.

.

28 outubro 2012

Diário



Ninguém te viu chorando
...naquele quarto.
Á espera daquele amor perdido.

Ninguém pôde saber
(com olhos humanos)
Das paredes os teus gemidos
Dos teus sonhos o teu pedido.

Ninguém,
Além do teu diário antigo.

Somente o destino.
-Este travesso menino.
Trouxe-me agora a tua tristeza,
Teu sonho escondido.

Por saber da menina,
A vida em seu soluço sentido
E o amor em seus vestidos floridos
-me deixa triste em pensar:

Que trancaste a porta
para chorar por mim
se todo o tempo
eu chorava por ti.


Marcos tavares de souza



26 outubro 2012

Dois Horizontes



Dois horizontes fecham nossa vida:


Um horizonte, — a saudade
Do que não há de voltar;
Outro horizonte, — a esperança
Dos tempos que hão de chegar;
No presente, — sempre escuro,—
Vive a alma ambiciosa
Na ilusão voluptuosa
Do passado e do futuro.

Os doces brincos da infância
Sob as asas maternais,
O vôo das andorinhas,
A onda viva e os rosais;
O gozo do amor, sonhado
Num olhar profundo e ardente,
Tal é na hora presente
O horizonte do passado.

Ou ambição de grandeza
Que no espírito calou,
Desejo de amor sincero
Que o coração não gozou;
Ou um viver calmo e puro
À alma convalescente,
Tal é na hora presente
O horizonte do futuro.

No breve correr dos dias
Sob o azul do céu, — tais são
Limites no mar da vida:
Saudade ou aspiração;
Ao nosso espírito ardente,
Na avidez do bem sonhado,
Nunca o presente é passado,
Nunca o futuro é presente.

Que cismas, homem? – Perdido
No mar das recordações,
Escuto um eco sentido
Das passadas ilusões.
Que buscas, homem? – Procuro,
Através da imensidade,
Ler a doce realidade
Das ilusões do futuro.

Dois horizontes fecham nossa vida.

Machado de Assis,
de 'Crisálidas'

Imagens da Praia dos Ingleses

21 outubro 2012

Boa noite Solidão



Vai entrando, solidão. A casa é tua. 
Nesta hora em que a cidade se amortalha. 
Não há ruído aqui, nem lá na rua; 
Ninguém nos ouve, nem nos atrapalha. 

Empresta-me ouvidos de silêncio. 
Teus olhos cegos e teu canto mudo; 
Me empresta este vazio, enquanto penso. 
Pra que eu, pensando em nada, esqueça tudo. 

Quero em teu colo, acomodar-me quieto. 
Deixar passar o tempo em abandono; 
Ficar horas a fio olhando o teto, 
Até sentir cansaço e vir o sono. 


Amores vem e vão. Como os amigos; 
Nem bem um chega, outro desaparece. 
Só minha solidão fica comigo; 
Não muda, não se vai, não envelhece. 


Por isso, quando chegas não reclamo; 
Abro-te a porta e te recebo bem, 
Talvez devesse até dizer que te amo, 
Pois tu és sempre o amor de quem não tem. 


Parte da música de Odilon Ramos



20 outubro 2012

Inquietudes


.............................
A madrugada se apronta pra tomar o seu posto, 
num poético retrato cotidiano. 
Chega dizendo do frio solto lá fora e 
da precisão de procurar o sono. 
À espreita, a chuva espera a vez de entrar em cena 
e se derramar sobre os telhados, 
cobertores de corpos adormecidos e exaustos. 
A televisão tenta quebrar a poesia contando notícia ruim 
a quem só deseja canção de amor. 
Há lirismo demais na madrugada 
para um vivente perder minuto cuidando de assunto feio. 
O tempo dela era pra acontecer em verso feito de orvalho, 
em flor nascendo escondida, 
no silêncio do pedaço grande 
do mundo dormindo. 
...........................
Milene Lima em Inquietudes Crônicas
http://petalarrosadinha.blogspot.com.br/




19 outubro 2012

16 outubro 2012

Esse lado de mim




Esse lado de mim que vive
Desejando partir 

É minha metade forasteira, 
Selvagem e traiçoeira... 

