite
Sem considerar meus dias
Que escorriam no tempo
Fiz tantos projetos
Que ficaram no ar

Alimentei tantas esperanças
Que bateram asas
Que permaneço perdido
Sem saber aonde ir

Os olhos procurando o Céu
Mas, o coração posto na Terra
Ontem ainda
Eu tinha vinte anos
Desperdiçava o tempo
Acreditando que o fazia parar

E para retê-lo, e até ultrapassá-lo
Só fiz correr e me esfalfar
Ignorando o passado
Que conduz ao futuro

Precedia da palavra "eu"
Qualquer conversação
E opinava que eu queria o melhor
Por criticar o mundo com desenvoltura

Ontem ainda
Eu tinha vinte anos
Mas perdi meu tempo
A cometer loucuras

O que não me deixa, no fundo
Nada e realmente concreto
Além de algumas rugas na fronte
E o medo do tédio

Porque meus amores
Morreram antes de existir
Meus amigos partiram
E não mais retornarão

Por minha culpa
Criei o vazio em torno a mim
E gastei minha vida
E meus anos de juventude
Do melhor e do pior
Descartando o melhor

Imobilizei meus sorrisos
E congelei meus choros
Onde estão agora
Meus vinte anos?

Charles Aznavour
Veja também o vídeo em http://leonorlourenco.blogspot.com/

18 comentários:

~*Rebeca e Jota Cê *~ disse...

Por essas e outras temos que saber viver.

Noite de luz, Sônia linda.

Rebeca

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direitinho disse...

Onde estão os meus vinte anos ?
O que fiz com eles ?
O que deixaram.....
Tudo passa e este retroceder será um prazer ou um desgosto com as recordações desse tempo.
Quisera eu que esse acordar fosse feito de recordações maravilhosas, porem como todos os outros tem altos e baixos e por vezes não queria mesmo ter essas recordações.
Tantas vezes quiz acordar sem nada, vazio e novo com a esperança de recomeçar.
.....
Uma boa semana

Déia disse...

Sonia, vc está rápida, heim? rs Eu ainda estava nas correções e você ja estava lá rsrsrs Obrigada querida!
Nossa esse teu post é muito triste! Como é duro ver pessoas que criam vazios, descartam o melhor, talvez por medo ou por esperar algo mais grandioso, não é?
E a idade... Nossa como ela passa rápido! É como um susto!
Por isso, temos que viver intensamente e usar as sábias palavras da sua Avó!
Beijos querida!

Luiz Caio disse...

Oi Sonia! Boa noite!

Deve ser muito triste olhar para tras e perceber que deixamos muito por fazer, ou que fizemos tudo errado!
Mas sempre haverá uma maneira, e uma chance, para que a gente possa recomeçar... Se preciso for!

TENHA UMA LINDA SEMANA!

BEIJOS.

Daniel Costa disse...

Sonia

Um bonito poema, como todo os cantados por Charles Aznavor!
Tinha saudades da paz da Ilha, como as canções do Azavour encantam sempre.
Daniel

Branca disse...

Nostálgico, bonito, mas triste também! O tempo é cruel pra quem não vive como deveria viver!


Bom dia e uma semana de muitas alegrias...bjo carinhoso!

brasileirinha disse...

ADOREI!!!!!!!!!!!!!!!!!

AMEI. LINDA SEMANA PARA TI.

MAS ACHO QUE NO FUNDO TODOS TEMOS NOSSOS ARREPENDIMENTOS.

Victor Gil disse...

Oi amiga Sonia.
Sou um bocado revivalista. Não assumo que o passado é que era bom. Antes pelo contrário, mas regressar ao passado através da música e palavras de Aznavour, só mesmo no teu espaço.
Um beijão minha querida amiga. Um bom dia e muita amizade.
Victor Gil

Simplesmente Amor disse...

Que bela escolha Sônia!
As palavras parecem sempre querer dizer o que o nosso coração sente...independente de tempo e espaço!

Um beijo carinhoso

Agulheta disse...

Oi Sónia! Vinte anos...tantos sonhos como dizes que ficam perdidos,nas palavras e sentimentos,vêm outros com mais maturidade assim é viver.
Adoro Charles Aznavour?
Beijinho.

sam rock disse...

Aznavour, todo un señor que os seus 85 anos segue a ser o mito vivinte da canción francesa.
Recomendo que escoiteis o disco Jazznavour (2000).

Unha aperta

Graça Pereira disse...

Quem não se lembra dos seus vinte anos, da sua juventude? Em Portugal, o cantor José Cid tem uma canção já antiga que se intitula “Vinte anos” e no refrão canta assim: “Vem viver a vida amor/ que o tempo que passou/ não volta não/Sonhos que o tempo apagou/ mas para nós ficou/ esta canção”. Que ao menos tenha ficado alguma coisa… Um beijo Graça

Baby disse...

"Imobilizei meus sorrisos
E congelei meus choros
Onde estão agora
Meus vinte anos?"

Quem não gostaria de os recuperar e tentar mudar alguma coisa?

Beijinhos.

Nilson Barcelli disse...

Querida amiga, a sua alma ainda só tem 20 anos.
Contei-os e não me enganei. Vc continua jovem e cheia de vontade de viver.
Velhos, são os trapos...
Beijo.

Jaclo disse...

¡Ay, Sonia...!
Veinte años...
Saludos

Rabiscando disse...

Devemos viver muito bem o presente, para q depois não se sinta tanta saudade do q passou.

1 beijo!

Sidney Ramos disse...

Oi Sônia:
O que escrever deste tesouro que "é" nosso passado?
A saudade, nos faz pássaro a sobrevoar sem poder toca-lo.
O que dizer dos erros que poderia ter harmoniosamente evitado?
O tempo, nos fez gente a caminhar em busca do que for possível ser recuperado.

Gilbamar disse...

Rápido o tempo passa, a vida passa e a velhice surge num rompante. E ficam as saudades.

Poético abraço do amigo Gilbamar(convido-a para visitar meu outro blog dedicado especialmente à literatura de cordel:

http://cantodomeucordel.blogspot.com/

Quem sou eu

Minha foto
Gaúcha, nos pampas nascida Um grande sonho acalentei Morar numa ilha encantada Cheia de bruxas e fadas. Nessa terra cheia de graça Onde se juntam todas as raças, Minha ilha lança ao poente O azul espelhado da lagoa, O verde silêncio das montanhas, O rumorejar de um mar azul Que beija apaixonado a areia da Minha ilha de renda poética. Não importa se há sol ou chuva, A mágica ilha é sempre azul, Fica gravada na alma e Quem aqui vem sempre vai voltar, Para descobrir novos caminhos, Novos destinos, pois Esta magia nunca irá acabar.

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