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10 novembro 2009

O sono das águas



Há uma hora certa,
no meio da noite, uma hora morta,
em que a água dorme.
Todas as águas dormem:
no rio, na lagoa,
no açude, no brejão, nos olhos d`água,
nos grotões fundos.
E quem ficar acordado,
na barranca, a noite inteira,
há de ouvir a cachoeira
parar a queda e o choro,
que a água foi dormir…
Águas claras, barrentas, sonolentas,
todas vão cochilar.
Dormem gotas, caudais, seivas das plantas,
fios brancos, torrentes.
O orvalho sonha
nas placas da folhagem.
E adormece
até a água fervida,
nos copos de cabeceira dos agonizantes…
Mas nem todas dormem, nessa hora
de torpor líquido e inocente.
Muitos hão de estar vigiando,
e chorando, a noite toda,
porque a água dos olhos
nunca tem sono…

Guimarães Rosa

Imagens de hoje: Rios de Santa Catarina
1: Barragem do Cedro por Carlos C. Nasato
2: Rio dos Cedros por Edson André Lenzi
3: Rio Timbó por Joair Silva



16 comentários:

Amor Feito Poesia disse...

O sono das aguas, que maravilha amiagaaaaaaaaaaaaaa...Parabéns.

Obrigada por aparecer neste novo cantinho.

Adoro sua ilha, seus textos e amo voceeeeeeeee.........Beijosssss

Adolfo Payés disse...

Que lindo leerte son maravillosos los poemas..

Un beso

Un abrazo
Saludos fraternos..

direitinho disse...

Li a passada semana um texto com este mesmo tema.
Hoje encontro o tema em verso e fico pasmado pois o mesmo assunto tem outra dimensão.
O poeta conseguiu dar-lhe uma nova amplitude que nos leva na corrente das águas pelos rios ou represas, pelas gotas da chuva ou do orvalho ou até mesmo das nossas lágrimas como seiva interna.

Ele disse...

Que imagens maravilhosas. Ainda existe um pedaço do mundo que podemos chamar de paraíso. Obrigado por elas, Sonia.

Beijo.

louca esquizoffrenica disse...

Sonia hoje as imagens são um sonho. O sono das águas é uma bela estária versada. Como sempre sua ilha me maravilha. beijo desde o outro lado do oceano.

(Carlos Soares) disse...

Que lindo! Sabia que desde menino eu ouvi dizer que certa hora as águas param mesmo? Agora, o desfecho desse poema é demais: AS ÁGUAS DO OLHOS NÃO DORMEM.

Olhar o mar disse...

O Sono das águas liberta o despertar dos nossos corações quando a beleza das palavras e das imagens nos tocam...tranquilamente.
Uma boa semana - uma onda imensa de amizade te envia este outro lado do mar
olharomar

Maria João disse...

Sonia

Serenidade é o que sinto neste poema e nas imagens magnificas que o ilustram.

Um beijinho

Antonio Paulo disse...

Sonia grande amiga passo aqui para recarregar as baterias e deixar um abraço a ti aos filhos e ao nosso amigo Eduardo. Agradeço os recados deixado no Orkut.

Betty disse...

Muy lindo poema. bellísimas las fotos.El regocijante pasar por tú pagina... Besos

arobos disse...

Ya me he dado el agradable paseo por tu blog. Saludos.

poetaeusou . . . disse...

*
sentido post,
profundo,
,
no sono das águas,
adormecem os silencios,
em lágrimas madrugadoras,
,
conchinhas,
,
*

Fernanda disse...

Amiga Sónia,

Lindo e verdadeiro "a água dos olhos
nunca tem sono…"

Beijo
Fernanda Ferreira (Ná)

RETIRO do ÉDEN disse...

A primeira foto está duma transparência.......fantástica!

Forte abraço,
Mer

SAM disse...

Aplausos entusiasmados para o poema de Guimarães Rosa e agradecimento a sua sensibilidade, Sonia!



Carinhoso beijo.

Cris Tarcia disse...

Que lindo! Combinou com as fotos

Um abraço

Quem sou eu

Minha foto
Gaúcha, nos pampas nascida Um grande sonho acalentei Morar numa ilha encantada Cheia de bruxas e fadas. Nessa terra cheia de graça Onde se juntam todas as raças, Minha ilha lança ao poente O azul espelhado da lagoa, O verde silêncio das montanhas, O rumorejar de um mar azul Que beija apaixonado a areia da Minha ilha de renda poética. Não importa se há sol ou chuva, A mágica ilha é sempre azul, Fica gravada na alma e Quem aqui vem sempre vai voltar, Para descobrir novos caminhos, Novos destinos, pois Esta magia nunca irá acabar.

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