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27 abril 2013



Faça o que lhe digo.
Solte primeiro uma borboleta.
Se não amanhecer depressa,
solte outras de cores diferentes.
De vez em quando, faça partir um barco.
Veja aonde vai.
Se for difícil,
suprima o mar e lance uma planície.
Mande um esboço de rochedo,
o resto de uma floresta.
Atire um planisfério. Um zodíaco.
Uma fachada de igreja.
E os livros fundamentais.
Sirva-se do vento, se achar difícil.
Mande uma manhã de sol, na íntegra.
Faça subir a caixa de música,
com o barulho dos canaviais
e o apito da locomotiva.
Veja se consegue o mapa dos caminhos.

Aníbal Machado


19 abril 2013

Entre mim e mim...



Entre mim e mim, há vastidões bastantes
para a navegação dos meus desejos afligidos.

Descem pela água minhas naves revestidas de espelhos.
Cada lâmina arrisca um olhar, e investiga o elemento que
a atinge.

Mas, nesta aventura do sonho exposto à correnteza,
só recolho o gosto infinito das respostas que não se
encontram.

Virei-me sobre a minha própria existência, e contemplei-a
Minha virtude era esta errância por mares contraditórios,
e este abandono para além da felicidade e da beleza.

Ó meu Deus, isto é a minha alma:
qualquer coisa que flutua sobre este corpo efêmero e
precário,
como o vento largo do oceano sobre a areia passiva e
inúmera...


Cecília Meireles


Imagens do surf com meu filho Kevin.

11 abril 2013

O que eu fiz de mais puro...



O que eu fiz de mais puro
não foi rabiscar uma estrela,
ou desenhar um pássaro voando,
ou esculpir na madeira uma flor,
ou escrever um lindo poema de amor.
tudo isso posso fazer com as mãos.

o que eu fiz de mais puro
foi criar os meus lindos filhos
porque eu preciso todos os dias
de minha vida amá-los com o coração.

até o impossível a minha mão traça
mas amor não, amor é respiração.

Mauro Lúcio de Paula

07 abril 2013

Se pudéssemos...



Se pudéssemos plantar palavras,
como se planta uma árvore,
tantos frutos invisíveis
contido sem seu silêncio,
tanta sombra ao meio-dia
em seu futuro,
palavras simples e quentes,
amor, pão, mel, encontro,
as sementes seriam aladas,
e o vento varreria o jardim,
então, pouco a pouco,
atravessando montanhas,
mares, cidades,
a paz cobriria o mundo.

Roseana Murray



01 abril 2013

Vem a noite...


Vem, noite silenciosa e extática,
Vem envolver na noite manto branco
O meu coração...
Serenamente como uma brisa na tarde leve,
Tranquilamente com um gesto materno afagando.
Com as estrelas luzindo nas tuas mãos
E a lua máscara misteriosa sobre a tua face.
Todos os sons soam de outra maneira
Quando tu vens.
Quando tu entras baixam todas as vozes,
Ninguém te vê entrar.
Ninguém sabe quando entraste,
Senão de repente, vendo que tudo se recolhe,
Que tudo perde as arestas e as cores,
E que no alto céu ainda claramente azul
Já crescente nítido, ou círculo branco,
ou mera luz nova que vem,
A lua começa a ser real.

Álvaro de Campos


                               

Quem sou eu

Minha foto
Gaúcha, nos pampas nascida Um grande sonho acalentei Morar numa ilha encantada Cheia de bruxas e fadas. Nessa terra cheia de graça Onde se juntam todas as raças, Minha ilha lança ao poente O azul espelhado da lagoa, O verde silêncio das montanhas, O rumorejar de um mar azul Que beija apaixonado a areia da Minha ilha de renda poética. Não importa se há sol ou chuva, A mágica ilha é sempre azul, Fica gravada na alma e Quem aqui vem sempre vai voltar, Para descobrir novos caminhos, Novos destinos, pois Esta magia nunca irá acabar.

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