29 Janeiro 2012

Despedidas


Começo a olhar as coisas
como quem, se despedindo, se surpreende
com a singularidade
que cada coisa tem
de ser e estar.
Um beija-flor no entardecer desta montanha
a meio metro de mim, tão íntimo,
essas flores às quatro horas da tarde, 
tão cúmplices,
a umidade da grama na sola dos pés, as estrelas
daqui a pouco, que intimidade tenho com as estrelas
quanto mais habito a noite!
Nada mais é gratuito, tudo é ritual
Começo a amar as coisas
com o desprendimento que só têm os que 
amando tudo o que perderam
já não mentem.

Affonso Romano de Sant'Anna



Imagens da Praia dos Ingleses

5 comentários:

Ana Martins disse...

Fabuloso este poema, além da despedida, é também uma confissão!

Beijinho,
Ana Martins

LOURO disse...

Olá Sónia!
Bela Postagem,com lindas fotos e um poema sublime...Parabéns pela escolha!!!

Beijinhos de carinho e amizade,
Lourenço

Graça Pereira disse...

É no desprendimento de tudo que a alma fica mais rica! Um poema que recorda que nada é perene!
Beijo
Graça

Neyde Arte Artesanato disse...

Ola Sonia/ Lilian Marson indicou-me teu Blog/ Aqui estou visitando e fiquei encantada com as inpirações poeticas e fotos,Bravos! beijos

Baby disse...

São os poemas que nos encantam, são as imagens que nos chamam, é o mar como pano de fundo que nos convida a sonhar!

Beijos.