Chega ansiando ir embora, 

Parte pensando em voltar, 
E amarga uma impaciência que não controla... 


Esse lado de mim que passeia pela vida 

Sorrindo diante do intocável, 
Brilhando olhos de lobo, 


Voz mansa quebrando o silêncio, 

É a parte de mim que não sabe o que quer, 
Minha metade cansada, 
Frágil e sensível... 


Deseja ser guiada por um sonho, 

Brincar na memória de alguém, 
Ser parte eterna de uma alma 
Que já aprendeu a amar...


Débora Böttcher





12 outubro 2012


Numa noite de lua escreverei palavras,
simples palavras tão certas
que hão de voar para longe, com asas súbitas,
e pousar nessas torres das mudas vidas inquietas.


O luar que esteve nos meus olhos, uma noite,
nascerá de novo no mundo.
Outra vez brilhará, livre de nuvens e telhados,
livre de pálpebras, e num país sem muros.

Por esse luar formado em minhas mãos, e eterno,
é doce caminhar, viver o que se vive.
Porque a noite é tão grande... Ah, quem faz tanta noite?
E estar próximo é tão impossível!

Cecília Meireles



Domingo, em Itapema, com dia cinza e muita chuva.

11 outubro 2012

Hoje é o dia das nossas crianças e da criança que fomos!

A criança que fui...

A minhas lindas crianças

As crianças que cresceram




10 outubro 2012

Doce Perfume



A vida pulsa alegremente.
Coração acorda em um sonho
Que não havia terminado,
Volta a bater como asas de um pássaro
a procura da flor preferida, 
e, ao beijá-la suavemente,
recorda como é doce seu perfume,
e ao anoitecer, feito um vaga-lume,
empresta seu brilho
Para olhos que tinham se apagado.

Rita Encinas



07 outubro 2012

Flores



Não quero que a vida
Me pegue na estrada
Qual folha caída,
Perdida no vento.
Nem quero que o tempo
A correr lá fora
Nas asas da tarde
Me faça partir.
Há um desejo estranho
De sonho e de luzes
Nos olhos da face
De quem quer viver.

......................

Genildo Mota Nunes



05 outubro 2012

Decepção de primavera



Hoje estou aqui olhando as luzes da rua
Nevoeiro fino acolhe a noite sombria
Nem a lua no céu, nem uma estrela nua
Para dar algum brilho a esta noite fria

Espero por luzes, na escuridão embora.

Conheço bem a esta solidão intensa
Que derruba o sonho e apaga a luz da alma
Faz do meu olhar espada de um gume imenso
No perder de vista desta impossível calma

Eu esperava flores nos jardins lá fora.


(Paola Rhoden, Milão)






04 outubro 2012

É interessante



“E é interessante.

 O tal do ser humano é interessante. 
Sempre procurando o amor definitivo e a tal da segurança.
Logo ele, capaz de morrer no próximo minuto, 

sujeito à primeira ventania,
e sem a menor chance diante do menor maremoto.
A segurança, colega, não existe. 

A gente inventou. 

E isso dói.”

Osvaldo Montenegro



Quem sou eu

Minha foto
Gaúcha, nos pampas nascida Um grande sonho acalentei Morar numa ilha encantada Cheia de bruxas e fadas. Nessa terra cheia de graça Onde se juntam todas as raças, Minha ilha lança ao poente O azul espelhado da lagoa, O verde silêncio das montanhas, O rumorejar de um mar azul Que beija apaixonado a areia da Minha ilha de renda poética. Não importa se há sol ou chuva, A mágica ilha é sempre azul, Fica gravada na alma e Quem aqui vem sempre vai voltar, Para descobrir novos caminhos, Novos destinos, pois Esta magia nunca irá acabar.

.

.